Dono da Havan, Luciano Hang detalha como a Havan virou potência do varejo com expansão nacional em 40 anos.
O Dono da Havan resumiu a própria história como a de alguém que começou em um cenário de enorme instabilidade econômica e transformou uma pequena operação de atacado de tecidos em uma das maiores redes de varejo do país. Na conversa, Luciano Hang disse que a empresa completa 40 anos em 2026 e que deve encerrar o ano com 200 megalojas, 25 mil colaboradores e faturamento de R$ 22 bilhões.
Ao longo da entrevista, o empresário reconstruiu a caminhada da Havan em ordem cronológica, desde a primeira loja de 45 m² em Brusque, em Santa Catarina, até a expansão nacional. Também explicou como a rede saiu do foco em tecidos para virar loja de departamento, por que resistiu ao modismo de abrir capital e qual é sua visão sobre gestão, lucro, expansão e cultura empresarial.
O começo da Havan em meio ao Plano Sarney
Luciano Hang contou que começou a pensar a Havan em 1985 e abriu o negócio em junho de 1986, justamente no período do Plano Sarney.
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Segundo ele, o contexto era tão caótico que, ao deixar a Renault para empreender, encontrou um problema básico: não havia produto para vender.
De acordo com o empresário, os fornecedores já estavam sobrevendidos e só entregariam mercadorias no ano seguinte.
A saída foi buscar tecidos em lojas de fábrica no Rio de Janeiro, que, na época, concentrava grandes produtores têxteis.
Foi assim que ele e o sócio recorreram a empréstimo bancário, compraram carretas de tecido e passaram a abastecer a operação em Brusque.
A dificuldade virou oportunidade, como ele próprio definiu. Em vez de depender apenas da produção local, a empresa passou a trabalhar com mercadorias diferentes das encontradas na região. O resultado, segundo Hang, foi uma demanda tão forte que a loja ficava tomada por pilhas de tecido e filas de clientes.
Como surgiu o nome Havan
Na entrevista, Luciano Hang explicou que o nome nasceu da junção de seu sobrenome com o de Vanderlei, seu então sócio.
A ideia inicial era usar outro nome, voltado ao setor têxtil, mas a proposta não avançou. Foi então que, por sugestão do contador, surgiu “Havan”.
Segundo ele, a mudança acabou sendo decisiva. O nome curto, simples e menos preso ao universo dos tecidos permitiu que a marca acompanhasse a transformação do negócio ao longo dos anos.
O que começou com foco no atacado têxtil evoluiu, depois, para uma operação com mais de 350 mil itens, ainda segundo seu relato.
De 45 m² a uma operação de grande escala
Luciano afirmou que a Havan começou em uma loja pequena, fora da área central da cidade, com apenas um colaborador. Mesmo assim, disse que o negócio teve sucesso desde o início. Depois, o crescimento acelerou.
Na conversa, ele lembrou que, em 1989, já havia montado uma loja de 2.500 m² com cerca de 300 funcionários.
Mais tarde, a estrutura da matriz em Brusque se transformou em um grande complexo, que hoje, segundo o empresário, soma 55 mil m², com uma loja principal de aproximadamente 30 mil m².
Ele também relatou que, durante anos, a unidade de Brusque virou destino de excursões de compras, recebendo até 150 ônibus por dia. Essa fase consolidou a Havan como um ponto de atração regional, antes mesmo da expansão mais forte pelo Brasil.
A virada de 1995, quando a Havan deixou de ser só de tecidos
Um dos momentos centrais do relato foi a mudança ocorrida em 1995. Luciano Hang contou que, após o casamento, decidiu transformar a Havan em loja de departamento.
A partir dali, a empresa deixou de vender apenas tecidos e passou a incluir utensílios, itens de casa e outras categorias.
Segundo ele, essa virada ocorreu depois de anos em que o negócio já estava consolidado no setor têxtil. A expansão do mix teria sido influenciada também pelo contato com fornecedores internacionais e pela observação de oportunidades fora do Brasil.
