Na estação de tratamento de Bromsgrove, no Reino Unido, a JN Bentley usou o robô para preparar 400 pontos de referência destinados a 100 painéis pré-fabricados, encurtando etapas de levantamento, processamento e remarcação e liberando tempo do engenheiro para outras atividades da obra.
Uma etapa que normalmente exige vários dias de medições, marcações e processamento de dados pode ser concentrada no próprio canteiro com um robô que imprime as informações diretamente sobre o piso, reduzindo o tempo em que o engenheiro permanece dedicado a uma única tarefa.
Foi o que a britânica JN Bentley fez ao preparar uma laje para receber painéis de concreto em uma estação de tratamento de esgoto. O equipamento usado foi o HP SitePrint, uma máquina de três rodas que trabalha com uma estação total robótica para transferir informações digitais à superfície da obra.
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Na Bromsgrove Sewage Treatment Works, a atividade envolvia 400 pontos de referência para a instalação de 100 painéis de concreto pré-fabricado, com necessidade de verificar diferenças de nível antes da montagem, conforme documentado no estudo de caso da HP.
A necessidade de ampliar a força de trabalho ajuda a dimensionar o contexto em que soluções desse tipo chegam aos canteiros britânicos. O Construction Workforce Outlook 2026-2030, do Construction Industry Training Board (CITB) estima uma necessidade média de 41,2 mil trabalhadores adicionais por ano no Reino Unido entre 2026 e 2030.
No projeto da JN Bentley, o levantamento e a preparação das informações do piso passaram de cerca de cinco dias para aproximadamente um dia e meio, sem eliminar a participação do engenheiro, mas reduzindo o período dedicado a medições, anotações e novas marcações.
Pelo método convencional descrito pela HP, o engenheiro usava uma estação total para localizar os pontos, marcava o piso manualmente, media os níveis correspondentes e levava os dados ao escritório para processamento antes de definir as correções necessárias.
Essa análise permitia localizar a referência mais alta da superfície e calcular os ajustes para os calços colocados sob os elementos pré-fabricados. Com os resultados prontos, o profissional retornava ao local para acrescentar novas marcações que orientariam a instalação.
O que o robô mudou no processo
O HP SitePrint encurtou justamente esse caminho entre campo, escritório e retorno ao campo, porque os dados de nível foram obtidos durante o processo de marcação, processados e convertidos em informações de desvio impressas diretamente sobre a laje.
A orientação necessária para a montagem passou a ficar disponível no lugar onde seria usada. Em vez de depender de uma nova rodada de anotações e marcações, a equipe conseguia visualizar no próprio piso os dados necessários para posicionar os calços e manter os painéis nivelados.
O estudo registra que a empresa concluiu em 1,5 dia o processo de marcação e análise de nível que consumiria cerca de cinco dias pelo fluxo convencional, e a HP informa que apenas um operador participou da operação do equipamento nessa aplicação.
A comparação mostra por que esse robô ocupa um espaço diferente da automação pesada normalmente associada à construção: o SitePrint não transporta concreto nem instala painéis, mas assume parte do levantamento, do posicionamento e da transferência das informações para o ambiente físico.
Esse trabalho é especialmente relevante quando a obra utiliza componentes pré-fabricados. Como as peças chegam prontas para montagem, diferenças de nível na base podem exigir correções antes da instalação, e a posição de cada elemento precisa estar definida para evitar desvios nas etapas seguintes.
No caso de Bromsgrove, cada um dos 400 pontos fazia parte dessa preparação, e o robô concentrou em uma mesma operação atividades que antes dependiam da localização dos pontos, da medição dos níveis, do processamento das informações e de uma nova ida ao canteiro.
Automação reduz o tempo gasto na marcação
O funcionamento do robô depende de informações digitais preparadas antes da execução. A documentação da HP explica que o SitePrint utiliza um arquivo CAD bidimensional e um prisma de rastreamento integrado, enquanto a estação total robótica mede ângulos e distâncias para manter o equipamento posicionado durante a impressão.
Isso significa que a automação não transforma o serviço em uma operação sem supervisão técnica: é preciso preparar o desenho, estabelecer os pontos de controle, configurar a estação total e acompanhar a execução, enquanto a máquina assume a sequência repetitiva de deslocamentos e marcações.
Sean Clancy, engenheiro de obra citado pela HP, afirmou que um profissional poderia levar aproximadamente uma semana para executar manualmente o serviço com a mesma qualidade obtida no projeto; com o SitePrint, segundo ele, a atividade foi concluída em um dia e meio.
A redução de tempo também antecipou a etapa seguinte. O estudo registra que a JN Bentley conseguiu iniciar antes do previsto a instalação das estruturas pré-fabricadas porque deixou de depender do processamento posterior dos dados no escritório e de uma nova rodada de marcações sobre a laje.
Ao liberar horas antes consumidas por levantamento e remarcação, o equipamento permitiu que o engenheiro acompanhasse a preparação sem permanecer vários dias concentrado exclusivamente nessa tarefa, mantendo a responsabilidade técnica e direcionando parte do tempo para outras demandas do canteiro.
O resultado de Bromsgrove, porém, não representa uma produtividade garantida para qualquer obra. O ganho documentado está ligado à quantidade de pontos, à preparação do projeto e às condições daquela aplicação, fatores que podem mudar de um canteiro para outro.

