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Ele trocou o cargo de gerente de uma empresa italiana por um pequeno sítio em Minas Gerais e, aos 79 anos, cultiva horta, cria galinhas e afirma que abriu mão de um alto salário para conquistar algo que o dinheiro não comprava: qualidade de vida

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Escrito por Felipe Alves da Silva Publicado em 30/07/2026 às 13:21 Atualizado em 30/07/2026 às 13:22
Assista o vídeoAgricultor de 79 anos alimentando frangos caipiras em pequeno sítio com horta, pomar e produção sustentável de alimentos em Minas Gerais.
Idoso de 79 anos transformou um pequeno sítio em Minas Gerais em um sistema diversificado de produção de frangos caipiras, hortaliças, frutas e alimentos para consumo próprio.
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Depois de décadas ocupando um cargo de liderança em uma multinacional e viajando por praticamente todo o Brasil, Valdir decidiu abandonar a vida corporativa para construir uma rotina voltada à produção de alimentos, ao aprendizado constante e à tranquilidade do interior mineiro, onde vive há 27 anos.

Durante décadas, trabalhar em grandes empresas e ocupar cargos de liderança foi considerado o caminho natural para quem buscava estabilidade financeira. Entretanto, para algumas pessoas, chega um momento em que qualidade de vida passa a valer mais do que salários elevados, viagens constantes e a rotina acelerada dos grandes centros urbanos.

Foi exatamente essa decisão que transformou completamente a vida de Valdir. Aos 79 anos, ele vive em uma propriedade rural de apenas um alqueire — aproximadamente 2,4 hectares — localizada em Pratápolis, no sudoeste de Minas Gerais, próximo à divisa com Itaú de Minas. Ali, desenvolveu um sistema de produção que combina criação de frangos caipiras, horta, pomar, cultivo de mudas e diversos projetos voltados para a autossuficiência alimentar.

A história ganhou destaque após ser apresentada pelo canal Eduardo Pádua, que visitou a propriedade para mostrar como o produtor conseguiu transformar um pequeno pedaço de terra em um espaço altamente produtivo, organizado e planejado. Conforme mostrado na reportagem do canal, cada detalhe da chácara foi pensado para reduzir desperdícios, melhorar a produção e aumentar a independência da família.

O que mais chama atenção, porém, não é apenas a estrutura construída ao longo dos anos, mas sim a filosofia adotada por Valdir. Depois de deixar para trás uma carreira de sucesso, ele passou a acreditar que produzir o próprio alimento seria uma das decisões mais importantes para enfrentar os desafios do futuro.

Da carreira em uma multinacional para a tranquilidade do interior

Agricultor de 79 anos alimentando frangos caipiras em pequeno sítio com horta, pomar e produção sustentável de alimentos em Minas Gerais.
Agricultor de 79 anos alimentando frangos caipiras em pequeno sítio com horta, pomar e produção sustentável de alimentos em Minas Gerais.

Muito antes de viver cercado por árvores frutíferas, galinheiros e hortaliças, Valdir ocupava um cargo de grande responsabilidade em uma empresa italiana considerada uma das maiores do país em seu segmento.

Segundo ele, sua função exigia viagens constantes por praticamente todo o Brasil. O ritmo intenso fazia parte da rotina, mas chegou um momento em que a busca por qualidade de vida falou mais alto.

Ao recordar a decisão, ele contou que seu diretor sequer queria aceitar seu pedido de desligamento. O motivo parecia simples, mas representava uma mudança completa de prioridades: enquanto muitos buscavam promoções e aumentos salariais, ele desejava apenas viver com mais tranquilidade.

Mesmo recebendo um excelente salário, decidiu deixar a carreira corporativa para investir em um sonho construído durante anos de estudos e planejamento.

A escolha não aconteceu por impulso. Antes mesmo de comprar a propriedade, Valdir revelou que passou cerca de um ano e meio estudando livros sobre agricultura, criação de animais, manejo rural e diversas técnicas capazes de aumentar a produtividade de pequenas propriedades.

Esse período de preparação permitiu que cada investimento fosse realizado com planejamento, reduzindo erros e aproveitando ao máximo os recursos disponíveis.