Mesmo assim, Hang fez questão de destacar que a Havan, segundo ele, sempre priorizou o produto nacional.
Na entrevista, afirmou que entre 92% e 95% das compras da empresa são feitas no Brasil, com forte presença de fornecedores de cama, mesa, banho, utilidades domésticas e itens de consumo.
A expansão nacional e a meta de 200 lojas
Ao falar dos números atuais, Luciano Hang disse que a Havan vai inaugurar a loja de número 188 e pretende terminar 2026 com 200 megalojas.
Segundo ele, a operação já reúne 25 mil colaboradores, R$ 22 bilhões de faturamento e cerca de 2,5 milhões de metros quadrados construídos.
O empresário afirmou ainda que a companhia enxerga espaço para crescer mais no país. Segundo o mapeamento citado por ele, a rede ainda teria capacidade para abrir mais 100 ou 200 lojas.
Também disse que faltam apenas três estados para a presença em todo o território nacional, Ceará, Amapá e Roraima.
A expansão, porém, não veio de uma vez. Luciano contou que a primeira filial foi aberta em Curitiba e que, por muito tempo, a empresa avançou com cautela.
Depois, a aceleração se intensificou. Ele afirmou que, entre 2008 e 2026, a Havan saiu de oito lojas para quase 200, com ritmo médio próximo de dez aberturas por ano.
O impacto da crise de 2008 na estratégia da empresa
Ao relembrar a crise global de 2008, Luciano Hang disse que decidiu segurar a expansão e olhar para dentro da companhia.
Segundo ele, naquele momento a Havan tinha oito lojas, e a orientação foi reorganizar a empresa antes de retomar um crescimento mais agressivo.
De acordo com seu relato, essa decisão deu resultado. Ele afirmou que, entre 2009 e 2015, a empresa cresceu 50% ao ano e saltou de R$ 250 milhões para R$ 4,5 bilhões em faturamento em um intervalo de cinco anos.
A leitura apresentada por Hang é a de que nem sempre crescer significa apenas acelerar. Em certos momentos, segundo ele, é preciso parar, rever processos e fortalecer a operação antes de avançar novamente.
Como o Dono da Havan escolhe onde abrir lojas
Questionado sobre os critérios de expansão, Luciano Hang disse que a Havan ainda não encontrou uma fórmula exata para definir as cidades ideais.
Segundo ele, visibilidade e acessibilidade pesam muito, assim como terrenos grandes, bonitos e bem localizados.
Ao mesmo tempo, reconheceu que há forte componente de tentativa e erro. Na entrevista, afirmou que já viu cidades menores superarem expectativas de faturamento, enquanto municípios maiores entregaram menos resultado do que o previsto.
Ele também explicou que a empresa opera com um único centro de distribuição em Barra Velha, Santa Catarina, o que exige logística complexa para abastecer o país inteiro. Mesmo assim, defendeu que a Havan precisa estar em todos os estados e se consolidar como rede nacional.
O modelo de loja física e a aposta na experiência
Luciano Hang deixou claro que segue apostando no varejo físico como diferencial competitivo. Para ele, a Havan construiu sua força oferecendo estacionamento gratuito, lojas grandes, ar-condicionado, variedade de produtos, preço e condição de pagamento, tudo em um mesmo ambiente.
Na entrevista, ele afirmou que sempre acreditou no que chamou de “bom lucro”, aquele que nasce de uma experiência melhor para o cliente.
Citou como exemplo investimentos antigos em ar-condicionado, estrutura ampla e conforto, quando isso ainda não era comum no varejo nacional.
A lógica é encantar o consumidor no espaço físico, não apenas vender mercadoria. Segundo Hang, esse posicionamento ajuda a explicar por que a Havan seguiu investindo em lojas grandes mesmo com o avanço do comércio eletrônico.
Por que Luciano Hang desistiu de abrir capital
Outro ponto importante da conversa foi o IPO que nunca saiu. Luciano contou que houve momentos em que bancos e assessores sugeriram a abertura de capital da Havan, especialmente durante o boom do mercado em 2021 e 2022.
