Em apenas 28 dias de fevereiro, o Brasil extraiu do fundo do mar mais petróleo e gás do que em qualquer outro mês da história — 5,3 milhões de barris de óleo equivalente por dia, com o pré-sal respondendo por 80% de tudo e uma única plataforma produzindo acima de sua própria capacidade
Segundo dados oficiais da Agência Nacional do Petróleo (ANP), divulgados em 1º de abril de 2026, a produção total de petróleo e gás natural do Brasil atingiu 5,304 milhões de barris de óleo equivalente por dia em fevereiro.
É o recorde histórico do país.
O número superou o marco anterior de 5,255 milhões de barris, registrado em outubro de 2025 — e o mais impressionante é que fevereiro tem apenas 28 dias.
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O pré-sal responde por 80% de tudo
De acordo com a Notícias Agrícolas, o pré-sal sozinho produziu 4,243 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
Isso representa 80,2% de toda a produção brasileira.
São 181 poços ativos no pré-sal, a maioria na Bacia de Santos.
Apenas o campo de Tupi — o maior do Brasil — produziu 866 mil barris de petróleo por dia, além de 42,87 milhões de metros cúbicos de gás.
Somando petróleo e gás, Tupi ultrapassou 1 milhão de barris de óleo equivalente por dia.
Para ter uma ideia da escala: a produção de Tupi sozinho supera a de países como Colômbia, Argentina e Equador.

A plataforma que produz além do limite
A FPSO Almirante Tamandaré, instalada no campo de Búzios, é a estrela da produção recente.
Em fevereiro de 2026, ela produziu em média 197.903 barris por dia — a maior produção individual de petróleo entre todas as plataformas do Brasil.
Porém, o recorde da Tamandaré foi ainda maior.
Conforme informou a Petrobras, em outubro de 2025 a plataforma atingiu fluxo instantâneo equivalente a 270 mil barris por dia.
A capacidade nominal da FPSO é de 225 mil barris. Ela produziu 20% acima do próprio limite de projeto.
A Tamandaré começou a operar em fevereiro de 2025, após sair de um estaleiro na China, atravessar o oceano e ser instalada no pré-sal a mais de 200 km da costa do Rio de Janeiro.

Alta de 16% em um ano
A produção de petróleo em fevereiro de 2026 foi 16,4% maior que no mesmo mês de 2025.
O gás natural cresceu ainda mais: 24,5% na comparação anual.
Conforme reportou a Terra, em 2025 a produção anual média de petróleo já havia atingido 3,77 milhões de barris por dia — uma alta de 12% sobre 2024.
O Brasil é hoje o 8º maior produtor de petróleo do mundo, e com a entrada de novas plataformas no pré-sal, a tendência é continuar subindo.
- Produção total (fev/2026): 5,304 milhões boe/d (recorde)
- Petróleo: 4,061 milhões bbl/d (+16,4% vs fev/2025)
- Gás natural: 197,63 milhões m³/d (+24,5% vs fev/2025)
- Pré-sal: 80,2% do total (4,243 milhões boe/d)
- Maior campo: Tupi — 866 mil bbl/d de petróleo
- Maior plataforma: FPSO Almirante Tamandaré — 197.903 bbl/d
- Poços ativos: 6.079 (582 marítimos, 5.497 terrestres)
- Petrobras: 89,46% da produção total

A ressalva que os números escondem
Apesar dos recordes, há um dado que destoa.
A queima de gás natural — quando o gás é descartado em vez de aproveitado — aumentou 18,6% em relação a fevereiro de 2025.
Foram 5,82 milhões de metros cúbicos de gás queimados por dia.
O aproveitamento geral ficou em 97,1%, um número alto, mas a tendência de aumento na queima preocupa.
Além disso, 80% da produção concentrada no pré-sal cria uma dependência geológica e regulatória: qualquer problema nos campos da Bacia de Santos impactaria toda a matriz energética do país.
Como mostramos anteriormente, a Petrobras continua expandindo a exploração com robôs a quase 3 mil metros de profundidade — mas a aposta no pré-sal é, ao mesmo tempo, a maior força e a maior vulnerabilidade do setor petrolífero brasileiro.
Além disso, o crescimento da produção brasileira ocorre num momento em que o debate sobre transição energética se intensifica globalmente.
Nesse sentido, enquanto a Europa reduz investimentos em combustíveis fósseis e a Noruega planeja limitar novas concessões, o Brasil segue expandindo a exploração no pré-sal com recordes consecutivos.
Da mesma forma, a entrada de novas plataformas como a P-78 e a P-79, previstas para os próximos anos, deve empurrar a produção brasileira ainda mais para cima.
Contudo, há um dilema estratégico nessa aceleração. O petróleo do pré-sal é considerado de alta qualidade e baixo custo de extração — o que torna o Brasil competitivo mesmo em cenários de preço baixo.
Portanto, a pergunta não é se o Brasil consegue produzir mais petróleo. A pergunta é se consegue fazer isso de forma sustentável, reduzindo a queima de gás, investindo em captura de carbono e diversificando a matriz energética ao mesmo tempo.
Sobretudo, o recorde de fevereiro de 2026 mostra que o pré-sal está longe de atingir seu limite. O desafio do Brasil é garantir que a riqueza extraída do fundo do mar se transforme em investimento de longo prazo — e não apenas em receita que evapora quando o barril de petróleo perde valor.
Dessa forma, os 5,3 milhões de barris diários não são apenas um número para comemorar. São uma responsabilidade que o país precisa honrar com planejamento, infraestrutura e visão de futuro.
Consequentemente, analistas do setor estimam que, se o ritmo de crescimento de 12% ao ano se mantiver, o Brasil pode ultrapassar 5 milhões de barris diários de petróleo puro antes de 2028 — consolidando-se entre os cinco maiores produtores do mundo. Além disso, a eficiência operacional das plataformas do pré-sal continua melhorando, com a Tamandaré produzindo 20% acima de sua capacidade nominal sem investimentos adicionais em hardware.
Nesse sentido, o pré-sal não é apenas uma fonte de receita. É um ativo estratégico que posiciona o Brasil como protagonista global em um setor que, mesmo em transição, continuará gerando trilhões de dólares por décadas.
O Brasil produz mais petróleo do que nunca. A pergunta é se conseguirá diversificar a tempo antes que a transição energética mude as regras do jogo.

Isto só foi possível, devido ao visionário Presidente Lula.
Fato
O recorde tem múltiplos fatores. A curva ascendente do pré-sal vem desde o leilão de Tupi em 2008, e o avanço técnico das FPSOs hoje sustenta os 5,3 milhões b/d. É um ciclo de 18 anos.