A Petrobras definiu duas fases para sua estratégia de renováveis: até 2035, prioridade para biocombustíveis; após 2035, destaque para energia solar, eólica e hidrogênio.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, apresentou nesta semana uma visão clara sobre os próximos passos da companhia no setor de energias renováveis. Em entrevista, ela destacou que a empresa trabalha com duas fases distintas até 2050. A primeira, até 2035, tem como prioridade os biocombustíveis. Já a segunda, após esse período, será marcada por investimentos em energia solar, eólica e hidrogênio.
Segundo Magda, essa divisão estratégica permite que a empresa mantenha o equilíbrio entre a produção de combustíveis fósseis e o avanço da transição energética.
Investimento bilionário em renováveis e nova refinaria no Sul
A Petrobras planeja aplicar cerca de US$ 16,5 bilhões em energias renováveis ao longo dos próximos anos. Esse montante tem como objetivo acelerar a transição e preparar a infraestrutura da empresa para um cenário de maior demanda por soluções limpas.
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Um exemplo concreto já está em andamento: a construção de uma refinaria no Rio Grande do Sul, com capacidade de processar 15 mil barris por dia. O diferencial é que toda a produção será 100% renovável, sem moléculas fósseis.
De acordo com a presidente, o Brasil possui atualmente 52% de sua matriz energética baseada em fontes limpas. A meta da companhia é ampliar esse número para 64%, fortalecendo o papel do país no cenário internacional de energia sustentável.
Biocombustíveis como etapa inicial da transição
Antes de dar protagonismo à energia solar, a Petrobras pretende consolidar sua atuação nos biocombustíveis. O plano inclui etanol, biodiesel, biogás e o chamado diesel coprocessado. Esse último é uma tecnologia patenteada pela estatal e pode conter de 5% a 10% de óleo vegetal.
Magda destacou que, diante da crise comercial provocada pelas tarifas dos Estados Unidos, o diesel coprocessado pode ser uma solução viável para os excedentes de grãos no Brasil. A ideia é ampliar a mistura de óleo vegetal para até 20%, dependendo do nível de investimento nacional.
Energia solar, eólica e hidrogênio ganham protagonismo após 2035
A segunda fase do plano estratégico da Petrobras coloca a energia solar como peça-chave. A presidente acredita que, com o amadurecimento do mercado e da tecnologia, essas fontes terão um peso maior no portfólio da empresa.
Nesse período, a estatal pretende intensificar o desenvolvimento de projetos solares, além de expandir investimentos em hidrogênio e energia eólica. Para Magda, essa etapa será fundamental para consolidar a Petrobras como referência em energia limpa, sem abandonar totalmente os combustíveis fósseis.
Perspectivas para o setor automotivo e a eletrificação
Questionada sobre veículos elétricos, Magda Chambriard afirmou ver mais espaço para modelos híbridos no Brasil. A justificativa é que a eletrificação total atende melhor veículos leves do que pesados.
“Apesar de eu adorar combustíveis fósseis, nós não somos negacionistas. Eu acredito que vamos ter uma demanda por híbridos no Brasil e eu acho que isso vai postergar essa eletrificação 100%”, disse.
Na visão da Petrobras, o uso de combustíveis fósseis ainda deve durar algumas décadas, mas a tendência é de crescimento gradual das fontes alternativas.