Segundo ele, foram feitas tentativas e estudos, mas o timing mudou, o mercado esfriou e a operação não foi adiante. Hoje, o empresário diz estar satisfeito por não ter levado o plano até o fim.
A justificativa apresentada foi direta: como dono único, ele prefere manter liberdade total para acelerar, frear, parar investimentos ou mudar a direção da empresa sem depender de acionistas externos. Também afirmou que a Havan é 100% dele e que as lojas não operam em modelo de franquia.
Cultura empresarial, lucro e reinvestimento
Luciano Hang afirmou que a Havan nunca deu prejuízo em 40 anos. Segundo ele, isso está ligado a uma cultura orientada a lucro, simplicidade, execução e solução de problemas.
Na entrevista, ele mostrou o crachá com valores da empresa e disse que lucro, para ele, não é ego, mas sinal de saúde do negócio. Nas palavras do empresário, “uma empresa que dá lucro é uma empresa feliz”.
Ao mesmo tempo, destacou que lucro não significa dinheiro sobrando em caixa. Hang explicou que boa parte do resultado é consumida por reinvestimentos em terreno, estoque, contas a receber e abertura de novas unidades.
Por isso, disse que a Havan é “uma empresa rica de um dono pobre”, numa referência ao fato de ter reinvestido por décadas quase tudo o que ganhou.
Os números do crescimento, segundo Luciano Hang
Na reta final da conversa, Luciano detalhou quanto custa manter o ritmo de expansão. De acordo com ele, cada nova loja exige algo entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões em investimento. Como a meta de 2026 é abrir 15 unidades, isso representa cerca de R$ 1,5 bilhão no ano.
Ele também afirmou que a empresa distribuiu R$ 100 milhões em participação de resultados aos colaboradores e que a folha anual gira em torno de R$ 1,8 bilhão. Além disso, disse que a Havan deve pagar aproximadamente R$ 6 bilhões em impostos e benefícios.
Para Hang, esses números mostram o peso econômico da empresa para além do varejo. Segundo seu cálculo, os 25 mil empregos diretos gerariam impacto indireto muito maior em fornecedores, transporte e indústria.
O que move o Dono da Havan aos 63 anos
Mesmo com o porte atual da empresa, Luciano Hang disse que não pensa em aposentadoria. Aos 63 anos, afirmou que pretende trabalhar até quando puder e que continua acompanhando de perto o negócio.
Na entrevista, contou que visita terrenos, acompanha obras, participa de inaugurações e entra nas lojas para procurar defeitos e corrigir o modelo seguinte. Segundo ele, chegou a visitar 185 lojas em um único ano.
A imagem que ele tenta transmitir é a de um empresário obcecado pela operação, que acorda cedo para olhar faturamento, pensa no negócio durante viagens e enxerga o trabalho como parte central da própria vida.
A mensagem final de Luciano Hang sobre sucesso e caráter
No encerramento, Luciano Hang disse que sucesso não se resume a dinheiro. Segundo ele, felicidade está mais ligada à consciência tranquila, à generosidade e à sensação de dever cumprido do que ao patrimônio em si.
Ele também relatou um episódio em que, segundo sua versão, corrigiu um erro de contrato com um banco e pagou mais do que seria obrigado, por considerar que aquele era o procedimento correto. Usou o caso para sustentar a ideia de que caráter é fazer o certo mesmo quando ninguém está vendo.
A mensagem final foi de defesa de ética, lógica, trabalho e disciplina como pilares para crescer. Dentro da narrativa construída por ele no podcast, a história da Havan aparece como resultado de ousadia, reinvestimento constante e foco obsessivo em execução.
Na sua opinião, qual foi o fator mais decisivo para a ascensão do Dono da Havan, a coragem de empreender no caos econômico, a capacidade de reinvestir por décadas ou a aposta em lojas gigantes e experiência física?


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