Além disso, sua experiência profissional como mecânico industrial e gerente contribuiu para desenvolver soluções práticas dentro da propriedade, utilizando conhecimentos técnicos em irrigação, estruturas, automação e organização dos espaços.

Mais de 150 frangos, galinheiros separados e manejo baseado na experiência

Produtor rural cuida de frangos caipiras em propriedade de 2,4 hectares cercada por horta, pomar e sistemas de produção sustentável no interior de Minas Gerais.
Produtor rural cuida de frangos caipiras em propriedade de 2,4 hectares cercada por horta, pomar e sistemas de produção sustentável no interior de Minas Gerais.

Hoje, uma das principais atividades da propriedade é a criação de frangos caipiras.

Durante a visita, Valdir mostrou um dos lotes com aproximadamente 70 aves entre machos e fêmeas, além de outro grupo com cerca de 80 animais mais jovens, totalizando mais de 150 frangos distribuídos em diferentes espaços da propriedade.

A divisão não acontece por acaso.

Segundo ele, a experiência mostrou que misturar aves de diferentes tamanhos pode provocar diversos problemas. Os frangos maiores acabam impedindo que os menores tenham acesso adequado à alimentação e, em alguns casos, podem até provocar mortes devido à diferença de peso.

Por isso, cada lote permanece separado até atingir um desenvolvimento semelhante.

Outro aprendizado importante veio durante a construção dos galinheiros.

Inicialmente, as aves não foram acostumadas a utilizar poleiros nos primeiros 30 dias de vida. Como consequência, muitas passaram a dormir amontoadas no chão, situação que favorece o aparecimento de problemas sanitários.

Mesmo após a instalação dos poleiros, parte das aves manteve o hábito antigo, obrigando o produtor a reorganizar completamente o manejo dos galinheiros.

Além da divisão por idade, os pintinhos recebem um tratamento específico logo após o nascimento.

Durante aproximadamente 20 a 25 dias — podendo chegar a 30 dias em alguns casos — permanecem sob aquecimento com duas lâmpadas. Depois que desenvolvem penas suficientes para manter a própria temperatura corporal, o sistema de aquecimento é retirado.

Outro detalhe observado durante a visita foi o sistema de piquetes.

Atualmente, a propriedade possui dois piquetes em funcionamento e um terceiro em fase de implantação. A ideia é ampliar gradualmente a área destinada ao pastejo das aves, permitindo maior aproveitamento do terreno e reduzindo a pressão sobre a vegetação.

Segundo Valdir, parte da nova estrutura utilizará cerca elétrica em vez de telas convencionais, reduzindo significativamente os custos da instalação.

Ele explicou que os fios são posicionados em alturas específicas — aproximadamente 6, 8 e 16 centímetros — criando uma barreira eficiente para manter as aves protegidas e afastar possíveis predadores.

A horta produz praticamente o ano inteiro e reduz a dependência do mercado

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Além da criação de frangos caipiras, a propriedade também chama atenção pela diversidade de alimentos cultivados.

Logo durante a caminhada pelo sítio, Valdir apresentou uma horta repleta de hortaliças produzidas para o consumo da própria família. Entre elas estão alface, chicória, rúcula, pimentão, jiló, berinjela e tomate, além de diversas ervas medicinais e temperos naturais.

O produtor explica que boa parte do adubo utilizado vem da própria criação de aves.

Segundo ele, a cama de frango é aproveitada para enriquecer o solo e aumentar a produtividade das plantações, reduzindo a necessidade de fertilizantes comerciais. Ao mesmo tempo, os próprios animais ajudam no controle natural de pragas, consumindo pequenos insetos, escorpiões e até cobras de pequeno porte, diminuindo sua proliferação na propriedade.

Durante a visita, ele mostrou orgulho do sistema integrado que conseguiu construir ao longo dos anos.

Enquanto as aves produzem adubo para a horta, a vegetação serve de alimento para os frangos, criando um ciclo sustentável que reduz custos e melhora o aproveitamento do terreno.

Valdir também explicou que algumas culturas exigem cuidados específicos.

A rúcula, por exemplo, precisa ser cultivada sob sombrite para evitar o ataque de borboletas, que depositam ovos sobre as folhas. Poucos dias depois, as lagartas podem comprometer completamente a produção.

