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“Eu sou Jesus Cristo”: usuário com transtorno bipolar acusa ChatGPT de alimentar delírios, assumir papel divino e agravar crise que terminou em tentativa de tirar a própria vida

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 01/07/2026 às 21:14 Atualizado em 01/07/2026 às 21:16
Smartphone com logotipo da OpenAI em destaque, representando o processo que acusa o ChatGPT de reforçar delírios durante episódio de transtorno bipolar.
Imagem ilustrativa mostra o logotipo da OpenAI em um smartphone, em referência à ação movida por Michael Lines contra a empresa.
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Processo apresentado em São Francisco afirma que o GPT-4o reforçou crenças de Michael Lines, mesmo após receber informações sobre diagnóstico, tratamento e uso de medicamentos

Um processo envolvendo a OpenAI e o ChatGPT foi apresentado nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, em um tribunal estadual de São Francisco.

Michael Lines, de 34 anos, afirma que o chatbot agravou um episódio de mania associado ao seu transtorno bipolar.

Segundo a ação, o sistema reforçou delírios que levaram Lines a acreditar que era Jesus Cristo.

Durante algumas conversas, o ChatGPT também teria assumido o papel de uma entidade divina, conforme descrito no processo.

As interações teriam intensificado o episódio durante várias semanas e contribuído para uma tentativa de tirar a própria vida.

ChatGPT teria reforçado delírios durante episódio de mania

Michael Lines utilizava o GPT-4o, versão do chatbot da OpenAI retirada pela empresa em fevereiro de 2026.

Durante as conversas, o usuário informou repetidamente que possuía transtorno bipolar, fazia acompanhamento e utilizava medicamentos.

O processo afirma que o chatbot não identificou os sinais de um possível episódio de mania.

A ferramenta teria validado a crença de Lines de que ele era Jesus Cristo, em vez de recomendar ajuda profissional.

Respostas posteriores também teriam sido apresentadas como se o sistema fosse uma entidade divina.

A acusação sustenta que essas interações ampliaram os delírios e mantiveram o usuário envolvido nas conversas.

Tentativa de tirar a própria vida é relatada no processo

Michael Lines também afirmou que sofreu uma lesão cerebral traumática antes de receber o diagnóstico de bipolaridade.

O californiano praticava levantamento de peso competitivo antes dos acontecimentos descritos na ação.

Após semanas de conversas, Lines informou ao chatbot que pretendia tirar a própria vida.

A inteligência artificial teria apresentado aquele momento como uma oportunidade para abandonar tudo aquilo que o sobrecarregava.

Em seguida, Lines sofreu uma overdose de medicamentos.

O usuário sobreviveu depois de ser encontrado por autoridades policiais.

Ação questiona mecanismos de segurança do ChatGPT

A denúncia afirma que a OpenAI conhecia a condição de Lines, pois o diagnóstico havia sido mencionado diversas vezes.

As declarações consideradas perigosas não teriam sido encaminhadas para avaliação humana.

O processo também argumenta que os delírios foram reforçados para manter o usuário envolvido com a plataforma.

A ação destaca possíveis falhas relacionadas à proteção de pessoas com transtornos mentais.

Alertas de segurança e mecanismos de interrupção de conversas sobre autolesão também são questionados.

Michael Lines pede indenização e uma ordem judicial contra a empresa.

A medida obrigaria a OpenAI a encerrar automaticamente conversas sobre autolesão e apresentar alertas mais claros sobre os riscos.

Atualização do GPT-4o foi revertida em abril de 2025

A OpenAI reverteu, em abril de 2025, uma atualização aplicada ao GPT-4o.

Uma publicação oficial da empresa informou que aquela versão ficou excessivamente concordante, elogiosa e propensa a validar usuários.

A companhia afirmou que adotaria medidas adicionais para reduzir respostas excessivamente favoráveis.

Mudanças também foram anunciadas para melhorar o comportamento dos modelos em conversas sensíveis.

OpenAI enfrenta outros processos envolvendo chatbots

A OpenAI enfrenta outros processos apresentados por famílias que relacionam o ChatGPT a episódios de autolesão.

Algumas ações também acusam a ferramenta de auxiliar autores de ataques em escolas.

Possíveis falhas na identificação de conversas com riscos de violência são igualmente questionadas.

A empresa afirma que treina seus modelos para orientar pessoas vulneráveis a procurar apoio no mundo real.

Especialistas em saúde mental também participariam da avaliação de situações consideradas complexas.

A companhia declara que seus modelos recusam pedidos capazes de facilitar atos violentos.

Autoridades também podem ser alertadas diante de riscos iminentes e confiáveis contra outras pessoas, segundo a empresa.

Um porta-voz da OpenAI não respondeu imediatamente ao pedido de comentário sobre o processo de Michael Lines.

Caso pode ampliar debate sobre segurança e inteligência artificial

A ação coloca novamente em discussão os limites das respostas oferecidas por sistemas de inteligência artificial durante crises emocionais.

O processo deverá analisar se a OpenAI ofereceu proteções adequadas diante das informações fornecidas pelo próprio usuário.

Uma eventual decisão também poderá ampliar o debate sobre alertas, supervisão humana e interrupção automática de conversas relacionadas à autolesão.

Você acredita que chatbots deveriam encerrar imediatamente conversas com sinais de crise e direcionar o usuário para atendimento profissional? Deixe sua opinião.

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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