A empresa americana Agility anunciou mudança de marca e expansão do uso do robô humanoide Digit, de 1,75 m, após avanço da automação industrial diante da escassez de mão de obra, cenário marcado por mais de 400.000 vagas abertas e envelhecimento da força de trabalho no setor manufatureiro
O avanço da automação industrial ganhou novo impulso após a empresa americana Agility anunciar mudanças em sua marca e estratégia diante da crescente escassez de mão de obra. A companhia revelou a decisão por meio de vídeo e publicação oficial em seu blog.
A empresa, sediada no estado de Oregon, informou que removerá a palavra “Robótica” de seu nome e adotará uma nova identidade visual. A decisão acompanha planos de expansão da companhia para novos setores e aplicações da tecnologia humanoide.
Segundo o anúncio, a empresa pretende ampliar sua atuação enquanto continua desenvolvendo robôs humanoides. A Agility afirmou ainda que trabalha para entregar seu primeiro robô humanoide cooperativo e seguro até o ano de 2026.
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Escassez de mão de obra impulsiona mudanças estratégicas na empresa
A mudança de identidade foi apresentada junto com um novo logotipo e uma linguagem de marca atualizada. O redesign, segundo a empresa, foi inspirado diretamente no hardware e no software que ela desenvolve.
De acordo com a companhia, o novo logotipo foi criado para refletir movimento, progresso, inovação, confiabilidade e durabilidade. A alteração também sinaliza a intenção de expandir a adoção de robôs humanoides em diferentes setores industriais.
Daniel Diez, diretor de negócios da empresa, afirmou que a nova marca representa a evolução da tecnologia desenvolvida pela companhia. Segundo ele, a mudança também demonstra que a empresa está preparada para ampliar parcerias e novos usos para os humanoides.
Diez declarou que o nome Agility simboliza flexibilidade, progresso e resistência. Segundo ele, essas características são essenciais para empresas que pretendem integrar robôs humanoides em operações industriais reais.
Robô humanoide Digit surge como resposta direta à escassez de mão de obra
O robô humanoide Digit já começou a ser utilizado no mercado para enfrentar a escassez de mão de obra em ambientes industriais. O equipamento possui aproximadamente 1,75 metro de altura e foi desenvolvido para executar tarefas físicas repetitivas.
Em novembro do ano passado, o robô estabeleceu um marco operacional ao movimentar 100.000 caixas em um centro de logística da GXO. O feito demonstrou a capacidade da tecnologia em lidar com atividades de movimentação e transporte em armazéns.
Até o final de 2025, a empresa firmou uma parceria com a fintech Mercado para utilizar o Digit na execução de tarefas fisicamente exigentes em sua rede de distribuição. A iniciativa integra o plano de expansão da companhia para novos segmentos logísticos.
No início de fevereiro, a montadora Toyota também passou a utilizar o robô humanoide Digit em seus armazéns. A empresa se juntou a outras companhias da lista Fortune 500, incluindo Amazon e Schaeffler, que já adotaram a tecnologia.
Falta de trabalhadores para tarefas repetitivas preocupa fabricantes
Segundo Daniel Diez, fabricantes de diferentes partes do mundo enfrentam dificuldades para encontrar trabalhadores para atividades repetitivas. O executivo afirmou que o problema ocorre especialmente em tarefas físicas altamente repetitivas.
Em conversa com o Business Insider, Diez declarou que muitas empresas simplesmente não conseguem encontrar pessoas para executar esse tipo de trabalho. A situação tem levado fabricantes a buscar alternativas tecnológicas para manter suas operações.
Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos indicam que, em dezembro de 2025, havia mais de 400.000 vagas de emprego em aberto no país. A situação reflete a crescente escassez de mão de obra no setor industrial.
Uma pesquisa realizada em 200 empresas em 2024 também apontou a retenção de talentos como uma preocupação relevante para a indústria manufatureira. O problema contribui para ampliar a dificuldade das empresas em manter trabalhadores qualificados.
Envelhecimento da força de trabalho amplia pressão sobre o setor
Outro fator que contribui para a escassez de mão de obra é o envelhecimento da força de trabalho no setor manufatureiro. Dados da Pesquisa Populacional Atual do Departamento de Estatísticas do Trabalho indicam que mais de 25% dos trabalhadores têm 55 anos ou mais.
Esse grupo está próximo da aposentadoria, o que tende a reduzir ainda mais a disponibilidade de trabalhadores no setor nos próximos anos. O cenário reforça a necessidade de novas soluções para manter a produção industrial.
Segundo Diez, iniciativas voltadas para trazer a produção de volta aos Estados Unidos também devem aumentar a demanda por trabalhadores. Ele afirmou que a relocalização industrial exigirá uma combinação entre trabalho humano e automação tecnológica.
De acordo com o executivo, a produção doméstica só será viável com a integração entre pessoas e robôs. Nesse contexto, a expansão do robô humanoide Digit em ambientes industriais reais passa a ser um elemento central na estratégia da empresa.
A trajetória de longo prazo da Agility, segundo o executivo, dependerá da capacidade de ampliar a utilização do Digit em diferentes setores. O objetivo é responder diretamente aos desafios gerados pela escassez de mão de obra na indústria global.

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