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O arquiteto David Fisher projetou um arranha-céu de 80 andares em Dubai onde cada andar gira 360 graus de forma independente, turbinas eólicas entre os pavimentos geram energia e o prédio muda de forma o tempo inteiro

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 24/04/2026 às 21:00
Atualizado em 24/04/2026 às 21:23
Arranha-ceu futurista com andares giratorios ao por do sol
Conceito da Dynamic Tower com andares em angulos diferentes.
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O edifício não tem uma forma fixa porque cada andar gira 360 graus de forma independente e o perfil do prédio muda a cada minuto como uma escultura viva de 420 metros de altura

Imagine um arranha-céu que nunca tem a mesma aparência duas vezes no mesmo dia. De manhã, os andares estão alinhados como um prédio convencional. Ao meio-dia, os moradores giram seus apartamentos para acompanhar o sol.

À noite, o perfil do edifício se torceu tanto que parece uma hélice gigante contra o céu.

Essa é a proposta da Dynamic Tower, projetada pelo arquiteto italiano David Fisher em 2008.

O edifício teria 80 andares, 420 metros de altura e cada pavimento giraria 360 graus de forma independente.

O morador controlaria a rotação do seu andar com um botão, como quem ajusta a inclinação de uma poltrona.

O preço estimado dos apartamentos: a partir de US$ 30 milhões cada.

Turbinas eólicas entre os andares: o prédio que gera mais energia do que consome

Entre cada pavimento, Fisher projetou turbinas eólicas horizontais.

São 79 turbinas no total, uma em cada vão entre andares.

O vento que passa entre os pavimentos giratórios aciona as turbinas e gera eletricidade.

Somadas, elas produziriam energia suficiente para abastecer o próprio edifício e ainda exportar o excedente para a rede.

Painéis solares no telhado de cada andar complementariam a geração.

A promessa era que a Dynamic Tower seria o primeiro arranha-céu energeticamente positivo do mundo.

Texto alternativo: Turbinas eólicas entre andares de arranha-céu moderno
Turbinas eólicas integradas entre andares do edifício.

Os módulos seriam fabricados em fábrica e montados no local como peças de Lego

Fisher não queria construir o edifício da forma tradicional, andar por andar.

Cada pavimento seria fabricado inteiramente em uma fábrica, com todas as instalações elétricas, hidráulicas e acabamentos já prontos.

Os módulos chegariam ao canteiro de obras como peças pré-montadas e seriam içados por guindaste e encaixados no núcleo central de concreto.

Esse núcleo seria a única parte construída no local, de forma convencional.

Todo o resto viria pronto de fábrica. Isso reduziria o tempo de obra em até 30%.

A ideia era revolucionária em 2008. Hoje, módulos pré-fabricados são comuns em construção civil.

Mas ninguém ainda combinou módulos pré-fabricados com rotação independente em um arranha-céu.

O custo estimado: US$ 700 milhões

O investimento previsto era de aproximadamente US$ 700 milhões.

A pré-venda dos apartamentos começaria no quarto trimestre de 2008, com entregas previstas para 2010.

O projeto foi anunciado com grande alarde em conferências de arquitetura no mundo inteiro.

Fisher viajou apresentando maquetes e animações. A mídia global cobriu com entusiasmo.

Dubai, que na época construía as ilhas artificiais Palm Jumeirah e o Burj Khalifa, parecia o lugar perfeito para essa ambição.

E então o projeto parou

A crise financeira de 2008 atingiu Dubai em cheio.

O mercado imobiliário despencou. Projetos bilionários foram cancelados ou congelados.

A Dynamic Tower ficou no papel.

Desde então, Fisher mencionou várias vezes que o projeto seria retomado. Em 2010, em 2014, em 2017.

Até hoje, nenhuma fundação foi cavada.

O terreno em Dubai não foi confirmado publicamente. Nenhum investidor foi anunciado.

O que existe são maquetes, animações e uma patente registrada.

Por que ainda importa

Mesmo sem ter sido construída, a Dynamic Tower mudou a conversa sobre arquitetura.

A ideia de edifícios que se movem e geram energia influenciou projetos posteriores.

Torres giratórias menores foram construídas em Curitiba, no Brasil, e em outras cidades.

O conceito de módulos pré-fabricados que Fisher defendia virou mainstream na construção civil.

E o debate sobre edifícios que geram mais energia do que consomem está mais atual do que nunca.

A Dynamic Tower pode nunca ser construída. Mas a pergunta que ela fez, se um prédio pode ser vivo, ainda não foi respondida.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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