A empresa gaúcha Tramontina inicia um projeto de hidrogênio verde no Brasil, com foco na logística industrial, redução de emissões, inovação energética e transição sustentável até 2027
Em dezembro de 2025, a Tramontina, tradicional empresa gaúcha com presença consolidada no Brasil e no exterior, anunciou a assinatura de um contrato para a implantação de uma planta própria de hidrogênio verde, em um projeto considerado pioneiro na indústria nacional. Segundo matéria publicada pelo site Exame nesta quinta-feira (25), a iniciativa tem como objetivo central descarbonizar a logística industrial, começando pela mobilidade interna das fábricas da companhia no Rio Grande do Sul.
Empresa gaúcha Tramontina aposta em hidrogênio verde para logística industrial
O investimento total previsto é de R$ 43 milhões, direcionado à unidade de Cutelaria, localizada no município de Carlos Barbosa (RS). As obras estão programadas para iniciar em 2026, com entrada em operação prevista para meados de 2027. O projeto será desenvolvido pela empresa GH2 Global e integra a estratégia de longo prazo da Tramontina voltada à redução de emissões, à eficiência energética e ao fortalecimento da segurança operacional.
A decisão da empresa gaúcha Tramontina de investir em hidrogênio verde representa um movimento estratégico diante dos desafios climáticos e energéticos enfrentados pela indústria. Diferentemente de projetos ainda voltados apenas à pesquisa ou à exportação futura, a iniciativa já nasce com aplicação direta na logística industrial, um dos principais focos de emissão no ambiente fabril.
-
EUA cobrem canal com 2.556 painéis solares e transformam irrigação em usina limpa no meio de uma região castigada pela seca
-
Em decisão histórica, Aneel regulamenta uso de baterias no sistema elétrico brasileiro e cria bases para armazenar energia em larga escala, reduzindo desperdícios, ampliando a segurança energética e atraindo novos projetos bilionários
-
Pesquisadores brasileiros desenvolvem catalisador feito com metais abundantes que aumenta a eficiência da produção de hidrogênio verde e pode substituir materiais caros, criando uma alternativa promissora para ampliar o uso de energia limpa no mundo
-
Novo EV da Fiat, de R$ 77 mil, trará releitura do 147 e consumo equivalente a 70 km/l
Na fase inicial, o hidrogênio produzido será utilizado para abastecer empilhadeiras e veículos de mobilidade interna, substituindo equipamentos movidos a combustíveis fósseis ou a baterias convencionais. Essa transição permitirá reduzir emissões diretas e indiretas, além de aumentar a eficiência operacional dos processos logísticos.
Investimento de R$ 43 milhões fortalece logística industrial de baixo carbono
O investimento de R$ 43 milhões viabilizará a construção de uma planta com capacidade inicial de 1,25 MW, apta a produzir até 500 quilos diários de hidrogênio verde de alta pureza. O processo será realizado por meio da eletrólise da água, utilizando energia elétrica 100% proveniente de fontes renováveis certificadas.
Além disso, o projeto prevê o uso de água pluvial, o que reforça o compromisso com a sustentabilidade ao longo de toda a cadeia produtiva. O gás gerado será distribuído para as unidades industriais da Tramontina localizadas em Carlos Barbosa, Garibaldi e Farroupilha, ampliando o impacto positivo sobre a logística industrial regional.
Na fase inicial, a redução estimada é de cerca de 100 toneladas de carbono equivalente por ano. Com a expansão da planta e a ampliação do uso do hidrogênio em outros processos industriais intensivos em energia, a expectativa é ultrapassar 4 mil toneladas anuais de redução de emissões.
Hidrogênio verde como estratégia energética da Tramontina
Para a Tramontina, o uso do hidrogênio verde vai além da redução de emissões. Segundo Osvaldo Steffani, conselheiro-consultivo da unidade Cutelaria, o projeto tem caráter estrutural e estratégico.
Segundo o executivo, a iniciativa ultrapassa a pauta ambiental e representa um investimento de longo prazo, capaz de fortalecer a segurança energética, ampliar a eficiência logística e contribuir de forma concreta para a transição energética do Brasil.
A declaração evidencia que a companhia enxerga o hidrogênio verde como um vetor de autonomia energética, mitigação de riscos e competitividade industrial. Ao produzir seu próprio combustível renovável, a empresa reduz dependência de fontes externas e cria bases para uma operação mais resiliente no futuro.
Logística industrial como ponto de partida da descarbonização
A escolha da logística industrial como primeira aplicação do hidrogênio verde não é casual. Esse segmento responde por parcela relevante das emissões industriais e, ao mesmo tempo, oferece soluções tecnológicas viáveis para substituição de combustíveis fósseis.
Ao iniciar a transição pela mobilidade interna, a empresa gaúcha Tramontina consegue testar a tecnologia em ambiente controlado, gerar aprendizado operacional e criar referências internas para futuras expansões. A estratégia também reduz riscos financeiros e operacionais, ao priorizar um uso contínuo e previsível do combustível.
Apoio do Rio Grande do Sul reforça economia do hidrogênio verde
O projeto da Tramontina conta com parte de seu financiamento aprovado em um edital de fomento do Governo do Rio Grande do Sul, reforçando o papel estratégico do estado no desenvolvimento da economia do hidrogênio verde. O apoio público contribui para reduzir barreiras iniciais, estimular inovação e atrair investimentos privados.
Além disso, fortalece o posicionamento do Rio Grande do Sul como um dos estados mais ativos na transição energética brasileira, especialmente no setor industrial. Para a Tramontina, o incentivo institucional acelera a implementação do projeto e amplia sua viabilidade econômica no médio e longo prazo.
Cenário brasileiro do hidrogênio verde ainda enfrenta desafios
Apesar do avanço representado pelo projeto da empresa gaúcha, o mercado brasileiro de hidrogênio verde ainda está em estágio inicial. Um mapeamento da consultoria CELA, realizado em 2025, identificou mais de 100 projetos anunciados no país, somando R$ 454 bilhões em investimentos previstos.
Entretanto, a maior parte dessas iniciativas ainda se encontra em fase inicial de desenvolvimento. Atualmente, a única planta certificada em operação no Brasil pertence à White Martins, localizada em Pernambuco, com planos de expansão para o estado de São Paulo.
Os principais entraves continuam sendo o custo elevado da tecnologia, a falta de escala produtiva e a necessidade de marcos regulatórios mais claros. Ainda assim, o perfil da matriz elétrica brasileira, majoritariamente renovável, coloca o país em posição privilegiada para avançar nesse mercado.
Iniciativa da Tramontina: impacto do hidrogênio verde na indústria brasileira
O movimento da Tramontina demonstra como o hidrogênio verde pode deixar de ser apenas uma promessa e passar a integrar o cotidiano da indústria. Ao aplicar a tecnologia diretamente na logística industrial, a empresa cria um modelo concreto que pode inspirar outras companhias do setor.
Além da redução de emissões, o projeto contribui para o desenvolvimento tecnológico nacional, a capacitação de profissionais e o fortalecimento de cadeias produtivas ligadas à transição energética. Em um cenário global cada vez mais exigente em termos ambientais, iniciativas como essa tendem a se tornar diferenciais competitivos.

Seja o primeiro a reagir!