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Espanha instala duas tubulações gigantes a 2,2 km da costa para sugar água do Mediterrâneo e alimentar uma megacentral capaz de produzir 200 milhões de litros de água potável por dia

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 23/05/2026 às 16:51
Atualizado em 23/05/2026 às 16:53
Espanha usa torres submarinas no Mediterrâneo para abastecer megacentral que produz até 200 milhões de litros de água potável.
Espanha usa torres submarinas no Mediterrâneo para abastecer megacentral que produz até 200 milhões de litros de água potável.
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Torres submersas, tubulações no Mediterrâneo e uma central em El Prat de Llobregat formam uma das principais estruturas de dessalinização da Espanha, criada para reforçar o abastecimento de Barcelona em meio à pressão sobre reservatórios, rios e aquíferos.

Instaladas no fundo do Mediterrâneo, duas torres captam água do mar a 2,2 quilômetros da costa de Barcelona e abastecem a dessalinizadora do Llobregat, unidade capaz de produzir até 200 milhões de litros de água potável por dia em El Prat de Llobregat, na região metropolitana da capital catalã.

Criada para ampliar a segurança hídrica local, a estrutura integra o sistema público Ter-Llobregat e atende uma área marcada por forte concentração urbana, alta demanda de consumo e pressão recorrente sobre rios, reservatórios e aquíferos.

Como a água do Mediterrâneo chega à dessalinizadora

Longe da faixa de areia, a captação ocorre em uma área submersa onde duas torres retiram água marinha a 30 metros de profundidade, reduzindo a exposição do sistema a interferências comuns nas zonas mais próximas da costa.

Após a entrada nas estruturas submarinas, a água percorre duas conduções de 2,2 quilômetros até uma estação de bombeamento situada na praia, responsável por impulsionar o volume captado em direção à planta industrial instalada perto da foz do rio Llobregat.

Dali, uma tubulação terrestre de cerca de 3 quilômetros segue paralela ao mar, passa sob o rio Llobregat e conduz a água bruta até a unidade de tratamento, conforme descreve a ATL, empresa pública do sistema Ter-Llobregat.

Entre o fundo do Mediterrâneo e a rede urbana, esse corredor técnico mostra por que a obra vai além da imagem visível de uma central em terra firme, já que parte essencial da infraestrutura permanece escondida sob o mar e sob o solo.

Capacidade equivale a 200 milhões de litros por dia

Dessalinizadora do Llobregat capta água do Mediterrâneo por tubulações submarinas para abastecer Barcelona. (Imagem: Generalitat de Catalunya)
Dessalinizadora do Llobregat capta água do Mediterrâneo por tubulações submarinas para abastecer Barcelona. (Imagem: Generalitat de Catalunya)

Na capacidade máxima diária, a instalação produz 200 mil metros cúbicos de água dessalinizada, volume equivalente a 200 milhões de litros, pois cada metro cúbico corresponde a mil litros dentro dessa conversão usada no abastecimento.

Ao longo de um ano, a planta pode acrescentar até 60 hectômetros cúbicos ao sistema público, número adotado pela Agência Catalã da Água e pela ATL como referência operacional da dessalinizadora do Llobregat.

Esse volume, porém, não sai do mar pronto para consumo, porque a água captada precisa passar por bombeamento, pré-tratamento, filtração, osmose reversa, remineralização e controles finais de qualidade antes de seguir para distribuição.

Na etapa industrial, a água salgada percorre uma sequência rigorosa para remover partículas, proteger equipamentos e separar sais dissolvidos, até alcançar as condições necessárias para ser incorporada ao sistema que abastece Barcelona e municípios próximos.

Osmose reversa transforma água salgada em potável

No centro da operação está a osmose reversa, tecnologia em que a água atravessa membranas capazes de reter grande parte dos sais e de outros componentes presentes naturalmente na água marinha.

Antes dessa fase, o volume captado recebe tratamentos preliminares para reduzir impurezas e materiais em suspensão, já que partículas acumuladas poderiam prejudicar o desempenho do sistema e elevar a necessidade de manutenção dos equipamentos.

Com a separação concluída, a operação gera duas correntes: uma de água dessalinizada, encaminhada para ajustes finais, e outra de salmoura, rejeito com maior concentração de sais que exige infraestrutura própria para descarte controlado.

