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Estados Unidos enterram mais de 100 mil jardas cúbicas de rejeitos radioativos em cratera sem revestimento, cobrem tudo com concreto no Pacífico e deixam moradores das Ilhas Marshall preocupados com o avanço do mar

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 26/07/2026 às 22:57
Assista o vídeoVista do alto, a Runit Dome parece um enorme círculo de concreto cercado pelo azul do Oceano Pacífico.
Imagem ilustrativa: Vista do alto, a Runit Dome parece um enorme círculo de concreto cercado pelo azul do Oceano Pacífico.
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A Runit Dome cobre resíduos do programa nuclear dos Estados Unidos em uma cratera aberta no atol de Enewetak, enquanto moradores das Ilhas Marshall cobram respostas sobre água subterrânea, avanço do mar, monitoramento ambiental e responsabilidade pelo legado radioativo

Vista do alto, a Runit Dome parece um enorme círculo de concreto cercado pelo azul do Oceano Pacífico. Sob essa cobertura estão mais de 100 mil jardas cúbicas de solo e detritos radioativos, reunidos dentro de uma cratera que não recebeu revestimento na parte inferior.

A estrutura foi construída no fim da década de 1970, na Ilha Runit, dentro do atol de Enewetak, nas Ilhas Marshall. As informações foram divulgadas por U.S. Department of Energy, órgão federal de energia dos Estados Unidos.

A obra funciona como uma tampa de proteção contra a erosão, não como um recipiente completamente impermeável. Essa diferença alimenta preocupações locais sobre a circulação da água, a elevação do nível do mar e o futuro dos resíduos deixados pelo programa de testes nucleares dos Estados Unidos.

A cicatriz circular da Runit Dome vista do alto no Pacífico

A fotografia aérea mostra uma forma quase perfeita no extremo norte da Ilha Runit. O concreto contrasta com a vegetação, a praia estreita e o oceano, criando uma das imagens mais conhecidas do legado nuclear nas Ilhas Marshall.

Runit Dome cobre resíduos do programa nuclear dos Estados Unidos em uma cratera aberta no atol de Enewetak
Reprodução/ IA

O círculo cobre a Cratera Cactus, aberta por uma explosão nuclear realizada no atol de Enewetak. A área foi usada durante o processo de limpeza das ilhas contaminadas pelos testes conduzidos pelos Estados Unidos.

Moradores do atol haviam sido retirados antes dos testes e retornaram à região depois do trabalho de limpeza. A Ilha Runit, porém, permaneceu sem moradores devido à contaminação existente no local.

O que está sob a tampa de concreto construída no fim da década de 1970

Durante a limpeza, equipes recolheram solo radioativo, pedaços de concreto, estruturas metálicas e outros detritos contaminados. Parte desse material foi misturada com cimento e depositada dentro da Cratera Cactus.

O volume armazenado supera 100 mil jardas cúbicas. A construção foi concluída em 1979, quando a massa de resíduos recebeu uma cobertura formada por grandes painéis de concreto.

A tampa foi projetada para reduzir o desgaste causado pelo vento e pela água. Ela diminui a erosão da pilha de resíduos, mas não transforma a cratera em uma caixa totalmente fechada, isolada do solo e da água subterrânea.

Por que a cratera recebeu concreto em cima, mas não ganhou revestimento na base

A Cratera Cactus não possui uma camada impermeável sob os resíduos. Na prática, o material foi colocado diretamente em uma cratera nuclear aberta no terreno e depois coberto com concreto na parte superior.

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A documentação pública de junho de 2020 não apresenta uma justificativa detalhada para a ausência desse revestimento inferior. O projeto descrito priorizou a mistura dos resíduos com cimento e a instalação de uma cobertura capaz de diminuir a erosão natural.

A água subterrânea circula sob a estrutura e sofre influência das marés. Isso significa que o acompanhamento não pode se limitar às rachaduras visíveis no concreto, pois também precisa observar a qualidade da água dentro e ao redor da cratera.

Avanço do mar amplia dúvidas sobre erosão, ondas e água subterrânea

A elevação do nível do mar preocupa moradores e autoridades das Ilhas Marshall porque as ilhas são baixas e ficam expostas a ondas fortes e alagamentos. Na Runit Dome, o efeito mais direto pode vir do avanço das ondas sobre a estrutura e das mudanças no movimento da água subterrânea.

U.S. Department of Energy, órgão federal de energia dos Estados Unidos, declarou em junho de 2020 que a cúpula não apresentava perigo imediato de colapso. As inspeções encontraram rachaduras e partes desgastadas, mas a cobertura ainda cumpria sua função de reduzir a erosão.

O órgão também registrou que os dados disponíveis não mostravam impacto ambiental negativo mensurável causado pelos resíduos da cúpula naquele momento. Essa posição não elimina a necessidade de estudos contínuos, principalmente porque o comportamento futuro depende das marés, das tempestades e da elevação do mar.

A Runit Dome continua cobrindo mais de 100 mil jardas cúbicas de material radioativo dentro de uma cratera sem revestimento inferior.
Reprodução/ IA

A GAO, órgão de auditoria do Congresso dos Estados Unidos, publicou em 31 de janeiro de 2024 que autoridades locais continuavam preocupadas com os locais contaminados e com os efeitos do avanço do mar. O órgão também identificou dificuldades na comunicação das avaliações de risco à população.

Governo dos Estados Unidos e Ilhas Marshall dividem tarefas e responsabilidades

Um acordo estabelecido após a independência das Ilhas Marshall transferiu ao governo local o controle sobre o uso das áreas afetadas pelos testes nucleares. Mais tarde, novas regras atribuíram ao governo dos Estados Unidos tarefas periódicas de inspeção da cobertura e análise da água subterrânea.

Essa divisão cria uma situação difícil para os moradores. O território está sob administração das Ilhas Marshall, enquanto o monitoramento técnico de uma estrutura criada para receber resíduos do programa nuclear norte americano permanece ligado aos Estados Unidos.

A discussão envolve mais do que a condição do concreto. Ela inclui confiança pública, acesso aos dados, proteção da água, segurança dos alimentos e responsabilidade pelo legado nuclear deixado no atol de Enewetak.

A Runit Dome continua cobrindo mais de 100 mil jardas cúbicas de material radioativo dentro de uma cratera sem revestimento inferior. A estrutura reduz a erosão, mas não oferece isolamento completo entre os resíduos, o terreno e a água que circula sob o local.

O círculo de concreto permanece como uma marca visível dos testes nucleares realizados no Pacífico. As avaliações oficiais afastam um colapso imediato, enquanto moradores das Ilhas Marshall cobram monitoramento duradouro, comunicação clara e respostas sobre os efeitos do avanço do mar.

Uma tampa que reduz a erosão, mas não isola completamente os resíduos, pode ser considerada suficiente diante do avanço do mar, ou os Estados Unidos deveriam assumir uma solução mais ampla?

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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