Cortes em massa, alta de despesas e reação positiva das ações colocam o Grupo Mateus sob atenção do mercado, enquanto a varejista tenta equilibrar rentabilidade, integração do Novo Atacarejo e expansão em estados do Norte e do Nordeste após balanço do primeiro trimestre de 2026.
Segundo informações do jornal Valor Econômico, com base nos resultados divulgados pela companhia na quinta-feira (14), o Grupo Mateus (GMAT3) demitiu mais de 6,6 mil funcionários desde dezembro de 2025.
A redução atingiu operações em cinco estados do Nordeste e um do Norte, com queda no quadro de pessoal de 47,9 mil para 41,2 mil trabalhadores na Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Sergipe e Pará.
Na prática, o corte representou uma diminuição de 13,9% entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, período usado como referência nos dados financeiros mais recentes da varejista.
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Durante a teleconferência de resultados, a companhia afirmou que procura um “ponto ótimo” entre despesas e margem operacional, sem comprometer a estrutura necessária para manter as atividades e sustentar a expansão.
“Fizemos uma redução e temos uma disciplina importante. Se você reduz demais, é um problema, e se reduz de menos, fica com despesa. Mas tem outras despesas, que não são gente, que vamos continuar fazendo”, afirmou Ilson Mateus Rodrigues, CEO e fundador do Grupo Mateus.
Demissões no Grupo Mateus miram corte de despesas
No primeiro trimestre de 2026, as despesas operacionais somaram R$ 1,6 bilhão, valor que representa alta de 29,3% na comparação anual, conforme dados divulgados pela companhia e citados pelo Valor Econômico.
Parte desse avanço veio da consolidação do Novo Atacarejo, operação concluída em 1º de julho de 2025, que passou a influenciar diretamente a base de custos do Grupo Mateus nos resultados mais recentes.
Além do efeito da aquisição, as despesas cresceram 10,8% na base ajustada, pressionadas também pela abertura de 17 lojas nos estados do Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.
Ações do Grupo Mateus reagem a relatório do BTG Pactual
Após a divulgação de um relatório do BTG Pactual, as ações do Grupo Mateus (GMAT3) avançam mais de 6%, em meio à avaliação de que parte dos desafios já foi incorporada ao valuation da companhia.
Embora tenha apontado pressões de curto prazo, o banco destacou preocupação com a desaceleração do consumo, a deflação dos alimentos e os desafios ligados à integração do Novo Atacarejo.
Ainda assim, o BTG manteve recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 9, ao citar o posicionamento regional do grupo e oportunidades de expansão em áreas menos penetradas do Norte e Nordeste.
Lucro líquido cai no primeiro trimestre de 2026
No primeiro trimestre de 2026, o Grupo Mateus registrou lucro líquido de R$ 212,9 milhões, resultado 21,8% menor que o apurado no mesmo período do ano anterior.
Também no período, o EBITDA pós-IFRS 16 totalizou R$ 543 milhões, com retração de 7,3% na comparação anual, enquanto a margem EBITDA ficou em 5,8%.
Apesar da queda nos indicadores de rentabilidade, a receita líquida chegou a R$ 9,4 bilhões, crescimento de 12,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Esse desempenho foi impulsionado pela consolidação do Novo Atacarejo, pela expansão das operações B2B e pelo aumento nas vendas de eletroeletrônicos, segmentos que ajudaram a sustentar o avanço da receita.
Vendas nas mesmas lojas recuam com consumo pressionado
O indicador de Same-Store Sales (SSS), usado para medir as vendas nas mesmas lojas, recuou 7,3% no período, refletindo um ambiente de consumo mais fraco.
Segundo a companhia, esse resultado foi influenciado pela deflação de alimentos, pelo maior endividamento das famílias e por mudanças no perfil de consumo, fatores que pressionaram o desempenho das lojas comparáveis.
Por outro lado, a margem bruta avançou 0,7 ponto percentual, chegando a 22,9%, em razão da estratégia de priorização da rentabilidade em canais de menor margem e de novas negociações com fornecedores.

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