1. Início
  2. Curiosidades
  3. Eles deram a volta na Lua e agora estão voltando para casa: os astronautas da Artemis II fazem os últimos preparativos para uma descida a 38 mil quilômetros por hora com pouso no oceano previsto para esta sexta às 21h de Brasília
Faça um comentário 7 min de leitura

Eles deram a volta na Lua e agora estão voltando para casa: os astronautas da Artemis II fazem os últimos preparativos para uma descida a 38 mil quilômetros por hora com pouso no oceano previsto para esta sexta às 21h de Brasília

Imagem de perfil do autor Maria Heloisa Barbosa Borges
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 10/04/2026 às 13:49 Atualizado em 10/04/2026 às 13:52
Os astronautas da Artemis II da NASA voltam da Lua nesta sexta com pouso no Pacífico às 21h07 de Brasília. Acompanhe a reentrada ao vivo. imagem: NASA
Os astronautas da Artemis II da NASA voltam da Lua nesta sexta com pouso no Pacífico às 21h07 de Brasília. Acompanhe a reentrada ao vivo. imagem: NASA
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

A NASA confirmou que o retorno da Artemis II à Terra acontece nesta sexta-feira, com pouso no oceano previsto para as 21h07 de Brasília na costa de San Diego. Os quatro astronautas enfrentam a reentrada atmosférica a 40 mil km/h, a fase mais perigosa da missão que levou humanos de volta à Lua após 53 anos.

A Lua nunca esteve tão perto de voltar ao centro da história humana quanto agora. Nesta sexta-feira (10), os quatro astronautas da missão Artemis II completam a etapa mais arriscada de sua viagem de 10 dias: a reentrada na atmosfera terrestre a aproximadamente 40 mil quilômetros por hora e o pouso no Oceano Pacífico. A cápsula Orion, batizada de Integrity pela tripulação, deve tocar a água por volta das 21h07 no horário de Brasília, na costa de San Diego, Califórnia, encerrando a primeira missão tripulada ao redor da Lua desde a Apollo 17, em 1972.

O que está em jogo não é apenas o retorno seguro de Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. A reentrada é o teste definitivo do escudo térmico da Orion, um componente que apresentou problemas na missão não tripulada Artemis I em 2022. A NASA ajustou a trajetória de descida para reduzir a exposição ao calor extremo, mas reconhece que esta é a fase de maior risco de toda a missão. Seis minutos de apagão de comunicação, temperaturas de 2.700 graus Celsius e forças gravitacionais de até 3,9 vezes o peso normal do corpo tudo isso enquanto a Lua, que eles acabaram de contornar, fica para trás no retrovisor cósmico.

A volta pela Lua que quebrou um recorde de 55 anos

A Artemis II não é apenas a primeira missão tripulada ao redor da Lua em mais de meio século. Ela também estabeleceu um novo recorde absoluto de distância percorrida por seres humanos no espaço. Na segunda-feira (6), a cápsula Orion atingiu 406.777 quilômetros da Terra, superando em mais de 6 mil quilômetros a marca da Apollo 13, que desde 1970 detinha o recorde. O momento foi registrado às 14h57, horário de Brasília, enquanto a nave se aproximava da esfera de influência gravitacional da Lua.

Durante o sobrevoo lunar, que durou cerca de seis horas, os astronautas observaram a olho nu regiões do lado oculto da Lua que nenhum ser humano havia visto antes sob a luz solar.

A nave chegou a apenas 6.545 quilômetros da superfície lunar uma proximidade que permitiu observações detalhadas de crateras e bacias que complementam décadas de dados obtidos por sondas não tripuladas. Jeremy Hansen, o astronauta canadense da missão, sugeriu batizar uma das crateras observadas de “Cratera Carroll”, em homenagem à falecida esposa do comandante Reid Wiseman. A passagem pelo lado oculto da Lua incluiu 40 minutos de completo silêncio de rádio, enquanto a massa lunar bloqueava todas as comunicações com a Terra.

O que acontece nas próximas horas antes do pouso

Segundo o portal da CBN, o último dia completo no espaço começou com a música “Run to the Water”, da banda Liveuma escolha adequada para uma tripulação que está a horas de pousar no oceano. Os astronautas iniciaram os preparativos finais para a reentrada, organizando a cabine da Orion, guardando equipamentos e ajustando os assentos para suportar as forças extremas da descida.

A NASA confirmou que as condições meteorológicas na zona de pouso estão dentro dos parâmetros aceitáveis.

Antes da reentrada propriamente dita, a cápsula Orion executará uma sequência precisa de manobras. Cerca de 42 minutos antes do splashdown, o módulo de serviço será descartado, deixando apenas a cápsula tripulada para enfrentar a atmosfera.

Por volta das 19h37, horário de Brasília, a Orion realizará uma queima de ajuste fino para posicionar a nave na atitude correta. Às 19h53, a cápsula entra na atmosfera a 122 quilômetros de altitude, iniciando uma descida de 13 minutos e 3.287 quilômetros até o ponto de pouso no Pacífico. A Lua, que durante seis horas dominou as janelas da cápsula, terá ficado definitivamente para trás.

