Estados Unidos recusaram participação chinesa na disputa aberta pelo Brasil contra tarifas americanas e contestaram alegação de interesse comercial substancial apresentada por Pequim.
Os Estados Unidos rejeitaram o pedido da China para participar das consultas com o Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros. A decisão foi registrada em documento enviado pela delegação americana à organização na terça-feira, 22 de setembro de 2026.
O governo americano sustentou que a disputa apresentada pelo Brasil não envolve atos, políticas ou práticas adotadas pela China. Washington também afirmou que a reclamação brasileira não trata de tarifas aplicadas a produtos de origem chinesa. Com esse argumento, os Estados Unidos recusaram a alegação de Pequim de possuir “interesse comercial substancial” no caso.
A decisão antecede uma etapa importante da controvérsia. Brasil e Estados Unidos têm consultas marcadas para sexta-feira, 25 de setembro, em Genebra, na Suíça, quando os dois países poderão buscar uma solução negociada para o impasse dentro do sistema da OMC.
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A busca frenética pelo domínio tecnológico do planeta – por consequência, econômico e militar – acirrou a disputa pelas chamadas ‘terras raras’, por parte das superpotências Estados Unidos e China, o que coloca o Brasil, detentor da segunda maior reserva mundial, no epicentro da sanha internacional.
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Nem mesmo o fim da ‘montanha russa’ descrita pelo preço do petróleo tipo Brent (principal referência global) – que saltou de uma cotação de US$ 72 para US$ 120, até baixar ao patamar de US$ 76 o barril – devido ao acordo de paz recente firmado entre os EUA e o Irã, foi suficiente para aliviar a economia brasileira de pressões inflacionárias.
China pediu para participar da disputa entre Brasil e Estados Unidos na OMC em agosto
A tentativa chinesa de entrar nas consultas ocorreu em 6 de agosto de 2026. Na ocasião, Pequim argumentou que uma das medidas questionadas pelo Brasil também afetava produtos chineses e, por esse motivo, solicitou participação formal na discussão.
O pedido foi apresentado com base no artigo 4.11 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias da OMC, mecanismo que permite a participação de um terceiro país durante as consultas quando existe interesse comercial substancial na questão discutida.
A regra, porém, estabelece uma condição para essa participação. O país contra o qual a disputa foi aberta precisa concordar que o interesse apresentado pelo terceiro participante está devidamente fundamentado. Os Estados Unidos entenderam que a justificativa chinesa não atendia a esse requisito e recusaram o pedido.
Estados Unidos afirmam que tarifas questionadas pelo Brasil não envolvem produtos chineses
O principal argumento americano está relacionado ao alcance da reclamação brasileira. Segundo a delegação dos Estados Unidos, o processo apresentado pelo Brasil não questiona medidas direcionadas à China nem políticas relacionadas diretamente ao comércio chinês.
Pequim apresentou uma interpretação diferente ao solicitar participação nas consultas. O governo chinês argumentou que uma das medidas contestadas pelo Brasil também atingia produtos provenientes da China, o que justificaria seu interesse comercial na discussão.
A divergência sobre esse ponto determinou a resposta americana. Para Washington, a China não demonstrou interesse comercial substancial suficiente para participar dessa fase específica da disputa entre Brasil e Estados Unidos.
Brasil levou tarifaço dos Estados Unidos à OMC para formalizar contestação e manter negociação aberta
A decisão brasileira de recorrer à Organização Mundial do Comércio possui importância institucional dentro da disputa. Ao levar o caso à organização, o Brasil formaliza sua contestação às tarifas americanas e registra sua posição dentro do sistema internacional de comércio.
O procedimento também preserva uma via oficial de negociação com os Estados Unidos. Mesmo diante das limitações atuais da OMC para garantir que determinadas decisões sejam cumpridas, o mecanismo permite que os países discutam formalmente a controvérsia seguindo as regras multilaterais de comércio.
O movimento brasileiro possui, portanto, um componente institucional e simbólico relevante. A iniciativa mantém o conflito tarifário dentro de um mecanismo internacional estabelecido e abre espaço para que Brasília e Washington tentem alcançar um entendimento antes de outras etapas do processo.
Brasil e Estados Unidos terão consultas em Genebra antes de possível abertura de painel na OMC
O próximo movimento está previsto para sexta-feira, 25 de setembro de 2026, quando representantes de Brasil e Estados Unidos deverão participar das consultas em Genebra, na Suíça. Essa é a primeira etapa prevista no processo de solução de controvérsias da OMC.
As consultas têm como objetivo permitir que os dois países negociem diretamente uma possível saída para o impasse. A discussão ocorre depois da negativa americana ao pedido chinês e mantém Brasil e Estados Unidos como os participantes centrais dessa fase da controvérsia.
Se as negociações terminarem sem acordo, o Brasil poderá solicitar a abertura de um painel para analisar a disputa. Nesse cenário, a contestação brasileira às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump avançará para uma nova etapa dentro da Organização Mundial do Comércio.
Fontes: Organização Mundial do Comércio (OMC); documentos apresentados pelas delegações de Brasil, Estados Unidos e China no processo de solução de controvérsias.
