Espanha apura suspeita de fuga do vírus da peste suína em laboratórios após mortes de javalis perto de Barcelona
As autoridades da Catalunha anunciaram que cinco laboratórios serão investigados após a suspeita de que o vírus da peste suína possa ter escapado de uma instalação científica na região.
O caso envolve 13 javalis encontrados mortos perto de Barcelona, identificados com a doença, descoberta nesta sexta-feira (06/12).
A investigação ocorre na única área da Espanha atualmente afetada, mobilizando órgãos de saúde, autoridades políticas e o setor produtivo.
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A medida foi tomada porque, segundo o governo regional, há indícios de que o foco pode ter relação com atividades científicas realizadas a poucos quilômetros das zonas de risco.
A ação foi motivada pelo receio de contaminação em uma região que abriga dezenas de fazendas de suínos e que representa parte importante da cadeia de produção da carne no país.
Assim, o governo catalão intensificou controles e determinou a revisão imediata de todos os protocolos em instalações que lidam com o vírus.
Catalunha investiga cinco laboratórios por suspeita de fuga do vírus
O anúncio foi feito por Salvador Illa, presidente regional da Catalunha, que explicou a extensão da investigação.
“Foi solicitada uma auditoria de todas as instalações, de todos os centros que, na zona de risco de 20 quilômetros, estão trabalhando com o vírus da peste suína africana”, declarou Illa em coletiva de imprensa.
Segundo o dirigente, “são poucos centros, não mais do que cinco”, ressaltando que o primeiro laboratório já está sendo analisado desde a última sexta-feira.
A suspeita ganhou força após o Ministério da Agricultura da Espanha receber o relatório do laboratório de referência da União Europeia.
O documento apresentou o sequenciamento genético do vírus encontrado nos animais mortos e levantou dúvidas sobre a origem do surto.
Genoma aponta possível origem laboratorial
O Ministério da Agricultura afirmou que o grupo genético detectado não corresponde às cepas atualmente presentes na dezena de países europeus que enfrentam a peste suína.
O vírus identificado está ligado à cepa “Georgia 2007”, comumente utilizada em experimentos científicos conduzidos em laboratórios.
Esse dado reforçou a linha de investigação sobre uma possível fuga acidental, embora nenhuma conclusão tenha sido oficialmente divulgada até o momento.
A peste suína africana é uma doença hemorrágica altamente letal para suínos e javalis, mas não oferece risco à saúde humana.
Mesmo assim, surtos podem gerar forte impacto econômico, especialmente para países que dependem da produção e exportação de carne.
Fazendas seguem sob vigilância, mas suínos estão saudáveis
Apesar da preocupação inicial, o governo catalão informou que os 80 mil suínos das 55 fazendas dentro da área de risco estão saudáveis.
Segundo Illa, eles “podem ser disponibilizados para consumo humano seguindo os protocolos”, garantindo segurança sanitária e abastecimento interno.
Ele destacou ainda que a liberação ao mercado espanhol será feita “de forma progressiva”, em alinhamento com as diretrizes de controle epidemiológico.
A detecção do vírus exclusivamente em javalis mortos, até agora, é considerada um elemento tranquilizador para o setor, mas as autoridades afirmam que a vigilância será mantida em alto nível.
Primeiro foco da peste suína na Espanha desde 1994
O episódio marca o retorno da doença ao território espanhol após mais de duas décadas. O último registro havia ocorrido em 1994, o que reforça a gravidade do caso atual e a necessidade de respostas rápidas.
Por enquanto, o foco permanece restrito aos javalis encontrados próximos a Barcelona. Entretanto, como o vírus possui elevada taxa de mortalidade em suínos, qualquer avanço para rebanhos comerciais poderia gerar perdas milionárias.

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