Especialistas explicam como identificar diferentes tipos de cefaleia, quais hábitos podem piorar as crises e quando a dor de cabeça deixa de ser algo comum para se tornar um alerta importante de saúde
A dor de cabeça frequente, conhecida clinicamente como cefaleia, já afeta mais da metade da população mundial e segue entre as principais queixas nos consultórios médicos. Embora muitas pessoas considerem o problema algo simples do cotidiano, especialistas alertam que dores recorrentes podem indicar doenças, alterações hormonais, problemas visuais e até distúrbios musculares. Além disso, a automedicação e a falta de acompanhamento adequado costumam agravar ainda mais o quadro.
A informação foi divulgada por “GZH”, em reportagem especial sobre cefaleia e qualidade de vida, trazendo dados da Sociedade Brasileira de Cefaleia e entrevistas com médicos especialistas da Unimed Porto Alegre. Conforme a publicação, mais de 150 tipos de dor de cabeça já foram identificados pela ciência, o que reforça a importância de um diagnóstico correto para definir o tratamento mais adequado.
Segundo a neurologista Vanise Grassi, cooperada da Unimed Porto Alegre, o diagnóstico da cefaleia acontece principalmente por meio da análise clínica. O médico avalia fatores como intensidade da dor, localização, duração da crise e sintomas associados. Além disso, o comportamento do paciente durante as crises também ajuda a identificar o tipo de cefaleia.
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De acordo com a especialista, muitas pessoas convivem durante anos com dores de cabeça sem descobrir a origem real do problema. Como consequência, acabam recorrendo constantemente aos analgésicos, criando um ciclo perigoso de automedicação.
— O tratamento da crise é diferente do tratamento da doença de base. Quando a cefaleia se torna frequente, não basta apenas tomar remédios para aliviar momentaneamente a dor. É necessário investigar a causa e tratar corretamente — explica a neurologista.
Mulheres sofrem mais com enxaqueca por influência hormonal

Entre os diferentes tipos de cefaleia, a enxaqueca aparece como uma das mais incapacitantes. Além disso, ela afeta mulheres até três vezes mais do que homens. A explicação, segundo a ginecologista Soraia Prestes, está diretamente ligada às oscilações hormonais do estrogênio ao longo da vida feminina.
A especialista afirma que os níveis hormonais variam durante o ciclo menstrual. Após a menstruação, o estrogênio começa em baixa concentração, cresce até a ovulação e depois volta a cair. É justamente nessa queda hormonal que muitas mulheres desenvolvem crises intensas de dor de cabeça.
Além disso, a menopausa também pode aumentar a frequência das crises. Isso acontece porque os ovários deixam de produzir estrogênio adequadamente, provocando alterações no organismo que favorecem a cefaleia.
A jornalista Luciana Marques conhece bem essa realidade. Ela teve sua primeira crise de enxaqueca aos 30 anos, em 2017. Na ocasião, acreditou que estivesse sofrendo um AVC. Somente depois de conversar com uma amiga médica conseguiu entender que estava diante de uma crise severa de enxaqueca.
Durante anos, Luciana utilizou apenas medicamentos paliativos. Entretanto, em 2024, iniciou acompanhamento especializado e descobriu que a origem das dores estava relacionada ao tensionamento muscular durante a noite.
— Eu tensionava tanto a região cervical enquanto dormia que isso acabava desencadeando dores ao longo do dia inteiro — relata.
Além das alterações hormonais e musculares, fatores emocionais também influenciam diretamente as crises. Estresse excessivo, ansiedade, noites mal dormidas e alimentação inadequada aparecem entre os principais gatilhos para dores de cabeça recorrentes.
Excesso de telas e problemas de visão podem piorar as crises
Outro fator que vem preocupando especialistas é o excesso de exposição às telas. Com a rotina cada vez mais digital, muitas pessoas passam horas diante de computadores, celulares e tablets sem pausas adequadas. Como resultado, os sintomas de cefaleia acabam se intensificando.
O oftalmologista Gustavo Longhi explica que dores localizadas na região frontal da cabeça ou ao redor dos olhos podem indicar alterações oftalmológicas. Segundo ele, problemas como hipermetropia e astigmatismo leve frequentemente provocam esforço visual constante.
Mesmo graus baixos, como 0,75 ou 1,00, já podem causar desconforto significativo. Isso ocorre porque os olhos permanecem tentando compensar a dificuldade de foco durante todo o dia, especialmente em frente às telas.
Além disso, trabalhar em ambientes escuros e muito próximo do monitor aumenta ainda mais o esforço ocular. O especialista recomenda manter uma distância equivalente a um braço esticado em relação ao computador e trabalhar sempre em locais bem iluminados.
— Muitos pacientes passam o dia inteiro muito próximos da tela. Depois de horas de esforço contínuo, os músculos oculares não conseguem relaxar, provocando dor periocular e cefaleia — detalha Longhi.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, as dores de cabeça são classificadas em cefaleias primárias e secundárias. As primárias surgem sem relação direta com outras doenças. Já as secundárias aparecem como consequência de problemas de saúde específicos.
Entre os tipos mais comuns está a cefaleia tensional, considerada a mais frequente no mundo. Ela afeta entre 30% e 78% da população mundial. Normalmente, provoca sensação de pressão ou aperto na cabeça e pode irradiar para o pescoço. O estresse e a tensão muscular cervical aparecem como os principais gatilhos.
Já a enxaqueca costuma provocar dores latejantes de intensidade moderada a grave. As crises podem durar horas ou até dois dias. Náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e ao som também fazem parte dos sintomas. Algumas pessoas ainda apresentam aura visual, caracterizada por luzes piscando, linhas em zigue-zague e pontos cegos temporários.
Outro tipo bastante conhecido é a cefaleia em salvas, considerada uma das dores mais intensas entre todas as cefaleias. As crises costumam atingir apenas um lado da cabeça e concentram-se ao redor dos olhos ou na região da têmpora. Além disso, podem ocorrer várias vezes ao dia durante períodos de um a três meses.
Entre os sintomas mais comuns das cefaleias em salvas estão lacrimejamento, congestão nasal, vermelhidão ocular e queda da pálpebra do lado afetado.
Hábitos simples ajudam a prevenir dores de cabeça frequentes
Apesar de muitos fatores influenciarem as crises de cefaleia, alguns hábitos simples ajudam significativamente na prevenção. Manter uma rotina regular de sono, por exemplo, reduz o risco de crises frequentes.
Além disso, alimentação equilibrada e boa hidratação também fazem diferença importante no funcionamento do organismo. A prática regular de exercícios físicos contribui para diminuir tensões musculares e melhorar a circulação sanguínea.
Especialistas ainda recomendam atenção à ergonomia no ambiente de trabalho. Ajustar cadeira, monitor e postura corporal reduz sobrecarga na região cervical e evita dores associadas ao uso prolongado de computadores.
Outro ponto fundamental é aprender a controlar o estresse emocional. Técnicas de relaxamento, pausas durante o trabalho e redução da exposição excessiva às telas ajudam a diminuir os episódios de cefaleia.
A identificação de gatilhos específicos também pode ser decisiva. Alguns pacientes percebem piora das dores após determinados alimentos, cheiros fortes, excesso de estímulos sonoros ou luminosidade intensa.
Por isso, médicos reforçam que ignorar dores de cabeça frequentes pode trazer consequências importantes para a qualidade de vida. Em muitos casos, o tratamento correto transforma completamente a rotina do paciente e reduz significativamente as crises.
Você já teve dores de cabeça tão fortes que afetaram sua rotina ou fizeram você procurar ajuda médica? Conte sua experiência nos comentários.
