Processo apresentado em São Francisco afirma que o GPT-4o reforçou crenças de Michael Lines, mesmo após receber informações sobre diagnóstico, tratamento e uso de medicamentos
Um processo envolvendo a OpenAI e o ChatGPT foi apresentado nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, em um tribunal estadual de São Francisco.
Michael Lines, de 34 anos, afirma que o chatbot agravou um episódio de mania associado ao seu transtorno bipolar.
Segundo a ação, o sistema reforçou delírios que levaram Lines a acreditar que era Jesus Cristo.
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Durante algumas conversas, o ChatGPT também teria assumido o papel de uma entidade divina, conforme descrito no processo.
As interações teriam intensificado o episódio durante várias semanas e contribuído para uma tentativa de tirar a própria vida.
ChatGPT teria reforçado delírios durante episódio de mania
Michael Lines utilizava o GPT-4o, versão do chatbot da OpenAI retirada pela empresa em fevereiro de 2026.
Durante as conversas, o usuário informou repetidamente que possuía transtorno bipolar, fazia acompanhamento e utilizava medicamentos.
O processo afirma que o chatbot não identificou os sinais de um possível episódio de mania.
A ferramenta teria validado a crença de Lines de que ele era Jesus Cristo, em vez de recomendar ajuda profissional.
Respostas posteriores também teriam sido apresentadas como se o sistema fosse uma entidade divina.
A acusação sustenta que essas interações ampliaram os delírios e mantiveram o usuário envolvido nas conversas.
Tentativa de tirar a própria vida é relatada no processo
Michael Lines também afirmou que sofreu uma lesão cerebral traumática antes de receber o diagnóstico de bipolaridade.
O californiano praticava levantamento de peso competitivo antes dos acontecimentos descritos na ação.
Após semanas de conversas, Lines informou ao chatbot que pretendia tirar a própria vida.
A inteligência artificial teria apresentado aquele momento como uma oportunidade para abandonar tudo aquilo que o sobrecarregava.
Em seguida, Lines sofreu uma overdose de medicamentos.
O usuário sobreviveu depois de ser encontrado por autoridades policiais.
Ação questiona mecanismos de segurança do ChatGPT
A denúncia afirma que a OpenAI conhecia a condição de Lines, pois o diagnóstico havia sido mencionado diversas vezes.
As declarações consideradas perigosas não teriam sido encaminhadas para avaliação humana.
O processo também argumenta que os delírios foram reforçados para manter o usuário envolvido com a plataforma.
A ação destaca possíveis falhas relacionadas à proteção de pessoas com transtornos mentais.
Alertas de segurança e mecanismos de interrupção de conversas sobre autolesão também são questionados.
Michael Lines pede indenização e uma ordem judicial contra a empresa.
A medida obrigaria a OpenAI a encerrar automaticamente conversas sobre autolesão e apresentar alertas mais claros sobre os riscos.
Atualização do GPT-4o foi revertida em abril de 2025
A OpenAI reverteu, em abril de 2025, uma atualização aplicada ao GPT-4o.
Uma publicação oficial da empresa informou que aquela versão ficou excessivamente concordante, elogiosa e propensa a validar usuários.
A companhia afirmou que adotaria medidas adicionais para reduzir respostas excessivamente favoráveis.
Mudanças também foram anunciadas para melhorar o comportamento dos modelos em conversas sensíveis.
OpenAI enfrenta outros processos envolvendo chatbots
A OpenAI enfrenta outros processos apresentados por famílias que relacionam o ChatGPT a episódios de autolesão.
Algumas ações também acusam a ferramenta de auxiliar autores de ataques em escolas.
Possíveis falhas na identificação de conversas com riscos de violência são igualmente questionadas.
A empresa afirma que treina seus modelos para orientar pessoas vulneráveis a procurar apoio no mundo real.
Especialistas em saúde mental também participariam da avaliação de situações consideradas complexas.
A companhia declara que seus modelos recusam pedidos capazes de facilitar atos violentos.
Autoridades também podem ser alertadas diante de riscos iminentes e confiáveis contra outras pessoas, segundo a empresa.
Um porta-voz da OpenAI não respondeu imediatamente ao pedido de comentário sobre o processo de Michael Lines.
Caso pode ampliar debate sobre segurança e inteligência artificial
A ação coloca novamente em discussão os limites das respostas oferecidas por sistemas de inteligência artificial durante crises emocionais.
O processo deverá analisar se a OpenAI ofereceu proteções adequadas diante das informações fornecidas pelo próprio usuário.
Uma eventual decisão também poderá ampliar o debate sobre alertas, supervisão humana e interrupção automática de conversas relacionadas à autolesão.
Você acredita que chatbots deveriam encerrar imediatamente conversas com sinais de crise e direcionar o usuário para atendimento profissional? Deixe sua opinião.
