Descobertos com lixo e louças antigas sob a Crystal Palace Parade, os banheiros públicos passaram por uma reforma que eliminou divisórias, levou luz natural ao interior, criou ventilação e protegeu a estrutura contra umidade, até formar uma casa subterrânea de 56 m² com um quarto e jardim.
Sob uma calçada movimentada de Londres, antigos banheiros públicos de 1929 escondem uma casa completa. Fechado desde os anos 1980, o espaço acumulava lixo, ainda conservava louças sanitárias e não possuía janelas laterais.
A arquiteta Laura Jane Clark encontrou o local em 2005 e enxergou uma possibilidade de moradia onde havia apenas uma instalação pública abandonada. A apuração foi publicada por Domain, portal australiano especializado em notícias do mercado imobiliário.
Antes da reforma, porém, Clark enfrentou um processo demorado para identificar o proprietário e negociar com as autoridades. Foram necessários seis anos para conseguir comprar o espaço e avançar com a transformação residencial.
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Banheiros construídos em 1929 permaneceram abandonados sob a calçada
Os banheiros ficavam abaixo da Crystal Palace Parade, em Londres. Escadas abertas no passeio público conduziam até o interior, separado originalmente por divisórias e equipado com louças sanitárias.
Depois do fechamento nos anos 1980, a estrutura permaneceu sem uma nova função. A sujeira acumulada e a ausência de luz pelas laterais faziam o local parecer pouco adequado para qualquer uso residencial.
Clark percebeu que as paredes, o piso e os acessos poderiam integrar uma nova organização interna. O desafio consistia em transformar uma instalação sanitária subterrânea em uma casa iluminada, ventilada e protegida contra umidade.
Arquiteta enfrentou seis anos para conseguir comprar o espaço
A reforma não começou logo após a descoberta em 2005. A arquiteta precisou identificar quem possuía responsabilidade pelo imóvel, negociar a compra e obter as autorizações necessárias para mudar sua função.
Esse processo consumiu seis anos. Embora os banheiros estivessem fechados e abandonados, a situação do imóvel precisava ser resolvida antes que qualquer transformação permanente pudesse acontecer.

A demora revela uma barreira comum no reaproveitamento de áreas públicas esquecidas. O estado de abandono não significa que o local esteja livre para ocupação, venda ou reforma.
Divisórias e louças deram lugar a uma casa subterrânea de 56 m²
A retirada das divisórias foi uma das principais mudanças internas. Os pequenos compartimentos dos banheiros públicos desapareceram para permitir uma distribuição mais adequada dos 56 m² subterrâneos.

O novo interior passou a reunir um quarto, cozinha, banheiro e área de convivência. Armários e espaços de armazenamento foram organizados para aproveitar melhor cada parte da residência.
Uma das antigas escadas também ganhou outra função e foi convertida em um pequeno jardim. A vegetação levou luz, cor e contato com o exterior para uma área antes ocupada apenas por concreto e instalações sanitárias.
Claraboias na calçada resolveram a falta de janelas laterais
Criar uma casa subterrânea sem janelas laterais exigiu uma solução diferente. Abrir janelas comuns não era possível, pois as paredes estavam abaixo do nível da rua e cercadas pelo solo.
A arquiteta instalou blocos de vidro no passeio público, formando claraboias que permitem a passagem da luz. Assim, os raios solares atravessam partes da calçada e alcançam os ambientes internos.
As superfícies claras e a remoção das divisórias ajudaram a espalhar essa iluminação pelos cômodos. O resultado reduziu a aparência fechada do antigo banheiro e tornou a residência visualmente mais ampla.
Domain, portal australiano especializado em notícias do mercado imobiliário, registrou a transformação do espaço abandonado em uma residência de um quarto. As imagens da reforma mostram a diferença entre o interior tomado por louças e a casa pronta.
Ventilação e impermeabilização exigiram atenção especial
A iluminação não era o único problema. Uma construção abaixo da rua também precisa renovar o ar e controlar a umidade, pois o contato com o solo aumenta o risco de infiltrações.

A reforma incluiu soluções de ventilação e impermeabilização. A ventilação ajuda a retirar o ar parado dos cômodos, enquanto a impermeabilização protege paredes e pisos contra a entrada de água.
Esses cuidados são indispensáveis para transformar um local subterrâneo em moradia. Apenas remover as antigas instalações e colocar móveis não seria suficiente para criar um ambiente confortável e adequado ao uso diário.
Casa sob a calçada mostra como estruturas abandonadas podem ganhar novo uso
Os banheiros públicos construídos em 1929 deixaram de acumular lixo sob a Crystal Palace Parade e passaram a abrigar uma residência completa. A transformação aproveitou aproximadamente 56 m² que permaneceram fechados desde os anos 1980.
O projeto também expõe as dificuldades desse tipo de conversão. Foram seis anos de negociação, além de uma reforma voltada para luz natural, ventilação, impermeabilização e reorganização dos ambientes.
Você acredita que cidades deveriam facilitar a conversão de espaços subterrâneos abandonados em moradias, mesmo com os desafios de luz e ventilação? Comente e compartilhe.

