Torres submersas, tubulações no Mediterrâneo e uma central em El Prat de Llobregat formam uma das principais estruturas de dessalinização da Espanha, criada para reforçar o abastecimento de Barcelona em meio à pressão sobre reservatórios, rios e aquíferos.
Instaladas no fundo do Mediterrâneo, duas torres captam água do mar a 2,2 quilômetros da costa de Barcelona e abastecem a dessalinizadora do Llobregat, unidade capaz de produzir até 200 milhões de litros de água potável por dia em El Prat de Llobregat, na região metropolitana da capital catalã.
Criada para ampliar a segurança hídrica local, a estrutura integra o sistema público Ter-Llobregat e atende uma área marcada por forte concentração urbana, alta demanda de consumo e pressão recorrente sobre rios, reservatórios e aquíferos.
Como a água do Mediterrâneo chega à dessalinizadora
Longe da faixa de areia, a captação ocorre em uma área submersa onde duas torres retiram água marinha a 30 metros de profundidade, reduzindo a exposição do sistema a interferências comuns nas zonas mais próximas da costa.
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Após a entrada nas estruturas submarinas, a água percorre duas conduções de 2,2 quilômetros até uma estação de bombeamento situada na praia, responsável por impulsionar o volume captado em direção à planta industrial instalada perto da foz do rio Llobregat.
Dali, uma tubulação terrestre de cerca de 3 quilômetros segue paralela ao mar, passa sob o rio Llobregat e conduz a água bruta até a unidade de tratamento, conforme descreve a ATL, empresa pública do sistema Ter-Llobregat.
Entre o fundo do Mediterrâneo e a rede urbana, esse corredor técnico mostra por que a obra vai além da imagem visível de uma central em terra firme, já que parte essencial da infraestrutura permanece escondida sob o mar e sob o solo.
Capacidade equivale a 200 milhões de litros por dia

Na capacidade máxima diária, a instalação produz 200 mil metros cúbicos de água dessalinizada, volume equivalente a 200 milhões de litros, pois cada metro cúbico corresponde a mil litros dentro dessa conversão usada no abastecimento.
Ao longo de um ano, a planta pode acrescentar até 60 hectômetros cúbicos ao sistema público, número adotado pela Agência Catalã da Água e pela ATL como referência operacional da dessalinizadora do Llobregat.
Esse volume, porém, não sai do mar pronto para consumo, porque a água captada precisa passar por bombeamento, pré-tratamento, filtração, osmose reversa, remineralização e controles finais de qualidade antes de seguir para distribuição.
Na etapa industrial, a água salgada percorre uma sequência rigorosa para remover partículas, proteger equipamentos e separar sais dissolvidos, até alcançar as condições necessárias para ser incorporada ao sistema que abastece Barcelona e municípios próximos.
Osmose reversa transforma água salgada em potável
No centro da operação está a osmose reversa, tecnologia em que a água atravessa membranas capazes de reter grande parte dos sais e de outros componentes presentes naturalmente na água marinha.
Antes dessa fase, o volume captado recebe tratamentos preliminares para reduzir impurezas e materiais em suspensão, já que partículas acumuladas poderiam prejudicar o desempenho do sistema e elevar a necessidade de manutenção dos equipamentos.
Com a separação concluída, a operação gera duas correntes: uma de água dessalinizada, encaminhada para ajustes finais, e outra de salmoura, rejeito com maior concentração de sais que exige infraestrutura própria para descarte controlado.

A eficiência do processo depende da pressão aplicada, da qualidade do pré-tratamento e do estado das membranas, fatores que tornam a dessalinização uma solução tecnológica complexa, mesmo quando o resultado aparece ao consumidor apenas como água na torneira.
Barcelona reforça abastecimento com água do mar
Para Barcelona e municípios vizinhos, a dessalinizadora do Llobregat tem função estratégica porque reduz a dependência exclusiva de rios, reservatórios e aquíferos, sobretudo em períodos de estiagem ou de aumento da demanda urbana.
Em regiões mediterrâneas, estruturas desse tipo ganharam relevância pela combinação entre consumo elevado e oferta irregular de água doce, cenário que leva governos a diversificar fontes sem abandonar políticas de gestão, economia e controle de perdas.
A região metropolitana concentra população, serviços, atividades econômicas e fluxo turístico, fatores que ampliam a necessidade de sistemas capazes de manter o fornecimento mesmo quando os mananciais tradicionais enfrentam momentos críticos.
Nesse contexto, a água do mar funciona como fonte complementar, sem eliminar a necessidade de preservar rios, reduzir perdas na rede ou incentivar uso racional, mas ampliando a margem de resposta do sistema público em situações de escassez.
Estruturas submersas sustentam a megacentral
Pela escala da instalação, a produção de água potável depende de torres submarinas, longas tubulações, estação de bombeamento, sistemas de filtragem, membranas e reservatórios internos, elementos distribuídos entre o mar, a praia e a planta.
Embora a unidade industrial concentre as etapas finais do tratamento, o processo começa a quilômetros da costa, em uma área onde a engenharia precisa operar continuamente sob condições marinhas, com controle de vazão e manutenção especializada.
Essa característica diferencia a dessalinização de outras formas de abastecimento, pois a fonte de água é volumosa, mas exige energia, tecnologia, licenciamento ambiental e integração com uma rede capaz de distribuir o produto tratado às cidades atendidas.
No Llobregat, a captação a 30 metros de profundidade e a 2,2 quilômetros da praia mostra como o abastecimento urbano passou a depender também de obras invisíveis para a maior parte da população.

Por que a obra chama atenção fora da Espanha
Ao reunir Mediterrâneo, tubulações submarinas e produção de centenas de milhões de litros por dia, a dessalinizadora do Llobregat se tornou um exemplo de infraestrutura hídrica de grande escala em uma região densamente povoada.
Com números fáceis de dimensionar, o projeto transforma a água salgada em uma fonte regular para o sistema público e conecta ambiente marinho, tecnologia industrial e abastecimento urbano em uma mesma operação.
Ainda assim, a dessalinização não substitui o planejamento hídrico amplo, pois seu uso precisa conviver com conservação de mananciais, controle de perdas, reaproveitamento de água e gestão de demanda, sobretudo em áreas vulneráveis a secas prolongadas.
Sob o litoral catalão, torres submersas e tubulações gigantes revelam que a água consumida em grandes cidades costeiras pode percorrer um caminho mais complexo do que parece, começando no fundo do mar antes de chegar às redes urbanas de distribuição.

O Brasil já passou da hora de seguir esses exemplos de coleta de agua do mar e parar de cobrar bandeiras vermelha na conta de luz, alegando estiagem,
Aqui no Brasil só os políticos levariam 30% do custo como propina, pois só tem **** no executivo na câmara e no senado…há e ainda tem o STF…
Ou seria desviado pra bancar filme e família de político v@g@bund0 que nunca trabalhou na vida
Ta falando fo pinga? Ta certo.
Privatizar que fica ainda melhor! Igual a sabesp.