Nova geração de foguetes chineses aposta em padronização, reaproveitamento e flexibilidade para ampliar presença na órbita baixa
A China alcançou uma nova etapa em seu programa espacial comercial com o lançamento do foguete Lijian-2 Y1, desenvolvido pela CAS Space, consolidando avanços industriais no setor aeroespacial.
A missão ocorreu no centro de inovação espacial Dongfeng, no noroeste do país, conforme informou a CAS Space em 2024, marcando a estreia de um sistema pensado para produção em larga escala.
O foguete levou três cargas úteis à órbita, incluindo a nave experimental Qingzhou e dois satélites, ampliando a presença chinesa na órbita baixa.
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Projeto industrial aposta em padronização para acelerar lançamentos
O Lijian-2 utiliza uma arquitetura baseada na padronização estrutural, o que permite fabricar componentes em série, como em uma linha industrial.
O corpo central e os propulsores laterais seguem praticamente o mesmo padrão, o que facilita substituições rápidas antes da decolagem.
Segundo Lian Jie, engenheiro-chefe adjunto do projeto, a uniformidade dos sistemas reduz atrasos e aumenta a frequência de lançamentos.
O foguete opera com dez motores que seguem o mesmo projeto, sendo nove no primeiro estágio e um no segundo, o que simplifica manutenção e reposição.

Configuração flexível amplia uso em diferentes missões
O Lijian-2 permite diferentes configurações conforme a missão.
O veículo pode voar sem propulsores auxiliares ou com dois ou quatro boosters acoplados, ajustando sua capacidade operacional.
Com isso, o empuxo alcança até mil toneladas, enquanto a carga útil varia entre 2 e 20 toneladas em órbita baixa.
Essa faixa atende satélites e operações espaciais com maior versatilidade.
Sistema de reaproveitamento melhora segurança e controle
O sistema de recuperação representa outro avanço relevante.
O Lijian-2 retorna com o estágio central e os propulsores acoplados como uma única estrutura, diferente de modelos tradicionais.
Segundo Lian Jie, essa estratégia melhora o controle durante a descida, reduz impactos no pouso e aumenta a segurança do sistema.
Essa solução também reduz custos e aumenta a confiabilidade das operações futuras.
Nave Qingzhou surge como alternativa mais leve e econômica
A nave experimental Qingzhou também ganhou destaque na missão.
O veículo apresentou peso total de 4,2 toneladas e funciona como uma alternativa mais leve e econômica à nave Tianzhou.
Neste voo de teste, a Qingzhou transportou 1,02 tonelada de experimentos científicos, que ocorrerão entre 200 e 600 quilômetros de altitude.
A nave deve realizar acoplamentos periódicos à estação espacial chinesa quando entrar em operação regular.
Setor espacial comercial entra em fase de integração
Segundo Yang Haoliang, comandante-geral do projeto, o setor espacial comercial da China passa por uma mudança estrutural importante.
O país avança da fase de desenvolvimento isolado de tecnologias para a integração de sistemas completos.
O objetivo é oferecer serviços de lançamento mais econômicos, confiáveis e com maior frequência, conforme destacou à imprensa oficial chinesa em 2024.
Esse avanço reforça a estratégia da China de expandir sua presença na órbita baixa com soluções industriais escaláveis e reutilizáveis — será esse o modelo dominante da próxima fase da corrida espacial?
