Produto brasileiro ficou fora da lista de isenções dos EUA, apesar de cafés em grão, torrado, moído e solúvel aromatizado terem sido beneficiados.
A indústria brasileira de café solúvel entrou em alerta após o produto ficar fora da lista de isenções das novas tarifas propostas pelos Estados Unidos.
A decisão chama atenção porque outros tipos de café foram poupados, incluindo café em grão, torrado, moído e até o café solúvel aromatizado.
A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) vai participar de uma audiência pública em Washington, marcada para 6 de julho, para tentar reverter a medida.
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Segundo a entidade, a exclusão pode ter ocorrido por uma falha técnica na classificação dos códigos tarifários.
O setor também prepara uma manifestação por escrito, que será entregue às autoridades americanas até 1º de julho.
Exclusão do café solúvel gera reação no setor brasileiro
O diretor-executivo da Abics, Aguinaldo Lima, afirma que a entidade vê falta de lógica na decisão americana.
Segundo ele, a lista de isenções incluiu diferentes versões de café, mas deixou de fora justamente o café solúvel tradicional brasileiro.
A preocupação aumentou após a proposta apresentada por Donald Trump em 1º de junho, que prevê tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras.
No dia 2 de junho, novas taxas adicionais de 12,5% foram anunciadas para 60 países, incluindo o Brasil.
A soma das medidas pode elevar a cobrança sobre o café solúvel brasileiro para 37,5% no mercado americano.
Brasil tenta provar importância do produto para os EUA
A Abics pretende usar dados técnicos para mostrar que o café solúvel brasileiro tem peso relevante no abastecimento dos Estados Unidos.
Segundo dados preliminares citados pela entidade, os EUA produzem apenas 6% do café solúvel consumido internamente.
A maior parte do produto consumido no país precisa ser importada, principalmente do Brasil e do México.
Em 2024, o Brasil respondeu por 37% de todo o volume de café solúvel importado pelos americanos.
A entidade pretende defender que novas tarifas podem prejudicar não apenas o setor brasileiro, mas também consumidores e empresas americanas.
Inflação do café aumenta pressão sobre decisão americana
Dados do Bureau of Labor Statistics, o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos, mostram que o café solúvel já ficou mais caro no país.
O produto acumulou alta de 24% em maio, considerando o período de 12 meses.
A Abics deve argumentar que uma nova tarifa pode pressionar ainda mais os preços nas prateleiras americanas.
Entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, o café solúvel brasileiro já enfrentou uma taxa de 50% nos Estados Unidos.
Essa cobrança derrubou as vendas da indústria brasileira para o mercado americano.
Em 20 de fevereiro, o Congresso dos Estados Unidos derrubou a sobretaxa de 50%.
No mesmo dia, Donald Trump impôs uma tarifa global de 10%, que tem prazo previsto para vencer em julho.
Cadeia produtiva americana também pode ser afetada
A Abics também pretende destacar que o café solúvel brasileiro movimenta parte da economia dos Estados Unidos.
Empresas americanas participam do envase, da distribuição e da agregação de valor do produto.
Segundo Aguinaldo Lima, o café solúvel não chega totalmente pronto ao consumidor final.
O produto ainda passa por etapas comerciais dentro dos Estados Unidos, gerando atividade econômica e empregos no país.
Audiência terá falas curtas e defesa por escrito
A audiência pública em Washington terá manifestações breves, com cerca de três minutos por participante.
A limitação de tempo fará com que a defesa técnica da Abics seja concentrada principalmente no documento escrito.
A entidade pretende apresentar dados sobre importações, inflação e dependência americana do café solúvel brasileiro.
A presença na audiência, ainda assim, será usada para reforçar a posição do setor diante das autoridades dos Estados Unidos.
O que pode acontecer agora?
O setor brasileiro aguarda a análise das autoridades americanas sobre a lista de isenções.
A Abics espera que a exclusão do café solúvel tradicional seja revista antes da aplicação das novas tarifas.
A decisão será importante para exportadores brasileiros, empresas americanas e consumidores dos Estados Unidos.
O que você acha que deve pesar mais nessa decisão: proteger a indústria americana ou evitar que o café solúvel fique ainda mais caro para os consumidores?

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