Um dos maiores especialistas em carros exóticos dos Estados Unidos resolveu colocar seu Bugatti Veyron Grand Sport à prova antes de qualquer grande reparo. Depois de percorrer cerca de 4 mil quilômetros, a inspeção revelou uma lista de defeitos que, em uma concessionária oficial, poderia custar mais de US$ 200 mil para ser corrigida. Ainda assim, a escolha do proprietário chamou a atenção de entusiastas e mecânicos.
Comprar um Bugatti Veyron Grand Sport costuma ser apenas o começo de uma longa lista de despesas. Considerado um dos hipercarros mais exclusivos já produzidos, o modelo exige revisões complexas, peças extremamente caras e manutenção especializada. Mesmo assim, Ed Bolian, fundador da plataforma VINwiki, decidiu fazer exatamente o que muitos proprietários evitam: usar o carro intensamente.
Depois de adquirir um Bugatti Veyron Grand Sport 2012 por um valor inferior ao normalmente praticado no mercado, Bolian percorreu aproximadamente 2.500 milhas, o equivalente a cerca de 4 mil quilômetros, para descobrir quais problemas realmente apareceriam no veículo.
Ao final da viagem, o hodômetro marcava cerca de 26 mil milhas (aproximadamente 42 mil quilômetros) e chegou o momento da inspeção completa realizada pela Miller Motorcars, oficina autorizada pela Bugatti nos Estados Unidos.
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O resultado mostrou que possuir um dos carros mais desejados do mundo pode significar conviver com contas igualmente extraordinárias.
Segundo reportagem publicada pelo portal Supercar Blondie, os reparos identificados poderiam ultrapassar US$ 200 mil caso todos fossem executados com peças originais e preços integrais praticados pela fabricante.
Proprietário já se definiu como “o dono de Bugatti mais pobre do mundo”

Ed Bolian nunca escondeu que comprar um Veyron exigiu criatividade.
Durante anos, ele acompanhou praticamente todos os Bugattis usados que apareciam no mercado norte-americano.
Analisou veículos recuperados de financiamento, carros reconstruídos após acidentes e até exemplares danificados por água salgada.
Como não podia comprar uma unidade impecável, aguardou até encontrar um Grand Sport vendido muito abaixo da média do mercado.
Depois de uma longa negociação, conseguiu fechar o negócio.
Desde então, passou a utilizar o carro regularmente, contrariando a prática comum entre muitos colecionadores, que preferem manter esses veículos praticamente sem rodar para preservar seu valor.
Inspeção revelou diversos problemas caros, mas nenhum deles impedia o uso

Após os 4 mil quilômetros percorridos, a Miller Motorcars realizou uma inspeção completa.
A lista de apontamentos incluía:
- pequenos vazamentos no radiador de óleo;
- infiltrações hidráulicas nos amortecedores com ajuste eletrônico;
- água acumulada em uma das lanternas laterais;
- pequenas fissuras na estrutura do teto removível;
- outros desgastes considerados naturais para um carro desse porte.
Segundo Bolian, caso todos os itens fossem corrigidos imediatamente utilizando exclusivamente peças novas e mão de obra oficial da Bugatti, o orçamento poderia atingir algumas centenas de milhares de dólares.
Ele próprio resumiu a situação.
Segundo o proprietário, bastaria abrir o talão de cheques e autorizar todos os serviços para que a conta facilmente alcançasse mais de US$ 200 mil.
Entretanto, havia um detalhe importante.
Nenhum dos problemas encontrados comprometia a segurança ou impossibilitava a utilização do veículo.
Garantia milionária havia sido recusada antes da inspeção

Outro detalhe tornou a situação ainda mais curiosa.
Antes dessa avaliação, Bolian havia recebido a oportunidade de contratar uma garantia estendida que cobriria entre US$ 150 mil e US$ 200 mil em eventuais reparos.
Ele recusou.
Na época, acreditava que seria mais vantajoso assumir os riscos do que pagar pelo serviço.
Quando a inspeção terminou, muitos imaginaram que a decisão havia sido um enorme erro.
Mas a conclusão foi diferente.
Como os defeitos encontrados foram classificados como não críticos, Bolian optou por não realizar imediatamente todos os reparos.
Em vez disso, decidiu continuar utilizando normalmente o hipercarro.
Segundo ele, nenhum dos problemas identificados diminui o prazer de dirigir o Veyron.
Manutenção do Veyron custa menos do que muitos imaginam — e muito mais em casos específicos
O Bugatti Veyron costuma aparecer frequentemente em reportagens sobre custos de manutenção.
Entretanto, Bolian afirma que algumas informações divulgadas na internet são exageradas.
Segundo ele, existe a ideia de que qualquer revisão anual custa cerca de US$ 21 mil, valor frequentemente utilizado em manchetes sobre o modelo.
Na prática, explica o proprietário, uma revisão bastante completa envolvendo troca de fluidos pode custar aproximadamente US$ 4 mil, dependendo dos serviços necessários.
Os custos realmente elevados aparecem quando componentes estruturais, hidráulicos ou eletrônicos precisam ser substituídos.
Peças produzidas em pequena escala, mão de obra altamente especializada e a própria exclusividade do veículo fazem com que qualquer intervenção de grande porte alcance valores muito acima dos observados em automóveis convencionais.
Um dos hipercarros mais exclusivos da história
O Bugatti Veyron Grand Sport foi apresentado oficialmente em 2008, durante o Pebble Beach Concours d’Elegance, na Califórnia.
A produção começou em 2009 e foi limitada a apenas 150 unidades em todo o mundo.
Em 2012, surgiu o Grand Sport Vitesse, que posteriormente estabeleceu o recorde mundial de velocidade para carros conversíveis de produção.
A produção do Veyron foi encerrada em 2015, quando a Bugatti entregou a 450ª e última unidade, abrindo caminho para seu sucessor, o Bugatti Chiron.
Mesmo anos após o fim da fabricação, o modelo continua sendo um dos automóveis mais valorizados do planeta e um dos exemplos mais extremos da engenharia automotiva moderna.
No caso de Ed Bolian, porém, o Veyron parece ter encontrado um destino diferente daquele reservado à maioria dos hipercarros.
Em vez de permanecer coberto em uma garagem climatizada, ele continua acumulando quilômetros.
Mesmo sabendo que novos reparos milionários podem surgir no futuro, o proprietário afirma que prefere aproveitar o carro enquanto pode.
Para ele, um Bugatti foi feito para ser dirigido — e não apenas admirado.
E você, teria coragem de continuar dirigindo um carro sabendo que ele pode esconder mais de US$ 200 mil em reparos futuros?

