Um país que nunca teve um trem de passageiros está prestes a inaugurar uma rede ferroviária que liga 7 emirados em menos de 2 horas
Os Emirados Árabes Unidos — um país construído sobre areia, petróleo e arranha-céus — nunca tiveram um trem de passageiros em toda a sua história.
Contudo, em 2026, isso vai mudar de forma dramática: a Etihad Rail, empresa estatal ferroviária, inaugura o primeiro serviço de trens de passageiros do país.
Dessa forma, uma nação que há menos de uma década não tinha um único metro de trilho para pessoas vai operar uma rede de 1.200 km conectando 11 cidades em todos os 7 emirados.
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Além disso, a viagem entre Abu Dhabi e Dubai — as duas maiores cidades do país — levará apenas 1 hora de trem, contra as quase 2 horas de carro em trânsito normal.
Portanto, os Emirados estão fazendo em menos de uma década o que muitos países — incluindo o Brasil — não conseguem fazer em meio século.

Construíram 900 km de trilhos no deserto em 3 anos — incluindo trechos onde a temperatura do solo chega a 60°C
De acordo com a Railway Technology, a rede ferroviária da Etihad Rail foi construída em fases, sendo que a expansão de 900 km foi concluída em fevereiro de 2023.
Consequentemente, os engenheiros tiveram que enfrentar desafios que não existem em nenhum outro projeto ferroviário do mundo: temperaturas do solo que chegam a 60°C, tempestades de areia que cobrem os trilhos em minutos e terreno arenoso instável que precisa de fundações especiais.
Além disso, a construção exigiu a importação de milhares de toneladas de brita e material de base de regiões montanhosas — porque o deserto plano não oferece pedra natural para lastro ferroviário.
Da mesma forma, os trilhos precisaram de especificações técnicas únicas para resistir à dilatação térmica extrema — o aço se expande significativamente quando a temperatura varia 40°C ou mais entre a madrugada e o meio-dia.
Ainda assim, os Emirados concluíram a obra dentro do prazo e do orçamento — algo que raramente acontece em projetos ferroviários ao redor do mundo.
Nesse sentido, construir ferrovia no deserto é, sob muitos aspectos, mais difícil do que construir em montanhas — e os Emirados provaram que é possível.
O custo: US$ 13,6 bilhões só para 256 km — e o projeto total faz parte de um plano de US$ 100 bilhões do Golfo
Conforme dados da Saipem, uma das construtoras envolvidas, o investimento apenas no trecho de 256 km entre Abu Dhabi e Dubai ultrapassou US$ 13,6 bilhões, concluído em março de 2022.
Por outro lado, a Etihad Rail faz parte de um programa ferroviário muito mais amplo: o GCC Railway, que prevê investimentos de US$ 100 bilhões para conectar todos os seis países do Conselho de Cooperação do Golfo — Arábia Saudita, Emirados, Catar, Kuwait, Bahrein e Omã.
De fato, quando o GCC Railway estiver completo, será possível viajar de trem de Muscat (Omã) até o Kuwait — uma distância de quase 2.000 km que hoje só pode ser percorrida por rodovia ou avião.
Consequentemente, a Etihad Rail não é apenas uma ferrovia nacional — é a espinha dorsal de uma rede regional que pode transformar a logística de toda a Península Arábica.
Sobretudo, o investimento por quilômetro da Etihad Rail — US$ 53 milhões/km no trecho Abu Dhabi–Dubai — é significativamente maior que a média global, refletindo o custo extra de construir no deserto e a qualidade premium da infraestrutura.

Abu Dhabi a Dubai em 1 hora, Fujairah em 90 minutos: os trens vão a 200 km/h com capacidade para 400 passageiros
Segundo o Gulf News, os trens de passageiros da Etihad Rail circularão a até 200 km/h, com capacidade para 400 passageiros por composição.
Além disso, cada trem contará com Wi-Fi completo, tomadas individuais em todos os assentos e design interior moderno — um padrão comparável aos trens europeus mais avançados.
As primeiras rotas de passageiros conectarão Abu Dhabi, Dubai e Fujairah, com a estação principal em Dubai sendo construída ao lado da Jumeirah Golf Estates Metro Station — integrando trem, metrô e ônibus em um único hub.
Da mesma forma, estações estão sendo construídas em Sharjah (perto da University City), Fujairah (no centro da cidade) e ao longo do corredor Abu Dhabi–Al Ain.
Como resultado, pela primeira vez na história dos Emirados, será possível acordar em Abu Dhabi, trabalhar em Dubai e voltar para casa no mesmo dia — tudo de trem, sem congestionamento e sem dependência de carro.
Igualmente, a operação será conduzida por uma joint venture entre a Etihad Rail e a francesa Keolis, uma das maiores operadoras ferroviárias do mundo.
A rede completa: 1.200 km, 11 cidades, 7 emirados — do extremo oeste de Abu Dhabi à costa leste de Fujairah
A rede completa de passageiros da Etihad Rail terá 1.200 km de trilhos, conectando 11 cidades e regiões em todos os sete emirados do país.
Por consequência, a ferrovia se estenderá de Al Sila, no extremo oeste de Abu Dhabi (fronteira com a Arábia Saudita), até Fujairah, na costa leste voltada para o Oceano Índico.
No entanto, a rede de carga já opera desde 2023, transportando principalmente enxofre granulado das jazidas de gás de Shah e Habshan até o porto de Ruwais — reduzindo em 70% o número de caminhões nas rodovias.
Portanto, a Etihad Rail já provou seu valor econômico antes mesmo de transportar o primeiro passageiro.
Apesar disso, o verdadeiro teste virá quando os trens de passageiros entrarem em operação e os emiradenses — acostumados a uma cultura automobilística tão intensa quanto a americana — decidirem se estão dispostos a trocar o carro pelo trem.

A lição dos Emirados para o mundo: do zero à rede ferroviária completa em menos de uma década
O caso da Etihad Rail é um dos exemplos mais impressionantes de infraestrutura planejada e executada como projeto de Estado na história recente.
De fato, os Emirados não tinham tradição ferroviária, não tinham engenheiros especializados em trilhos e não tinham nem mesmo terreno adequado para construir — e mesmo assim entregaram 900 km em 3 anos.
Além disso, o país tratou a ferrovia como prioridade nacional irrevogável: financiamento garantido, cronograma rígido, contratação das melhores empresas globais e execução em fases com entregas parciais que geravam resultados imediatos.
Os Emirados saíram do zero para uma ferrovia nacional completa em menos tempo do que o Brasil leva para licitar um único trecho da FIOL e outras ferrovias brasileiras.
A pergunta que os Emirados respondem não é “se” é possível construir ferrovia rápido — mas por que outros países, com mais recursos e mais território, não conseguem fazer o mesmo.

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