Desenvolvido pela Universidade de Amsterdã, o processo de liquefação solvotérmica transforma plástico misturado em óleo sem precisar separar os tipos. O reator piloto chegou ao nível de maturidade 6/7, mas o teste real com lixo urbano na Espanha ainda está por vir, neste verão europeu.
Um reator piloto de 25 litros conseguiu, em apenas 30 minutos, cozinhar plástico misturado e transformá-lo em óleo capaz de recriar plástico novo. A tecnologia foi desenvolvida pela Universidade de Amsterdã e promete fechar o ciclo da reciclagem, gerando um material idêntico ao plástico feito a partir de combustível fóssil. O teste decisivo, com resíduos urbanos reais, começa neste verão na Espanha.
Segundo a reportagem da jornalista Mrigakshi Dixit, o processo se chama liquefação solvotérmica e combina solvente, calor, catalisadores e alta pressão. O resultado é um óleo marrom escuro, rico nos monômeros necessários para fabricar plástico de alta qualidade. A planta móvel, montada sobre estruturas de aço, será hospedada pela empresa pública de resíduos COGERSA, no norte da Espanha.
Um reator piloto que cozinha plástico sem precisar separar

Desenvolvido pelo Grupo de Engenharia de Catálise da Universidade de Amsterdã, o processo de liquefação solvotérmica aceita o fluxo de plástico misturado do jeito que ele chega, sem exigir que trabalhadores ou sensores ópticos separem, por exemplo, o polietileno do polipropileno.
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Os resíduos são colocados direto no reator piloto de 25 litros.
Lá dentro, a transformação acontece em poucos minutos.
Os resíduos são jateados com solvente, submetidos a altas temperaturas e expostos a alta pressão, com a ajuda de catalisadores sólidos nanoestruturados desenvolvidos pela equipe.
Segundo a reportagem, essas estruturas microscópicas aceleram a quebra química sem serem consumidas, e em apenas 30 minutos as ligações moleculares do plástico se rompem.
Do lixo ao óleo que vira plástico novo
O reator piloto não gera um produto só, mas três.
De acordo com a reportagem, o processo separa os resíduos em gás, que é reaproveitado para alimentar o próprio sistema, carvão, filtrado como subproduto sólido, e um óleo marrom escuro.
É esse óleo que concentra o valor da tecnologia, por ser rico nos monômeros puros usados para fabricar plástico novo.
É aí que entra a promessa de fechar o ciclo da reciclagem.
Segundo os pesquisadores, o plástico obtido a partir desse óleo é idêntico ao material feito de combustíveis fósseis, superando a degradação que costuma ocorrer na reciclagem mecânica, quando o plástico é apenas derretido.
Vale dizer que esse desempenho foi demonstrado em laboratório e na escala do reator piloto, e ainda precisa se confirmar fora dela.
Da bancada à indústria, o salto mais difícil
Levar uma descoberta de laboratório para o mundo real é onde muitos projetos fracassam.
A própria reportagem lembra que inovações acadêmicas morrem em laboratórios todos os dias porque reproduzi-las em larga escala é muito difícil.
Para tentar furar esse bloqueio, a tecnologia recebeu mais de 1,5 milhão de euros, cerca de R$ 8 milhões, dentro do projeto europeu PLASTICE, de 20 milhões de euros, aproximadamente R$ 110 milhões.
Com esse apoio, o reator piloto saiu do papel.
Segundo a publicação, a tecnologia atingiu o nível de maturidade tecnológica 6/7, etapa em que, na engenharia, ela é considerada pronta para aplicação prática.
Os pesquisadores de Amsterdã se uniram a uma empresa de engenharia industrial na Índia para fabricar uma planta robusta e transportável, com tanques de armazenamento, software de controle remoto e mecanismos de segurança, montada sobre estruturas de aço chamadas skids.
O teste decisivo no lixo real da Espanha
A prova de fogo, porém, ainda está por vir.
De acordo com a reportagem, na Espanha a empresa pública de gestão de resíduos COGERSA vai sediar a planta piloto, que, pela primeira vez, funcionará com fluxos brutos de resíduos sólidos urbanos, e não mais com amostras controladas de laboratório.
É a diferença entre o ambiente previsível da bancada e o caos do lixo doméstico real.
Os próprios cientistas reconhecem que haverá surpresas.
O professor associado Shiju Raveendran afirma que os testes de laboratório já incluíram plástico real, mas que a equipe deve encontrar desafios difíceis de prever, e que esse é justamente o propósito da fase de ampliação, levar a tecnologia “a uma relevância industrial genuína”.
Se o reator piloto resistir à composição caótica do lixo espanhol neste verão, o caminho pode se abrir para usinas de reciclagem modulares e descentralizadas pelo mundo.
O reator piloto de 25 litros aponta uma rota promissora para um dos maiores problemas ambientais do planeta, o destino do plástico.
Em vez de aterro ou incineração, o resíduo poderia voltar a ser plástico novo, em um ciclo realmente fechado.
Por enquanto, no entanto, trata-se de uma tecnologia em fase piloto, cujo teste mais importante, com lixo urbano de verdade, só começa agora na Espanha.
E você, acredita que transformar lixo plástico em óleo e depois em plástico novo pode virar realidade em larga escala? Acha que soluções assim poderiam ajudar o Brasil a lidar com seus resíduos? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes visões, e compartilhe esta matéria com quem se interessa por inovação e meio ambiente.


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