Os seis minutos de silêncio que vão definir a missão

O momento mais tenso da descida será o apagão de comunicação previsto para durar aproximadamente seis minutos, a partir das 19h53. Quando a Orion atinge a atmosfera a 40 mil km/h, o ar à frente da cápsula se comprime com violência extrema, gerando uma camada de plasma a cerca de 2.700 graus Celsius temperatura superior à da lava vulcânica. Esse envelope de gás ionizado bloqueia todas as transmissões de rádio entre a nave e o controle da missão em Houston.

Durante esses seis minutos, os astronautas estarão completamente sozinhos. É nesse intervalo que o escudo térmico da Orion faz seu trabalho mais crítico, absorvendo e dissipando o calor por meio de um revestimento ablativo chamado Avcoat, que foi projetado para queimar e se desintegrar de forma controlada.

A tripulação experimentará forças de até 3,9 vezes a gravidade terrestre enquanto a cápsula desacelera violentamente. A NASA reconhece que este é o ponto de maior risco da missão e que, até que as comunicações sejam restauradas, não há como confirmar se tudo está correndo como planejado. A Lua, com toda sua beleza observada dias antes, ficará irrelevante se o escudo falhar.

Onze paraquedas entre os astronautas e o oceano

Depois de atravessar a atmosfera e emergir do apagão de comunicação, a Orion ainda estará viajando rápido demais para um pouso seguro. A partir desse ponto, uma sequência de 11 paraquedas será acionada em etapas precisas para desacelerar a cápsula de milhares de quilômetros por hora até modestos 32 km/h. O sistema inclui paraquedas de estabilização, freios aerodinâmicos e três paraquedas principais de grande porte.

Os primeiros paraquedas de estabilização se abrem a cerca de 6,7 quilômetros de altitude, por volta das 20h03. Os três paraquedas principais são liberados a aproximadamente 1,8 quilômetro do solo, reduzindo a velocidade da cápsula para a faixa segura de impacto com a água.

É o mesmo sistema testado na Artemis I, mas agora com quatro vidas humanas dependendo de cada costura e cada cabo. O pouso da Orion no Pacífico marcará o primeiro splashdown de uma cápsula tripulada vinda da Lua desde dezembro de 1972 quando os astronautas da Apollo 17 fizeram o mesmo trajeto que a Artemis II agora repete com tecnologia do século XXI.

O resgate no mar e o que vem depois da Lua

Assim que a Orion tocar a água, equipes da NASA e do Departamento de Defesa dos Estados Unidos entrarão em ação. O navio militar USS John P. Murtha estará posicionado na zona de pouso, acompanhado por helicópteros MH-60 Seahawk e uma equipe de elite de mergulhadores da Marinha. O plano é extrair os quatro astronautas da cápsula em até duas horas e transportá-los de helicóptero até o navio para exames médicos iniciais.

Após as avaliações a bordo do USS Murtha, a tripulação segue para o Centro Espacial Johnson, em Houston, no Texas, onde continuará o acompanhamento pós-missão.

A Artemis II é a primeira de uma série de missões que planejam devolver seres humanos à superfície da Lua.

A NASA prevê que a Artemis III, prevista para o início de 2028, incluirá manobras de acoplamento em órbita terrestre, enquanto a Artemis IV, no final de 2028, tentará pousar dois astronautas perto do polo sul lunar preparando o terreno para o que a agência espera que se torne uma presença humana sustentável na Lua.

Por que a Artemis II importa além do feito espacial

É tentador tratar o retorno da Artemis II como uma repetição da era Apollo com roupagem moderna. Mas a missão representa algo estruturalmente diferente. Pela primeira vez, a tripulação de um voo lunar inclui uma mulher (Christina Koch), uma pessoa negra (Victor Glover) e um astronauta canadense (Jeremy Hansen) um perfil de diversidade impensável nos anos 1960.

A missão de 10 dias testou sistemas de suporte de vida, navegação e proteção térmica que serão essenciais para todas as missões lunares futuras.

A Lua voltou a ser o destino declarado das agências espaciais do mundo, e a Artemis II é o passo que transforma esse plano em realidade operacional. O escudo térmico, os paraquedas, a trajetória de retorno livre e o splashdown oceânico tudo será validado ou questionado nas próximas horas.

Se os quatro astronautas emergirem da cápsula Orion sãos e salvos no Pacífico, a humanidade terá confirmado que possui a tecnologia para voltar à Lua e, eventualmente, ir além dela. O relógio marca a contagem regressiva: às 21h07 de Brasília, a resposta estará na água.

A Artemis II está a horas de completar a primeira viagem tripulada à Lua em mais de meio século. Você vai acompanhar o pouso ao vivo? Acredita que a humanidade deveria investir mais na exploração da Lua ou priorizar outros desafios aqui na Terra?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x