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Enquanto outros cafés escapam do tarifaço americano, o café solúvel brasileiro fica de fora, acende alerta no setor e pode ficar até 37,5% mais caro nos Estados Unidos

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 19/06/2026 às 01:25
Atualizado em 19/06/2026 às 01:27
Café solúvel em pote de vidro com colher, representando o produto brasileiro afetado por possível tarifa nos Estados Unidos.
Café solúvel brasileiro ganha destaque em debate tarifário nos Estados Unidos, após ficar fora da lista de isenções.
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Produto brasileiro ficou fora da lista de isenções dos EUA, apesar de cafés em grão, torrado, moído e solúvel aromatizado terem sido beneficiados.

A indústria brasileira de café solúvel entrou em alerta após o produto ficar fora da lista de isenções das novas tarifas propostas pelos Estados Unidos.

A decisão chama atenção porque outros tipos de café foram poupados, incluindo café em grão, torrado, moído e até o café solúvel aromatizado.

A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) vai participar de uma audiência pública em Washington, marcada para 6 de julho, para tentar reverter a medida.

Segundo a entidade, a exclusão pode ter ocorrido por uma falha técnica na classificação dos códigos tarifários.

O setor também prepara uma manifestação por escrito, que será entregue às autoridades americanas até 1º de julho.

Exclusão do café solúvel gera reação no setor brasileiro

O diretor-executivo da Abics, Aguinaldo Lima, afirma que a entidade vê falta de lógica na decisão americana.

Segundo ele, a lista de isenções incluiu diferentes versões de café, mas deixou de fora justamente o café solúvel tradicional brasileiro.

A preocupação aumentou após a proposta apresentada por Donald Trump em 1º de junho, que prevê tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras.

No dia 2 de junho, novas taxas adicionais de 12,5% foram anunciadas para 60 países, incluindo o Brasil.

A soma das medidas pode elevar a cobrança sobre o café solúvel brasileiro para 37,5% no mercado americano.

Brasil tenta provar importância do produto para os EUA

A Abics pretende usar dados técnicos para mostrar que o café solúvel brasileiro tem peso relevante no abastecimento dos Estados Unidos.

Segundo dados preliminares citados pela entidade, os EUA produzem apenas 6% do café solúvel consumido internamente.

A maior parte do produto consumido no país precisa ser importada, principalmente do Brasil e do México.

Em 2024, o Brasil respondeu por 37% de todo o volume de café solúvel importado pelos americanos.

A entidade pretende defender que novas tarifas podem prejudicar não apenas o setor brasileiro, mas também consumidores e empresas americanas.

Inflação do café aumenta pressão sobre decisão americana

Dados do Bureau of Labor Statistics, o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos, mostram que o café solúvel já ficou mais caro no país.

O produto acumulou alta de 24% em maio, considerando o período de 12 meses.

A Abics deve argumentar que uma nova tarifa pode pressionar ainda mais os preços nas prateleiras americanas.

Entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, o café solúvel brasileiro já enfrentou uma taxa de 50% nos Estados Unidos.

Essa cobrança derrubou as vendas da indústria brasileira para o mercado americano.

Em 20 de fevereiro, o Congresso dos Estados Unidos derrubou a sobretaxa de 50%.

No mesmo dia, Donald Trump impôs uma tarifa global de 10%, que tem prazo previsto para vencer em julho.

Cadeia produtiva americana também pode ser afetada

A Abics também pretende destacar que o café solúvel brasileiro movimenta parte da economia dos Estados Unidos.

Empresas americanas participam do envase, da distribuição e da agregação de valor do produto.

Segundo Aguinaldo Lima, o café solúvel não chega totalmente pronto ao consumidor final.

O produto ainda passa por etapas comerciais dentro dos Estados Unidos, gerando atividade econômica e empregos no país.

Audiência terá falas curtas e defesa por escrito

A audiência pública em Washington terá manifestações breves, com cerca de três minutos por participante.

A limitação de tempo fará com que a defesa técnica da Abics seja concentrada principalmente no documento escrito.

A entidade pretende apresentar dados sobre importações, inflação e dependência americana do café solúvel brasileiro.

A presença na audiência, ainda assim, será usada para reforçar a posição do setor diante das autoridades dos Estados Unidos.

O que pode acontecer agora?

O setor brasileiro aguarda a análise das autoridades americanas sobre a lista de isenções.

A Abics espera que a exclusão do café solúvel tradicional seja revista antes da aplicação das novas tarifas.

A decisão será importante para exportadores brasileiros, empresas americanas e consumidores dos Estados Unidos.

O que você acha que deve pesar mais nessa decisão: proteger a indústria americana ou evitar que o café solúvel fique ainda mais caro para os consumidores?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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