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Exploração de terras raras, lítio, cobre, estanho e outros minerais críticos disparou nos últimos cinco anos, cercando 278 terras indígenas e boom da mineração acende alerta no Brasil

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 11/04/2026 às 17:15
Atualizado em 11/04/2026 às 21:48
Exploração de terras raras, lítio, cobre, estanho e outros minerais críticos disparou nos últimos cinco anos, cercando 278 terras indígenas e boom da mineração acende alerta no Brasil
Exploração de terras raras, lítio, cobre, estanho e outros minerais críticos disparou nos últimos cinco anos, cercando 278 terras indígenas e intensificando a pressão sobre territórios em meio à corrida da transição energética.
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Exploração de terras raras, lítio, cobre, estanho e outros minerais críticos disparou nos últimos cinco anos, cercando 278 terras indígenas e intensificando a pressão sobre territórios em meio à corrida da transição energética.

A corrida por minerais críticos ganhou força no Brasil e já pressiona diretamente centenas de territórios indígenas. Um novo levantamento aponta que ao menos 278 terras indígenas estão cercadas por requerimentos de exploração mineral ligados a elementos estratégicos para baterias, energia renovável, chips, equipamentos militares e tecnologias avançadas.

Esse número representa 44% das terras indígenas do país. O dado expõe o avanço de um setor que se fortaleceu nos últimos cinco anos e agora mira áreas sensíveis em meio ao discurso global da transição energética.

Na prática, a expansão da mineração de lítio, cobre, estanho, terras raras e outros minerais coloca em confronto interesses econômicos bilionários, proteção territorial e o futuro de comunidades indígenas em várias regiões do Brasil.

Boom da mineração cresce com força em apenas cinco anos

O avanço foi rápido. Segundo dados analisados pelo Observatório da Transição Energética, o Brasil acumula 29.213 requerimentos relacionados a 27 minerais considerados essenciais para a eletrificação.

Metade desses pedidos foi protocolada entre 2021 e 2025. Isso mostra como a corrida mineral se acelerou em pouco tempo, acompanhando a valorização global de recursos usados em veículos elétricos, painéis solares, torres eólicas e sistemas de defesa.

A maior parte dos requerimentos ainda está em fase inicial. Mesmo assim, a pressão territorial já aparece com força no mapa.

Terras indígenas ficam cercadas por projetos de exploração

Ao cruzar dados da mineração com as bases territoriais da Funai, o levantamento identificou 2.055 requerimentos minerários sobrepostos ou localizados a menos de 10 quilômetros de 278 terras indígenas.

Além disso, quando se observam apenas os processos já em operação, ao menos 38 territórios aparecem diretamente afetados por minerais críticos.

O cenário preocupa lideranças indígenas e organizações que acompanham os impactos da mineração. Para elas, a chamada transição energética corre o risco de empurrar comunidades inteiras para novas zonas de pressão, conflito e destruição ambiental.

Terras raras e lítio lideram corrida bilionária no país

Entre os minerais mais disputados, dois se destacam com força: terras raras e lítio. Ambos são vistos como estratégicos para o futuro da economia global.

As terras raras são usadas em chips, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e até sistemas militares. Já o lítio é peça central na produção de baterias para carros elétricos e armazenamento de energia.

No Brasil, essa corrida já aparece com números expressivos. Dos 2.259 pedidos para explorar terras raras, 89% foram protocolados nos últimos cinco anos. No caso do lítio, 94% dos cerca de 4 mil pedidos minerários surgiram no mesmo período.

Mineração em áreas indígenas vira tema de confronto político

O crescimento da exploração ocorre em um ambiente de forte disputa política. Organizações indígenas afirmam que o lobby mineral avança em Brasília para tentar abrir caminho à regulamentação da mineração em terras indígenas.

A Apib sustenta que esse movimento não é novo, mas ganhou intensidade conforme sinais políticos passaram a favorecer o debate no Congresso e também no Judiciário.

A entidade critica a tentativa de usar a transição energética como justificativa para flexibilizar a proteção dos territórios. Para a organização, não faz sentido defender energia supostamente limpa à custa da destruição de áreas indígenas.

Relatório alerta para “zonas de sacrifício” em nome da transição energética

No relatório lançado durante o Acampamento Terra Livre, a Apib afirma que a expansão da mineração pode transformar terras indígenas em “zonas de sacrifício”.

A crítica é direta. Segundo a organização, parte das elites econômicas passou a tratar a crise climática menos como emergência planetária e mais como oportunidade de negócio.

Na visão das lideranças indígenas, o risco é repetir um velho padrão: trocar um modelo destrutivo por outro, agora embalado pelo discurso da descarbonização.

Territórios já sentem os efeitos da pressão minerária

O levantamento mostra que alguns territórios enfrentam pressão ainda maior. A Terra Indígena Kiriri de Caldas, no sul de Minas Gerais, aparece como a mais afetada entre os processos de minerais críticos já em operação.

O território está sobreposto ou cercado por 55 áreas minerárias. Na sequência aparecem as terras Kayapó, no Pará, com 19 requerimentos em operação, Apyterewa, também no Pará, com 16, e Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia, com 11.

Esses números ajudam a mostrar que a pressão não está no campo da hipótese. Em várias regiões, ela já se materializa no entorno dos territórios.

Disputa global por minerais aumenta valor estratégico do Brasil

A corrida por minerais críticos não acontece só dentro do Brasil. Ela faz parte de uma disputa global entre potências que tentam reduzir dependências e garantir acesso a matérias-primas estratégicas.

Estados Unidos e China aparecem no centro dessa batalha por terras raras e outros metais valiosos. Nesse contexto, o Brasil se torna ainda mais cobiçado.

O país abriga a segunda maior reserva de terras raras e a sexta maior de lítio do mundo. Isso amplia o interesse econômico sobre o subsolo brasileiro e aumenta a pressão sobre áreas preservadas e territórios indígenas.

Demarcação vira resposta diante da nova corrida mineral

Diante desse cenário, lideranças indígenas reforçam que a proteção territorial precisa avançar com urgência. Para elas, garantir a demarcação de terras já reconhecidas e acelerar novos processos é uma medida concreta contra a expansão predatória.

A frase usada no relatório resume essa posição com força: demarcação é mitigação.

Em meio ao boom da mineração, a disputa por lítio, cobre, estanho, terras raras e outros minerais críticos promete crescer ainda mais. O que está em jogo agora não é apenas riqueza mineral, mas o futuro de territórios inteiros ameaçados por uma nova onda extrativista. 

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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