Técnicos fazem manutenção em módulos da dessalinizadora do Llobregat, peça-chave contra a seca em Barcelona. (Imagem: Bloomberg)
Técnicos fazem manutenção em módulos da dessalinizadora do Llobregat, peça-chave contra a seca em Barcelona. (Imagem: Bloomberg)

A eficiência do processo depende da pressão aplicada, da qualidade do pré-tratamento e do estado das membranas, fatores que tornam a dessalinização uma solução tecnológica complexa, mesmo quando o resultado aparece ao consumidor apenas como água na torneira.

Barcelona reforça abastecimento com água do mar

Para Barcelona e municípios vizinhos, a dessalinizadora do Llobregat tem função estratégica porque reduz a dependência exclusiva de rios, reservatórios e aquíferos, sobretudo em períodos de estiagem ou de aumento da demanda urbana.

Em regiões mediterrâneas, estruturas desse tipo ganharam relevância pela combinação entre consumo elevado e oferta irregular de água doce, cenário que leva governos a diversificar fontes sem abandonar políticas de gestão, economia e controle de perdas.

A região metropolitana concentra população, serviços, atividades econômicas e fluxo turístico, fatores que ampliam a necessidade de sistemas capazes de manter o fornecimento mesmo quando os mananciais tradicionais enfrentam momentos críticos.

Nesse contexto, a água do mar funciona como fonte complementar, sem eliminar a necessidade de preservar rios, reduzir perdas na rede ou incentivar uso racional, mas ampliando a margem de resposta do sistema público em situações de escassez.

Estruturas submersas sustentam a megacentral

Pela escala da instalação, a produção de água potável depende de torres submarinas, longas tubulações, estação de bombeamento, sistemas de filtragem, membranas e reservatórios internos, elementos distribuídos entre o mar, a praia e a planta.

Embora a unidade industrial concentre as etapas finais do tratamento, o processo começa a quilômetros da costa, em uma área onde a engenharia precisa operar continuamente sob condições marinhas, com controle de vazão e manutenção especializada.

Essa característica diferencia a dessalinização de outras formas de abastecimento, pois a fonte de água é volumosa, mas exige energia, tecnologia, licenciamento ambiental e integração com uma rede capaz de distribuir o produto tratado às cidades atendidas.

No Llobregat, a captação a 30 metros de profundidade e a 2,2 quilômetros da praia mostra como o abastecimento urbano passou a depender também de obras invisíveis para a maior parte da população.

Sistema de osmose reversa da dessalinizadora do Llobregat transforma água do Mediterrâneo em água potável. (Imagem: ATL)
Sistema de osmose reversa da dessalinizadora do Llobregat transforma água do Mediterrâneo em água potável. (Imagem: ATL)

Por que a obra chama atenção fora da Espanha

Ao reunir Mediterrâneo, tubulações submarinas e produção de centenas de milhões de litros por dia, a dessalinizadora do Llobregat se tornou um exemplo de infraestrutura hídrica de grande escala em uma região densamente povoada.

Com números fáceis de dimensionar, o projeto transforma a água salgada em uma fonte regular para o sistema público e conecta ambiente marinho, tecnologia industrial e abastecimento urbano em uma mesma operação.

Ainda assim, a dessalinização não substitui o planejamento hídrico amplo, pois seu uso precisa conviver com conservação de mananciais, controle de perdas, reaproveitamento de água e gestão de demanda, sobretudo em áreas vulneráveis a secas prolongadas.

Sob o litoral catalão, torres submersas e tubulações gigantes revelam que a água consumida em grandes cidades costeiras pode percorrer um caminho mais complexo do que parece, começando no fundo do mar antes de chegar às redes urbanas de distribuição.

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Claudio Vaz
Claudio Vaz
25/05/2026 21:03

O Brasil já passou da hora de seguir esses exemplos de coleta de agua do mar e parar de cobrar bandeiras vermelha na conta de luz, alegando estiagem,

Socrates mattosinho
Socrates mattosinho
24/05/2026 15:40

Aqui no Brasil só os políticos levariam 30% do custo como propina, pois só tem **** no executivo na câmara e no senado…há e ainda tem o STF…

Jairo
Jairo
Em resposta a  Socrates mattosinho
25/05/2026 09:26

Ou seria desviado pra bancar filme e família de político v@g@bund0 que nunca trabalhou na vida

Última edição em 20 dias atrás por Jairo
verdakem
verdakem
Em resposta a  Jairo
25/05/2026 22:14

Ta falando fo pinga? Ta certo.

Ronaldo
Ronaldo
24/05/2026 09:38

Privatizar que fica ainda melhor! Igual a sabesp.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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