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Empresa brasileira demite 6,6 mil funcionários e faz alegria dos investidores: milhares de trabalhadores perdem o emprego em meio a cortes dolorosos, mas mercado comemora reação das ações após varejista prometer mais lucro, controle de gastos e expansão acelerada no país

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 20/05/2026 às 16:59
Atualizado em 20/05/2026 às 17:03
Grupo Mateus demite 6,6 mil funcionários, reduz despesas e vê ações subirem após relatório do BTG e resultados do 1º trimestre de 2026.
Grupo Mateus demite 6,6 mil funcionários, reduz despesas e vê ações subirem após relatório do BTG e resultados do 1º trimestre de 2026.
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Cortes em massa, alta de despesas e reação positiva das ações colocam o Grupo Mateus sob atenção do mercado, enquanto a varejista tenta equilibrar rentabilidade, integração do Novo Atacarejo e expansão em estados do Norte e do Nordeste após balanço do primeiro trimestre de 2026.

Segundo informações do jornal Valor Econômico, com base nos resultados divulgados pela companhia na quinta-feira (14), o Grupo Mateus (GMAT3) demitiu mais de 6,6 mil funcionários desde dezembro de 2025.

A redução atingiu operações em cinco estados do Nordeste e um do Norte, com queda no quadro de pessoal de 47,9 mil para 41,2 mil trabalhadores na Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Sergipe e Pará.

Na prática, o corte representou uma diminuição de 13,9% entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, período usado como referência nos dados financeiros mais recentes da varejista.

Durante a teleconferência de resultados, a companhia afirmou que procura um “ponto ótimo” entre despesas e margem operacional, sem comprometer a estrutura necessária para manter as atividades e sustentar a expansão.

“Fizemos uma redução e temos uma disciplina importante. Se você reduz demais, é um problema, e se reduz de menos, fica com despesa. Mas tem outras despesas, que não são gente, que vamos continuar fazendo”, afirmou Ilson Mateus Rodrigues, CEO e fundador do Grupo Mateus.

Demissões no Grupo Mateus miram corte de despesas

No primeiro trimestre de 2026, as despesas operacionais somaram R$ 1,6 bilhão, valor que representa alta de 29,3% na comparação anual, conforme dados divulgados pela companhia e citados pelo Valor Econômico.

Parte desse avanço veio da consolidação do Novo Atacarejo, operação concluída em 1º de julho de 2025, que passou a influenciar diretamente a base de custos do Grupo Mateus nos resultados mais recentes.

Além do efeito da aquisição, as despesas cresceram 10,8% na base ajustada, pressionadas também pela abertura de 17 lojas nos estados do Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.

Ações do Grupo Mateus reagem a relatório do BTG Pactual

Após a divulgação de um relatório do BTG Pactual, as ações do Grupo Mateus (GMAT3) avançam mais de 6%, em meio à avaliação de que parte dos desafios já foi incorporada ao valuation da companhia.

Embora tenha apontado pressões de curto prazo, o banco destacou preocupação com a desaceleração do consumo, a deflação dos alimentos e os desafios ligados à integração do Novo Atacarejo.

Ainda assim, o BTG manteve recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 9, ao citar o posicionamento regional do grupo e oportunidades de expansão em áreas menos penetradas do Norte e Nordeste.

Lucro líquido cai no primeiro trimestre de 2026

No primeiro trimestre de 2026, o Grupo Mateus registrou lucro líquido de R$ 212,9 milhões, resultado 21,8% menor que o apurado no mesmo período do ano anterior.

Também no período, o EBITDA pós-IFRS 16 totalizou R$ 543 milhões, com retração de 7,3% na comparação anual, enquanto a margem EBITDA ficou em 5,8%.

Apesar da queda nos indicadores de rentabilidade, a receita líquida chegou a R$ 9,4 bilhões, crescimento de 12,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

Esse desempenho foi impulsionado pela consolidação do Novo Atacarejo, pela expansão das operações B2B e pelo aumento nas vendas de eletroeletrônicos, segmentos que ajudaram a sustentar o avanço da receita.

Vendas nas mesmas lojas recuam com consumo pressionado

O indicador de Same-Store Sales (SSS), usado para medir as vendas nas mesmas lojas, recuou 7,3% no período, refletindo um ambiente de consumo mais fraco.

Segundo a companhia, esse resultado foi influenciado pela deflação de alimentos, pelo maior endividamento das famílias e por mudanças no perfil de consumo, fatores que pressionaram o desempenho das lojas comparáveis.

Por outro lado, a margem bruta avançou 0,7 ponto percentual, chegando a 22,9%, em razão da estratégia de priorização da rentabilidade em canais de menor margem e de novas negociações com fornecedores.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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