Com cabine simples e dupla, a Tukan usará uma derivação da arquitetura MQB A0 adaptada ao transporte de carga e terá eixo traseiro rígido com feixe de molas. A Volkswagen ainda não divulgou potência, torque, carga útil exata, volume da caçamba ou preços.
A Volkswagen prepara a Tukan para disputar diretamente o segmento dominado pela Fiat Strada, combinando versões de trabalho com configurações mais sofisticadas para uso misto, enquanto a produção ficará concentrada em São José dos Pinhais, no Paraná, na mesma fábrica responsável pelo T-Cross.
A montadora já confirmou cabine simples e cabine dupla, plataforma MQB e suspensão traseira com feixe de molas. Também afirma que o modelo terá a maior capacidade de carga da categoria, embora o valor oficial em quilos e o volume definitivo da caçamba ainda não tenham sido divulgados.
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Os detalhes mecânicos mais importantes foram antecipados em reportagem do UOL, que apurou uma versão Robust com motor 1.6 aspirado flex e câmbio manual de seis marchas, combinação voltada principalmente ao uso profissional e à busca por uma configuração mecanicamente mais simples.
Nas configurações superiores, a proposta muda com a adoção de um motor 1.0 turbo flex associado a sistema híbrido leve de 48 V. Nesse arranjo, o conjunto elétrico auxilia o motor a combustão em determinadas situações, sem exigir recarga externa como ocorre em um híbrido plug-in.
O mesmo levantamento aponta para um câmbio automático de oito marchas nessas versões, solução que amplia o número de relações diante das caixas automáticas de seis velocidades comuns em veículos compactos e permite distribuir melhor as rotações entre aceleração, retomadas e deslocamentos rodoviários.
A potência e o torque finais do 1.0 turbo eletrificado ainda não foram anunciados pela Volkswagen. A calibração deverá considerar não apenas desempenho e consumo, mas também o peso da picape, a capacidade de transporte e a atuação do sistema elétrico de 48 V.
Plataforma adaptada para transportar carga
A Tukan será a primeira picape da Volkswagen baseada na arquitetura MQB A0, usada por modelos como Polo, Virtus, Nivus, Tera e T-Cross, mas o projeto recebeu adaptações específicas para transformar essa base de automóvel em uma estrutura adequada à caçamba e ao transporte de peso.
Na traseira, a marca adotou eixo rígido e feixe de molas, solução associada a aplicações que exigem maior resistência sob carga. A escolha reforça o objetivo de preservar capacidade de trabalho sem abandonar a dirigibilidade esperada de um veículo derivado de uma arquitetura de automóvel.
A divisão entre cabine simples e dupla também separa funções dentro da linha: a primeira será direcionada principalmente ao trabalho, enquanto a segunda amplia o alcance para consumidores que usam a caminhonete no dia a dia, em viagens, no lazer ou como veículo familiar.
A página oficial da Volkswagen sobre a Tukan destaca essa diferença de proposta e apresenta a cabine simples com foco em eficiência de carga, mas a empresa ainda não publicou a ficha técnica completa das versões que chegarão ao mercado brasileiro.
A versão Robust deve concentrar o conjunto aspirado com transmissão manual, enquanto a Extreme será posicionada como alternativa mais equipada, reunindo cabine dupla, transmissão automática e eletrificação entre os principais diferenciais previstos para uma faixa de consumidores menos concentrada no uso exclusivamente profissional.
Porte coloca a Tukan entre compactas e picapes maiores
Outro elemento importante será o tamanho. As informações publicadas pelo UOL apontam comprimento entre aproximadamente 4,65 e 4,70 metros, medida que deixa a Tukan maior que a Strada e próxima da Chevrolet Montana, mas ainda abaixo da Fiat Toro.
Esse porte coloca o projeto em uma faixa intermediária, com dimensões superiores às de uma picape compacta tradicional, mas sem avançar até o tamanho de modelos maiores, preservando atributos necessários para clientes que dependem da caçamba no trabalho.
A Tukan também deverá ter tração dianteira, sem configuração 4×4 prevista até agora, característica que a aproxima de Strada, Montana e Renault Oroch e reforça um posicionamento mais ligado ao uso urbano, rodoviário e comercial do que ao fora de estrada severo.
Por dentro, o parentesco com outros modelos MQB A0 deve continuar visível. A apuração do UOL indica referências de T-Cross e Nivus, com painel digital e central multimídia VW Play nas versões mais equipadas, embora acabamentos próprios devam diferenciar a caminhonete.
A fábrica de São José dos Pinhais já monta o T-Cross e receberá a Tukan como mais um produto desenvolvido para a região, enquanto a Volkswagen afirma que a picape foi projetada no Brasil com atenção aos mercados local e latino-americano.
A estreia comercial está prevista para 2027, com expectativa de chegada no primeiro trimestre. Até lá, a fabricante ainda deverá divulgar preços, potência, torque, capacidade exata de carga e volume da caçamba, dados necessários para comparar objetivamente a nova picape com as rivais.
A apresentação sem camuflagem ocorreu durante a Festa do Peão de Barretos, quando a Volkswagen mostrou carrocerias de cabine simples e dupla, mas preservou parte da ficha técnica para mais perto da chegada às lojas e manteve em aberto os números definitivos de carga útil.
A Volkswagen pretende ampliar sua presença em uma faixa na qual a Saveiro atua há décadas sem apresentar, por enquanto, a Tukan como substituta imediata da veterana, o que permite às duas picapes ocupar propostas distintas dentro da linha nacional da marca.

