O edifício não tem uma forma fixa porque cada andar gira 360 graus de forma independente e o perfil do prédio muda a cada minuto como uma escultura viva de 420 metros de altura
Imagine um arranha-céu que nunca tem a mesma aparência duas vezes no mesmo dia. De manhã, os andares estão alinhados como um prédio convencional. Ao meio-dia, os moradores giram seus apartamentos para acompanhar o sol.
À noite, o perfil do edifício se torceu tanto que parece uma hélice gigante contra o céu.
Essa é a proposta da Dynamic Tower, projetada pelo arquiteto italiano David Fisher em 2008.
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O edifício teria 80 andares, 420 metros de altura e cada pavimento giraria 360 graus de forma independente.
O morador controlaria a rotação do seu andar com um botão, como quem ajusta a inclinação de uma poltrona.
O preço estimado dos apartamentos: a partir de US$ 30 milhões cada.
Turbinas eólicas entre os andares: o prédio que gera mais energia do que consome
Entre cada pavimento, Fisher projetou turbinas eólicas horizontais.
São 79 turbinas no total, uma em cada vão entre andares.
O vento que passa entre os pavimentos giratórios aciona as turbinas e gera eletricidade.
Somadas, elas produziriam energia suficiente para abastecer o próprio edifício e ainda exportar o excedente para a rede.
Painéis solares no telhado de cada andar complementariam a geração.
A promessa era que a Dynamic Tower seria o primeiro arranha-céu energeticamente positivo do mundo.

Os módulos seriam fabricados em fábrica e montados no local como peças de Lego
Fisher não queria construir o edifício da forma tradicional, andar por andar.
Cada pavimento seria fabricado inteiramente em uma fábrica, com todas as instalações elétricas, hidráulicas e acabamentos já prontos.
Os módulos chegariam ao canteiro de obras como peças pré-montadas e seriam içados por guindaste e encaixados no núcleo central de concreto.
Esse núcleo seria a única parte construída no local, de forma convencional.
Todo o resto viria pronto de fábrica. Isso reduziria o tempo de obra em até 30%.
A ideia era revolucionária em 2008. Hoje, módulos pré-fabricados são comuns em construção civil.
Mas ninguém ainda combinou módulos pré-fabricados com rotação independente em um arranha-céu.
O custo estimado: US$ 700 milhões
O investimento previsto era de aproximadamente US$ 700 milhões.
A pré-venda dos apartamentos começaria no quarto trimestre de 2008, com entregas previstas para 2010.
O projeto foi anunciado com grande alarde em conferências de arquitetura no mundo inteiro.
Fisher viajou apresentando maquetes e animações. A mídia global cobriu com entusiasmo.
Dubai, que na época construía as ilhas artificiais Palm Jumeirah e o Burj Khalifa, parecia o lugar perfeito para essa ambição.
E então o projeto parou
A crise financeira de 2008 atingiu Dubai em cheio.
O mercado imobiliário despencou. Projetos bilionários foram cancelados ou congelados.
A Dynamic Tower ficou no papel.
Desde então, Fisher mencionou várias vezes que o projeto seria retomado. Em 2010, em 2014, em 2017.
Até hoje, nenhuma fundação foi cavada.
O terreno em Dubai não foi confirmado publicamente. Nenhum investidor foi anunciado.
O que existe são maquetes, animações e uma patente registrada.
Por que ainda importa
Mesmo sem ter sido construída, a Dynamic Tower mudou a conversa sobre arquitetura.
A ideia de edifícios que se movem e geram energia influenciou projetos posteriores.
Torres giratórias menores foram construídas em Curitiba, no Brasil, e em outras cidades.
O conceito de módulos pré-fabricados que Fisher defendia virou mainstream na construção civil.
E o debate sobre edifícios que geram mais energia do que consomem está mais atual do que nunca.
A Dynamic Tower pode nunca ser construída. Mas a pergunta que ela fez, se um prédio pode ser vivo, ainda não foi respondida.

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