Estaleiro italiano Fincantieri transforma unidade de Sestri Ponente em laboratório industrial para testar o robô humanoide Gene.01 em soldagens estruturais navais, com foco em costuras longas, rastreabilidade digital e possível aplicação em superiates acima de 130 metros
A Fincantieri, gigante industrial italiana que opera estaleiro de Sestri Ponente, desenvolve com a Generative Bionics o robô humanoide Gene.01 para atuar em soldagem naval, com foco em costuras estruturais e possível impacto em superiates acima de 130 metros.
Estaleiro de Sestri Ponente se torna campo de testes para o Gene.01
A iniciativa foi apresentada em parceria com a empresa italiana de robótica Generative Bionics. O projeto concentra-se em uma plataforma humanoide projetada para operar dentro de um estaleiro ativo, e não restrita a ambientes laboratoriais.
O estaleiro de Sestri Ponente servirá como campo de testes industrial. A unidade será transformada em ambiente de validação para automação humanoide aplicada à construção naval, integrando o robô às rotinas reais de produção.
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Na primeira fase, o humanoide Gene.01 apoiará atividades específicas de soldagem naval. O foco são costuras longas e repetitivas em blocos de casco, reforçadores, fundos duplos e anteparas estruturais.
Soldagem estrutural com monitoramento em tempo real no estaleiro
Essas costuras não são elementos estéticos, mas componentes estruturais centrais na embarcação. O robô monitorará as soldas em tempo real com câmeras e inteligência artificial, acompanhando posição do cordão, velocidade de deslocamento e estabilidade do arco.
O sistema também sinalizará defeitos como mordedura e porosidade. Inicialmente, o Gene.01 deverá auxiliar, e não substituir, soldadores qualificados, segurando tochas ou dispositivos, registrando dados do processo e executando passagens repetitivas sob supervisão.
A mobilidade é elemento central da proposta. Braços robóticos tradicionais funcionam bem em células fixas e previsíveis, mas exigem dispositivos personalizados e áreas isoladas, além de enfrentarem limitações em espaços confinados.
Plataforma humanoide para ambientes complexos de estaleiro
O humanoide foi concebido para acompanhar trabalhadores em espaços estreitos dentro de blocos parcialmente montados. Ele poderá transitar por superfícies inclinadas e escadas metálicas, onde sistemas com rodas apresentam dificuldades.
A filosofia de projeto, descrita como Physical AI, distribui inteligência por articulações e membros. O sistema utiliza sensores corporais completos para manter equilíbrio enquanto opera próximo a estruturas pesadas no estaleiro.
O robô foi idealizado como um cobot, preparado para compartilhar espaço com equipes humanas e cumprir regras de segurança sem permanecer isolado por grades de proteção.
Impacto estratégico na construção naval e em superiates acima de 130 metros
A soldagem em estaleiro expõe trabalhadores a fumos, calor, vibração, ruído e posturas prolongadas, muitas vezes em altura sobre a água. Reduzir o tempo em posições mais severas é apontado como medida ligada à sustentabilidade da força de trabalho.
Pierroberto Folgiero, diretor executivo da Fincantieri, afirmou que robótica avançada e inteligência artificial aplicadas a processos industriais representam alavanca estratégica para a evolução da construção naval.
Para superiates com mais de 130 metros, o impacto pode ser mensurável. Costuras longas mais consistentes podem reduzir distorções em chapas de casco, permitir acabamento mais uniforme e diminuir correções posteriores.
A rastreabilidade digital completa de cada solda pode integrar a narrativa comercial para proprietários que exigem padrões rigorosos de classificação.
Histórico do estaleiro e transição para nova fase tecnológica
O estaleiro que entregou o superiate Serene, avaliado em US$ 400 million e equipado com dois helipontos e hangar para submarino, pertence ao príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman.
A mesma unidade também produziu uma nova classe de megaiates ultra-luxo para a Four Seasons. Agora, o local passa a experimentar uma nova forma de prestígio industrial, com a introdução do humanoide Gene.01.
Se o projeto obtiver êxito, o próximo superiate poderá incorporar refinamentos associados a um robô que aprendeu a soldar entre cascos de aço em Genova, consolidando uma nova etapa na história do estaleiro e da construção naval.

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