Segundo ele, esse conhecimento foi adquirido por meio de muito estudo, leitura e prática no campo, permitindo antecipar problemas antes mesmo que eles aconteçam.

Outro objetivo da família é ampliar significativamente o cultivo de tomates.

A ideia é deixar de comprar o produto no comércio para produzir toda a matéria-prima necessária para molhos naturais preparados na própria propriedade.

Além disso, o produtor afirma que pretende eliminar cada vez mais alimentos industrializados da alimentação diária.

Na avaliação dele, consumir produtos frescos produzidos no próprio sítio representa um investimento direto na saúde e na qualidade de vida.

Pomar diversificado, irrigação automática e até hidroponia fazem parte dos projetos

Quem visita a propriedade rapidamente percebe que o planejamento vai muito além dos galinheiros.

O sítio possui um pomar bastante diversificado, formado por aproximadamente 18 árvores cítricas, incluindo limão siciliano, limão-cravo, lima e diferentes variedades de laranja.

Além disso, há quatro tipos de mangueira, coqueiros, abacateiros, jabuticabeiras e outras espécies frutíferas que garantem produção durante boa parte do ano.

Segundo Valdir, quando a colheita é abundante, parte das frutas é transformada em polpas congeladas para consumo ao longo dos meses seguintes, evitando desperdícios.

Outro investimento importante foi a implantação de um sistema automatizado de irrigação.

A água utilizada vem de uma mina existente dentro da propriedade.

Com auxílio de temporizadores e válvulas automáticas, o produtor consegue programar exatamente o horário em que cada setor da horta receberá irrigação.

O sistema reduz o desperdício de água, economiza tempo e permite que as plantas recebam irrigação de maneira uniforme.

Entre os projetos mais interessantes apresentados durante a visita está a produção de milho hidropônico.

Valdir explicou que está concluindo um curso específico sobre hidroponia e pretende utilizar cerca de 15 canteiros para produzir alimento destinado às aves.

Segundo ele, o milho hidropônico permanece entre 30 e 35 dias em desenvolvimento antes de ser utilizado.

Nesse estágio, a concentração de nutrientes e proteínas ainda permanece elevada, tornando-se uma alternativa eficiente para complementar a alimentação dos frangos.

Inicialmente, ele construiu um protótipo para validar o sistema antes de ampliar a estrutura em escala maior.

Aos 79 anos, rotina intensa mostra que idade não impede novos projetos

Outro aspecto que impressiona quem conhece a propriedade é o ritmo de trabalho mantido pelo produtor.

Mesmo aos 79 anos, Valdir continua participando pessoalmente das atividades diárias, acompanha a construção de novos galinheiros, cultiva mudas, realiza manutenções e planeja futuras ampliações.

Durante a conversa, ele resumiu sua filosofia de vida em uma frase simples: para ele, o corpo funciona como uma máquina que não pode parar.

Segundo o produtor, permanecer ativo é fundamental para preservar a saúde física e mental.

A esposa também participa diretamente da rotina, ajudando na organização do jardim, na produção de mudas e na manutenção da propriedade, formando uma parceria que se tornou essencial para o sucesso do projeto.

Embora tenha iniciado sua vida rural pensando na produção de leite, Valdir revelou que abandonou a ideia após concluir que pequenos produtores acabam trabalhando muito para obter baixa rentabilidade.

Na época, a intenção era produzir cerca de 1.000 litros de leite por dia, mas, após analisar o mercado, decidiu seguir um caminho diferente, investindo em atividades com maior autonomia e agregação de valor.

Hoje, além de comercializar frangos caipiras diretamente para consumidores da região, ele continua estudando novas técnicas agrícolas, buscando formas de aumentar a eficiência da pequena propriedade sem perder o foco na produção sustentável.

Sua história mostra que tamanho da área nem sempre determina o potencial produtivo.

Com planejamento, conhecimento técnico, organização e disposição para aprender continuamente, um terreno de apenas 2,4 hectares foi suficiente para reunir criação de aves, horta, pomar, sistemas automatizados de irrigação, cultivo de mudas, projetos de hidroponia e produção diversificada de alimentos.

Mais do que um exemplo de empreendedorismo rural, a trajetória de Valdir evidencia que a busca por qualidade de vida pode transformar completamente a maneira de enxergar o trabalho, a alimentação e o futuro.

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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