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Estudante de São Paulo chamada Júlia Ramos Genzini cria método térmico que separa a fibra de vidro da resina das pás eólicas conquista o 1º lugar em Engenharia na Febrace da USP e ataca um lixo que pode somar 43 milhões de toneladas no mundo

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 10/06/2026 às 21:33
Atualizado em 10/06/2026 às 21:35
Assista o vídeoEstudante Júlia Ramos Genzini vence a Febrace na USP com a ReciclAr e método de reciclagem de pás eólicas que recupera a fibra de vidro.
Estudante Júlia Ramos Genzini vence a Febrace na USP com a ReciclAr e método de reciclagem de pás eólicas que recupera a fibra de vidro.
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O projeto ReciclAr usa tratamento térmico controlado para remover a resina e preservar as fibras com suas propriedades básicas, segundo a organização da feira. A técnica foi demonstrada em amostras de laboratório e segue como prova de conceito, ainda distante de uma aplicação em escala industrial.

A vitória foi anunciada em 20 de março de 2026, na cerimônia de encerramento da 24ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, a Febrace, realizada na Universidade de São Paulo, a USP. A estudante Júlia Ramos Genzini, do Colégio Dante Alighieri, na capital paulista, levou o 1º lugar na categoria Engenharia com o projeto ReciclAr, dedicado à reciclagem de pás eólicas, disputando com 297 projetos finalistas vindos de todo o país, conforme o anúncio oficial da Febrace.

O motivo de uma estudante da educação básica atacar esse problema é simples: as pás das turbinas de vento estão entre os resíduos mais difíceis de reciclar do planeta. Segundo a Febrace, o projeto propõe uma solução para o reaproveitamento das fibras de vidro das turbinas eólicas, um material de difícil reciclagem que tende a se acumular em aterros e impactar o meio ambiente. Júlia teve a orientação da professora Juliana de Carvalho Izidoro e a coorientação de Cristiane Rodrigues Caetano Tavolaro, segundo a organização da feira.

Como o método da ReciclAr separa a fibra de vidro da resina

Estudante Júlia Ramos Genzini vence a Febrace na USP com a ReciclAr e método de reciclagem de pás eólicas que recupera a fibra de vidro.
O coração do projeto é um tratamento térmico controlado. 

De acordo com a descrição oficial divulgada pela Febrace, o processo desenvolvido pela estudante conseguiu remover a resina que envolve o material das pás e, ao mesmo tempo, preservar a estrutura das fibras de vidro, mantendo suas propriedades básicas, condição essencial para que o material recuperado possa ser reaproveitado em vez de virar entulho.

Esse resultado mexe exatamente no ponto que trava a reciclagem de pás eólicas no mundo todo. 

As pás são feitas de compósitos, uma mistura de fibra de vidro com resinas plásticas quimicamente coladas para resistir a décadas de vento e intempéries, e é essa cola que torna a separação dos materiais cara e complexa.

Vale o rótulo rigoroso: o que a ReciclAr apresentou na Febrace é uma prova de conceito demonstrada em amostras de laboratório, e a distância entre a bancada e uma planta industrial capaz de processar pás de até 100 metros ainda precisa ser percorrida.

Quem é a estudante premiada e a escola que dominou a Febrace 2026

Júlia Ramos Genzini representa uma geração que a própria organização da feira diz estar mais madura diante dos desafios contemporâneos. 

A coordenadora geral da Febrace, professora Roseli de Deus Lopes, afirmou no anúncio dos vencedores que os resultados de 2026 refletem não apenas a qualidade dos projetos, mas também a maturidade dos estudantes, em uma edição marcada por soluções sustentáveis baseadas em resíduos e pelo uso de inteligência artificial.

O Colégio Dante Alighieri, aliás, emplacou mais de um campeão na mesma edição. 

Segundo a Febrace, outro projeto da escola paulistana, o SafeSkies, de detecção de balões com inteligência artificial, levou o 1º lugar em Ciências Exatas e da Terra e uma vaga na delegação brasileira da Regeneron ISEF, a maior feira pré-universitária de ciências do mundo, onde conquistou prêmios em maio, em Phoenix, nos Estados Unidos, conforme divulgaram a Febrace e o CNPq.

O tamanho do lixo que a ReciclAr quer evitar

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As pás de turbinas eólicas têm vida útil tipicamente entre 20 e 30 anos, e a primeira grande geração de parques do mundo está chegando à aposentadoria agora. 

O estudo de referência sobre o tema, assinado pelos pesquisadores Pu Liu e Claire Barlow, da Universidade de Cambridge, e publicado no periódico científico Waste Management, projeta 43 milhões de toneladas de resíduos de pás acumuladas no planeta até 2050, número que é uma estimativa de cenário e não um fato consumado.

O Brasil tem interesse direto nessa corrida. 

O país opera cerca de 33,7 gigawatts de capacidade eólica, segundo dados consolidados da ABEEólica e do GWEC, e levantamento do jornal Tribuna do Norte com base na ANEEL mostra que, só no Rio Grande do Norte, 10 parques com 705 pás entram em fase de repotenciação ou desmonte até 2032.

Hoje, a saída mais comum no país é triturar as pás e enviar o resíduo para fábricas de cimento, destino que aproveita o material mas não recupera a fibra de vidro, exatamente o que a técnica premiada na Febrace se propõe a fazer.

Da bancada da escola para a indústria ainda há um longo caminho

Nenhum prêmio escolar transforma sozinho um experimento em linha de produção, e é honesto dizer isso. 

A própria Febrace, promovida pela Escola Politécnica da USP e realizada pelo Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico, o LSI-TEC, funciona como vitrine de iniciação científica: a edição de 2026 recebeu mais de 3 mil projetos inscritos e selecionou 297 finalistas, segundo a organização.

O que a premiação garante à ReciclAr é validação acadêmica e visibilidade, não um contrato com a indústria eólica.

Ainda assim, o movimento da estudante aponta na direção em que o setor inteiro está correndo. 

Fabricantes globais de turbinas anunciaram metas de pás recicláveis e desperdício zero para as próximas décadas, todas ainda no campo dos compromissos, e centros de pesquisa do mundo testam rotas térmicas e químicas para recuperar a fibra de vidro.

A diferença é que, neste caso, a aposta saiu da bancada de uma escola brasileira e bateu de frente com um problema que a indústria bilionária da energia limpa ainda não resolveu.

Uma fibra de vidro recuperada de cada vez

A história de Júlia Ramos Genzini junta as duas pontas que o leitor do CPG acompanha todo dia: a expansão acelerada da energia eólica e a conta ambiental que vence quando as turbinas envelhecem. 

Se a técnica da ReciclAr ou qualquer outra rota de reciclagem escalar a tempo, o Brasil tem a chance de montar essa cadeia antes que a montanha de pás aposentadas se forme no Nordeste.

E você, acredita que soluções nascidas em feiras de ciência como a Febrace conseguem chegar à indústria ou o caminho da inovação no Brasil ainda é longo demais? Deixe sua opinião nos comentários e participe da conversa, sempre com respeito às diferentes opiniões.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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