Irara com leucismo foi acompanhada durante meses perto do Parque Nacional do Itatiaia e apresentou comportamento diferente nas bordas da floresta.
Uma irara com leucismo, rara condição genética que reduz parcialmente a pigmentação da pele e dos pelos, foi registrada em Resende, no Rio de Janeiro.
O animal apareceu em imagens produzidas por armadilhas fotográficas instaladas nos arredores do Parque Nacional do Itatiaia.
Segundo o Programa Carnívoros do Rio, este representa apenas o segundo registro conhecido de uma irara leucística no estado.
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O primeiro caso ocorreu em Visconde de Mauá, dentro do Parque Estadual da Pedra Selada.
Armadilhas fotográficas acompanharam o animal durante meses
O monitoramento foi realizado na Pousada Alto da Coruja, uma propriedade privada localizada próxima ao Parque Nacional do Itatiaia.
As câmeras permaneceram instaladas na área durante vários meses.
Os registros permitiram acompanhar parte do deslocamento e do comportamento do animal no ambiente natural.
A divulgação do caso ocorreu em 29 de julho de 2026, conforme informações apresentadas pelo Terra da Gente, do g1.
O leucismo provoca uma perda parcial da pigmentação.
Essa alteração genética deixa os pelos e determinadas áreas do corpo com aparência mais clara.
Comportamento nas bordas da floresta chama atenção
As imagens indicam que a nova irara utiliza preferencialmente áreas de borda da floresta.
Esse comportamento difere daquele observado no primeiro caso conhecido no estado.
Os pesquisadores avaliam que a escolha por locais mais abertos pode reduzir encontros com predadores de maior porte.
A maior incidência de luz também pode favorecer a procura e a captura de alimentos.
Novos estudos ainda precisam confirmar essa hipótese.
A equipe evita conclusões definitivas enquanto o monitoramento continua sendo analisado.

Monitoramento contabiliza 554 registros de fauna
O projeto participativo já contabilizou 554 registros de animais na propriedade acompanhada.
Espécies nativas, ameaçadas e invasoras foram identificadas pelas câmeras.
Entre os principais animais registrados estão:
- Onça-parda (Puma concolor);
- Gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus);
- Veado-catingueiro (Subulo gouazoubira);
- Javali (Sus scrofa).
A onça-parda e o gato-do-mato-pequeno aparecem entre as espécies ameaçadas identificadas no local.
O javali, por outro lado, é considerado uma espécie exótica invasora.
Propriedades privadas ampliam a proteção da fauna
Os resultados mostram a importância das propriedades particulares na conservação da biodiversidade.
Áreas preservadas próximas aos parques aumentam a disponibilidade de habitat para diferentes espécies.
Esses locais também funcionam como corredores ecológicos entre remanescentes da Mata Atlântica.
A conexão favorece o deslocamento dos animais entre áreas florestais distintas.
Populações de espécies nativas e ameaçadas também encontram mais espaços para circulação, alimentação e abrigo.
Presença do javali gera preocupação na região
O aparecimento do javali em mais uma localidade chamou a atenção dos pesquisadores.
A espécie pode ameaçar a fauna nativa e provocar alterações no equilíbrio ambiental.
Conflitos com produtores rurais e animais domésticos também podem ocorrer.
A transmissão de doenças representa outro risco associado à presença do animal.
Moradores participam da estratégia de conservação
A participação de produtores e moradores integra a proposta do Programa Carnívoros do Rio.
Yan Rodrigues, integrante da iniciativa, destacou que o monitoramento começa com o envolvimento da população local.
“Diferente das outras iniciativas no estado, estamos buscando começar o monitoramento com a participação dos produtores e moradores locais”, afirmou.
O projeto procura expandir as pesquisas para além dos limites oficiais das unidades de conservação.
As áreas do entorno também exercem papel importante na circulação da fauna.
Projeto também trabalha na prevenção de zoonoses
O programa recebe financiamento do Tigercats Conservation e do Bigcat Rescue.
A iniciativa mantém parceria com o Laboratório de Estudo da Interação Parasito-Hospedeiro, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Amostras de carrapatos são coletadas na região para análise.
Animais das propriedades participantes também recebem vacinação voltada à prevenção de zoonoses.
O trabalho coloca em prática o conceito de Saúde Única, integrando saúde animal, humana e ambiental.
O que o registro representa para a Mata Atlântica?
O aparecimento da irara com leucismo reforça a importância do monitoramento contínuo da fauna fluminense.
A descoberta também evidencia o valor das propriedades privadas conectadas às unidades de conservação.
A continuidade das pesquisas poderá esclarecer como a coloração diferente influencia o comportamento e a sobrevivência do animal.
Você acredita que propriedades particulares próximas às florestas deveriam receber mais apoio para monitorar e proteger animais silvestres? Deixe sua opinião!
