Cargueiro militar desenvolvido no Brasil reúne velocidade elevada, carga útil de 26 toneladas e operação em pistas não pavimentadas, enquanto a Embraer registra novos contratos e seleções do KC-390 Millennium em países da Otan e em outros mercados internacionais.
A Embraer usa o KC-390 Millennium para ampliar sua atuação no mercado global de transporte militar, com uma aeronave desenvolvida no Brasil para missões de carga, reabastecimento em voo, evacuação aeromédica, combate a incêndios, busca e salvamento e apoio humanitário.
Em operação na Força Aérea Brasileira desde 2019, o cargueiro combina velocidade de 470 nós, carga útil de até 26 toneladas e capacidade de pousar em pistas temporárias ou não pavimentadas, conforme dados divulgados pela fabricante.
A campanha institucional mais recente da empresa apresenta comparações com cargueiros turboélice tradicionais, segmento em que o KC-390 aparece como uma opção de transporte militar com maior velocidade de cruzeiro e diferentes configurações de missão.
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Na comunicação do programa, a fabricante destaca três pontos técnicos da aeronave: desempenho em voo, versatilidade operacional e custo de operação menor em relação a modelos anteriores usados em funções semelhantes.
KC-390 avança em contratos com países da Otan
Na Europa, o programa passou a ter contratos e seleções envolvendo países da Organização do Tratado do Atlântico Norte, o que ampliou a presença da aeronave em forças aéreas que seguem padrões comuns de interoperabilidade militar.
Portugal recebeu o primeiro C-390 em configuração da Otan em 2023, enquanto Holanda, Áustria, República Tcheca e Suécia passaram a integrar a lista de clientes ou parceiros do programa nos anos seguintes.

Em outubro de 2025, a Suécia formalizou a compra de quatro aeronaves C-390, em um acordo associado a uma iniciativa europeia conjunta com Holanda e Áustria para operação e apoio da plataforma.
O contrato sueco incluiu ainda sete opções de compra, mecanismo que permite novas aquisições dentro do mesmo arranjo de cooperação e pode ampliar a frota vinculada ao grupo europeu nos próximos anos.
Durante a cerimônia em Uppsala, o ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson, afirmou que a aquisição faz parte da modernização da Força Aérea sueca e deve ampliar a interoperabilidade com parceiros europeus.
Na mesma ocasião, o presidente da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Junior, declarou que a entrada da Suécia reforça a posição do C-390 no mercado europeu de transporte tático militar.
Velocidade e carga útil diferenciam o cargueiro brasileiro
Projetado para transporte militar de média capacidade, o KC-390 pode levar tropas, veículos, cargas paletizadas e equipamentos em missões logísticas, além de operar em diferentes perfis de voo conforme a configuração escolhida.
Segundo a Embraer, a aeronave pode transportar até 26 toneladas e voar a 470 nós, velocidade equivalente a cerca de 870 km/h, acima da registrada por cargueiros turboélice usados em funções semelhantes.
Essa combinação diminui o tempo de deslocamento em rotas logísticas e pode aumentar a capacidade de resposta em emergências, especialmente em operações que dependem de transporte rápido de suprimentos, pessoal ou equipamentos.
Além da função de cargueiro, o avião pode ser reconfigurado para lançamento de paraquedistas, transporte aeromédico, missões humanitárias, busca e salvamento, combate a incêndios e reabastecimento em voo.
Entre as características operacionais divulgadas pela fabricante está a capacidade de atuar em ambientes com infraestrutura limitada, condição exigida em parte das missões militares e de apoio humanitário.
A aeronave pode operar em pistas temporárias ou não pavimentadas, incluindo solo compactado, terra e cascalho, recurso relevante para forças aéreas que precisam pousar fora de aeroportos convencionais.

Operações e demonstrações internacionais do programa
Depois da entrada em serviço no Brasil, o C-390 passou a operar também em Portugal e na Hungria, países que incorporaram a aeronave às suas respectivas frotas militares em etapas posteriores do programa.
Em comunicado divulgado em dezembro de 2024, a Embraer informou que a frota em operação acumulava mais de 15,5 mil horas de voo, com taxa de capacidade de missão de 93% e índice de conclusão de missões superior a 99%.
Já em abril de 2026, a fabricante afirmou que o KC-390 havia concluído uma turnê internacional de demonstração após voar mais de 47 mil milhas náuticas, realizar 54 voos e passar por 11 países.
A campanha somou cerca de 140 horas de voo e incluiu operações em diferentes condições climáticas, com apresentações realizadas em ambientes de frio severo no Ártico e em regiões quentes e úmidas da Ásia.
Durante essa agenda, a Embraer informou que o avião transportou contêineres, módulos médicos, veículos leves e pesados e cargas paletizadas, em demonstrações voltadas a potenciais operadores militares.
A turnê foi usada pela empresa para apresentar a aeronave a novos mercados e demonstrar configurações de transporte tático e logístico, sem alterar os dados técnicos já divulgados para o programa.
Lista de clientes supera os primeiros contratos divulgados

A relação de países associados ao C-390 mudou desde os primeiros contratos mencionados pela Embraer, porque novas seleções e encomendas foram anunciadas em comunicados da fabricante e reportagens de agências internacionais.
Em dezembro de 2024, a empresa informou que um cliente não revelado havia se tornado a décima nação a selecionar o avião, após Brasil, Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria, República Tcheca, Suécia e Eslováquia.
Em maio de 2026, a Reuters informou, por meio do InfoMoney, que os Emirados Árabes Unidos fizeram uma encomenda firme do KC-390, primeira compra divulgada da aeronave por um país do Oriente Médio.
A reportagem também apontou que o cargueiro já havia sido encomendado, além do Brasil, por Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca, Coreia do Sul, Suécia, Lituânia, Eslováquia e Uzbequistão.
Outro processo em andamento envolve a Grécia, onde uma comissão do Parlamento aprovou em 11 de junho de 2026 a aquisição de três aeronaves C-390, segundo informações publicadas pela Reuters.
A mesma reportagem informou que a compra grega ainda dependia do aval do KYSEA, principal órgão de decisão do país para assuntos de defesa e política externa, etapa necessária antes da conclusão do processo.
O aumento da carteira internacional ocorre em meio a programas de renovação de frotas militares antigas, sobretudo na Europa, onde governos avaliam substituições para aeronaves de transporte em serviço há várias décadas.
Holanda e Áustria formalizaram em julho de 2024 a compra conjunta de nove C-390, sendo cinco para os holandeses e quatro para os austríacos, com entregas previstas entre 2027 e 2030.
A Embraer não divulga todos os valores dos contratos, mas inclui o C-390 entre as principais plataformas de sua divisão de defesa, ao lado de outros produtos voltados a forças armadas e operadores governamentais.
Com clientes e seleções na América do Sul, Europa, Ásia e Oriente Médio, o programa amplia a presença brasileira em um segmento de transporte militar que conta com fabricantes dos Estados Unidos e da Europa.

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