União Europeia reduziu em € 4,5 bilhões suas importações agroalimentares entre janeiro e julho, mas as compras vindas do Brasil cresceram € 528 milhões, alta de 5%, puxadas por maior volume de soja em 2026.
A União Europeia comprou € 528 milhões a mais em produtos agroalimentares do Brasil entre janeiro e julho de 2026, avanço de 5% em relação ao mesmo período de 2025. O aumento veio principalmente de maiores volumes de soja e ocorreu justamente quando o bloco europeu reduziu suas importações agroalimentares totais em € 4,5 bilhões.
O contraste coloca o Brasil entre os fornecedores que ganharam espaço em um mercado europeu mais retraído. As compras agroalimentares externas da União Europeia somaram € 108,6 bilhões nos sete primeiros meses do ano, queda anual de 4%.
Brasil avança € 528 milhões enquanto compras externas da UE caem € 4,5 bilhões
Os dados foram divulgados pela Direção-Geral da Agricultura e do Desenvolvimento Rural da Comissão Europeia. O relatório mostra que o valor acumulado das importações agroalimentares do bloco recuou € 4,5 bilhões na comparação anual.
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As compras originadas no Brasil seguiram direção oposta: cresceram € 528 milhões, alta de 5%. A Comissão Europeia atribui esse avanço principalmente ao aumento dos volumes de soja.
No balanço do primeiro semestre, divulgado em agosto, o crescimento acumulado das importações provenientes do Brasil estava em € 425 milhões, também equivalente a 5%. A atualização até julho acrescentou € 103 milhões ao ganho acumulado.
Soja puxa o crescimento brasileiro no mercado europeu
O maior volume de soja aparece como o principal fator por trás do avanço brasileiro. Esse movimento acompanha o desempenho do complexo soja nas exportações nacionais em 2026.
Dados do Instituto de Economia Agrícola de São Paulo mostram que o complexo soja respondeu por 40,7% das exportações dos principais grupos do agronegócio brasileiro analisados pelo órgão entre janeiro e julho.
No período, as vendas externas do complexo soja cresceram 16,8% em valor e 8,5% em volume. A soja em grão avançou 15,3% em receita e 7,5% em quantidade exportada.
A União Europeia respondeu por 12,2% das compras do complexo soja brasileiro em valor, ocupando a segunda posição entre os destinos destacados pelo levantamento. A China liderou com 57,9%.
Brasil cresce enquanto fornecedores ligados ao cacau perdem receita
O relatório europeu mostra movimentos bem diferentes entre os principais fornecedores do bloco. As importações vindas da Costa do Marfim caíram € 1,2 bilhão, recuo de 21%, enquanto Camarões e Nigéria registraram quedas de 46%.

A Comissão Europeia relaciona essas perdas à queda dos preços do cacau, que chegaram a cerca de metade do pico observado na primavera europeia de 2025.
A Argentina também ampliou sua presença. As importações agroalimentares argentinas cresceram € 240 milhões, alta de 8%, puxadas principalmente pelas sementes de girassol.
UE importou € 108,6 bilhões em produtos agroalimentares até julho
Entre janeiro e julho de 2026, as importações agroalimentares acumuladas da União Europeia chegaram a € 108,6 bilhões, valor 4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
Algumas categorias tiveram recuos expressivos. As compras de café, chá, cacau e especiarias diminuíram € 4,8 bilhões, queda de 19%. As importações de cereais caíram € 609 milhões, recuo de 11%, e as de produtos lácteos diminuíram € 308 milhões, também 19%.
Frutas e frutos de casca rija seguiram a direção contrária, com aumento de € 587 milhões, alta de 3%. Produtos para uso técnico, margarina e outros óleos e gorduras também registraram crescimento.
Superávit agroalimentar europeu sobe para € 30,1 bilhões
A redução das importações ajudou a ampliar o saldo positivo do comércio agroalimentar europeu. O superávit acumulado chegou a € 30,1 bilhões nos sete primeiros meses de 2026, aumento de € 2,9 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior.
As exportações agroalimentares da União Europeia somaram € 138,7 bilhões entre janeiro e julho, queda de € 1,6 bilhão, ou 1%, na comparação anual.
Como o recuo das importações foi mais forte que o das exportações, o saldo comercial do setor aumentou.
Egito, Ucrânia e Turquia ampliam compras de produtos europeus
Do lado das exportações, o Egito aumentou suas compras agroalimentares da União Europeia em € 251 milhões, alta de 22%, puxada principalmente pelo trigo.
As vendas para a Ucrânia cresceram € 239 milhões, avanço de 10%, enquanto as destinadas à Turquia subiram € 235 milhões, alta de 7%.
Entre as categorias, outros produtos de origem animal registraram crescimento de € 549 milhões, ou 11%. Bebidas espirituosas e licores avançaram € 470 milhões, alta de 10%.
Já as exportações europeias de café, chá, cacau e especiarias recuaram € 1,3 bilhão, queda de 16%. Carne suína, azeitonas e azeite também registraram perdas relevantes.
Óleo e farelo reforçam o desempenho do complexo soja brasileiro
O avanço brasileiro não ficou restrito à soja em grão. Segundo o Instituto de Economia Agrícola, as exportações de óleo de soja aumentaram 64,7% em receita e 44,7% em volume entre janeiro e julho de 2026.
O farelo de soja também cresceu, com altas de 16,5% em valor e 12,1% em quantidade exportada.

Esse desempenho amplia o peso do complexo soja no comércio exterior do agronegócio e ajuda a explicar a força do produto brasileiro em mercados como o europeu.
Alta de 5% coloca Brasil na contramão da retração das importações europeias
O principal sinal do relatório está no contraste entre as duas curvas: as importações agroalimentares totais da União Europeia caíram 4%, enquanto as provenientes do Brasil cresceram 5%.
O maior volume de soja foi o fator destacado pela Comissão Europeia para esse avanço. Os próximos relatórios mensais mostrarão se a tendência continuará no segundo semestre e se outros produtos brasileiros também ampliarão participação.
Para o agronegócio brasileiro, o mercado europeu segue relevante tanto pelo volume quanto pela diversificação dos destinos da soja. Compartilhe esta matéria com quem acompanha exportações, soja e comércio internacional do agro.
