O primeiro trem-bala privado dos Estados Unidos está sendo construído no meio do deserto de Nevada enquanto o Brasil ainda discute o projeto São Paulo-Rio
Em abril de 2024, uma cerimônia de inauguração no deserto de Nevada marcou o início da construção do Brightline West — o primeiro trem de alta velocidade dos Estados Unidos.
Segundo a Wikipedia, o projeto vai conectar Las Vegas a Rancho Cucamonga, na Califórnia, em uma viagem de aproximadamente 2 horas a velocidades de até 320 km/h (200 mph).
São 350 quilômetros de trilhos cortando o deserto, com investimento total de US$ 12 bilhões.
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Enquanto isso, o trem-bala brasileiro entre São Paulo e Rio de Janeiro — prometido pela primeira vez nos anos 1990 — segue sem data para começar.
US$ 12 bilhões, 35 mil empregos e uma rota pelo meio da rodovia
De acordo com o site oficial do Brightline West, a ferrovia receberá US$ 3 bilhões em financiamento federal da Lei de Infraestrutura Bipartidária aprovada pelo governo Biden.
O investimento total de US$ 12 bilhões deve gerar mais de US$ 10 bilhões em impacto econômico para Nevada e Califórnia.
Além disso, o projeto promete criar mais de 35 mil empregos ao longo de sua construção e operação.
Portanto, não se trata apenas de transporte — é uma operação de transformação econômica regional.
- Extensão: 350 km (218 milhas)
- Velocidade máxima: 320 km/h (200 mph)
- Investimento: US$ 12 bilhões
- Financiamento federal: US$ 3 bilhões
- Empregos: 35.000+
- Previsão de inauguração: 2028
- Estações: Las Vegas, Victor Valley, Hesperia, Rancho Cucamonga

Trilhos no canteiro central da rodovia: zero cruzamentos em nível
Uma das soluções mais engenhosas do projeto é a rota escolhida. Conforme descreveu o Departamento de Transporte de Nevada, os trilhos serão instalados dentro do canteiro central da Interstate 15.
Dessa forma, o trem não precisa de desapropriações de terra, nem cria cruzamentos perigosos com ruas ou estradas.
A I-15 é a principal rodovia entre Las Vegas e Los Angeles — uma das rotas mais congestionadas dos Estados Unidos, com milhões de viagens por ano.
O Brightline promete retirar o equivalente a 3 milhões de carros por ano dessa rodovia.
Nesse sentido, o projeto resolve dois problemas ao mesmo tempo: transporte e descarbonização.

Enquanto no Brasil: 30 anos de debate, zero quilômetros de trilho
A comparação com o Brasil é inevitável — e dolorosa.
O projeto do trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro foi anunciado pela primeira vez nos anos 1990. Em 2010, o governo federal chegou a realizar leilão para a concessão.
Contudo, o leilão fracassou por falta de interessados. Desde então, o projeto foi revisado, adiado e praticamente abandonado.
A distância entre São Paulo e Rio é de aproximadamente 400 km — pouco mais do que a rota do Brightline West.
Da mesma forma, a demanda existe: são duas das maiores cidades das Américas, separadas por uma viagem de 5 a 6 horas de carro.
No entanto, enquanto os EUA constroem o primeiro trem de alta velocidade privado do país, o Brasil não tem sequer um quilômetro de ferrovia de alta velocidade construído.
De fato, o Brasil opera hoje com ferrovias de carga em bitolas incompatíveis, com velocidade média de 25 km/h — 13 vezes mais lento que o Brightline West.

Os obstáculos que ainda ameaçam o trem americano
Por outro lado, o Brightline West também enfrenta desafios significativos.
Segundo a NPR, os custos do projeto já subiram em relação às estimativas iniciais, levantando preocupações sobre a viabilidade financeira.
Além disso, até março de 2026, a empresa ainda aguardava a liberação de US$ 6 bilhões em empréstimo federal — um componente essencial do financiamento.
Igualmente, o prazo de inauguração para 2028 é considerado otimista por analistas do setor, dada a complexidade de construir no deserto de Mojave.
Ainda assim, o contraste permanece: os EUA avançam, mesmo com dificuldades. O Brasil nem começou.
Consequentemente, a pergunta que fica é: se um projeto privado consegue tirar do papel um trem de 320 km/h no deserto americano, o que impede o Brasil de fazer o mesmo na rota mais movimentada da América do Sul?
Além disso, essa tecnologia pode ter implicações diretas para o setor de energia e infraestrutura global. Especialistas do setor apontam que avanços como esse redefinem o que é possível em termos de escala e eficiência.
Nesse sentido, o impacto vai além do projeto em si. Países que investem em inovação de ponta colhem benefícios que se multiplicam em diversas áreas da economia.
Da mesma forma, projetos semelhantes ao redor do mundo demonstram que a corrida por grandes obras de engenharia no mundo está se acelerando em 2026.
Portanto, o que vemos aqui não é um caso isolado — é parte de uma transformação global na forma como a humanidade constrói, gera energia e projeta o futuro.
Sobretudo, é importante considerar o contexto brasileiro. Enquanto outros países avançam com projetos ambiciosos, o Brasil enfrenta seus próprios desafios de infraestrutura e investimento.
Por outro lado, iniciativas como as relacionadas a recordes de produção de petróleo mostram que há movimento em diversas frentes ao redor do mundo.
Consequentemente, a competição por soluções inovadoras deve se intensificar nos próximos anos, com investimentos bilionários fluindo para pesquisa e desenvolvimento em múltiplos países.
De fato, analistas projetam que o mercado global relacionado a essa tecnologia pode atingir dezenas de bilhões de dólares até o final da década.
Contudo, é importante ressaltar que comparações diretas entre países têm limitações. O ambiente regulatório, o custo de capital e a estrutura fundiária são diferentes. O sucesso do Brightline ainda precisa ser provado na prática — nenhum trem de passageiro percorreu os trilhos até o momento.

Pra você ver a decadência dos EUA. Só agora estão construindo trem bala. Na Europa e no Japão já existe faz muitos anos e na China então nem se fala, eles tem 2/3 das linhas de trem bala do mundo
Boa síntese, Golias — a China tem hoje cerca de 2/3 da malha mundial de alta velocidade (45 mil km de um total global de ~70 mil km). Japão, França, Alemanha, Espanha e Itália completam o pelotão. Os EUA realmente chegam atrasados, e mesmo a Brightline West só conecta duas cidades. É um marco simbólico, não estrutural.
EUA muito atrasado em relação a china ,Coreia do Sul ,Japão e alguns países europeus que já tem a décadas !
Você está certo, waldir — o trem-bala americano chega décadas depois do Shinkansen japonês (1964), do TGV francês (1981) e do KTX coreano (2004). A China sozinha já tem mais de 45 mil km de alta velocidade. Os EUA são um caso de subdesenvolvimento ferroviário entre as grandes economias, focados em aviação e rodovias.
Uma coisa é o país mais rico do mundo construir em 2026 sua primeira linha de trem de alta velocidade no deserto, uma linha reta em planície. Outra coisa é o Brasil construir um trem de ALTA VELOCIDADE em um meio a montanhas.
Excelente observação, Juliano! É uma diferença geográfica importante: a linha Brightline West tem 351 km de Las Vegas a Los Angeles em terreno predominantemente plano e desértico. A SP-RJ atravessaria a Serra do Mar, com elevação significativa, exigindo dezenas de túneis e viadutos. Custo por km e prazo seriam incomparáveis. Mas Itália e Suíça mostram que é viável em terreno difícil — falta projeto sério.