De humilhado a símbolo de superação no sertão, um agricultor nordestino trocou o bar do quintal e um campo de futebol por currais e conteúdo que geram renda real. Em três anos, ele afirma ter chegado a quase 7 milhões de seguidores e estruturou armazém, coxeiras e aprisco para fortalecer a agricultura familiar
O relato começa com uma frase que virou lema de vida: ‘a humilhação acabou’. No interior do Nordeste, um agricultor de fala mansa e rotina árdua diz ter virado a própria história ao abandonar o bar de casa e transformar um antigo campo de futebol em uma área produtiva, com currais, aprisco e um pequeno armazém de ração. Nesse caminho, a rede social entrou como aliada inesperada.
Conhecido como Nivaldo, ele é um pequeno produtor de idade avançada que construiu audiência apostando em simplicidade e consistência. No canal Coisa do Nordeste, diz reunir uma comunidade que cresce ao redor de conversas francas sobre criação, família, fé e trabalho. Não se trata de ostentação, repete; é sobre dignidade e conhecimento prático no chão do sertão.
Antes da virada, Nivaldo tentou manter um bar no quintal e até improvisou um campo de futebol para atrair gente e vender mais. Vieram os conflitos, o desgaste e um trauma com a venda de cachaça em casa, decisão que ele não pretende repetir. Foi quando percebeu que, para seguir adiante, precisava encontrar outro rumo.
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O rumo veio com as plataformas digitais, somado ao esforço da família. Ele afirma que o que realmente mudou foi o nível de conhecimento que adquiriu ao produzir conteúdo todos os dias, sempre com os pés na roça e a cabeça focada em organizar a criação para gerar renda complementar.
Da tentativa de bar e campo de futebol à virada com criação e internet
A área que já serviu de lazer virou estrutura de trabalho. Onde havia traves, hoje existem currais, coxeiras cobertas e divisões para manejo de bovinos e caprinos. O objetivo é simples e direto: ter um rebanho enxuto, bem cuidado, e vender um animal quando preciso, complementando a aposentadoria e garantindo remédios e despesas da casa.
Ele conta que a internet abriu portas e ampliou a voz de um agricultor com pouca escolaridade formal, mas muita experiência de chão. O conteúdo nas redes veio acompanhado de disciplina diária: plantar palma, consertar cercas, separar reprodutores, e até começar o dia limpando o mato ‘cabeça de torro’, conhecido pelos espinhos que incomodam quem pisa desavisado.
Três anos de obra no quintal, de armazém e currais simples a um patrimônio que complementa a aposentadoria
Segundo Nivaldo, a transformação aconteceu nos últimos três anos. Ele ergueu um armazinho para ração, organizou coxeiras, levantou aprisco e cercou áreas com madeira resistente, trocando estacas quando necessário para caber no orçamento. É estrutura pequena, porém planejada para durar e dar retorno.
Ele calcula ter investido mais de 80 mil reais apenas em estrutura, sem contar os animais. O método é pé no chão: fazer o que cabe no bolso hoje, reforçar amanhã e manter tudo limpo e funcional. Quando uma peça envelhece, entra outra. Assim, o antigo campo virou uma área produtiva que trabalha a favor da família.
O gado e os bodes dividem espaço com um manejo cuidadoso. Há bebedouros, coberturas e divisórias para separar reprodutores das cabras fora do período de cruzamento. O rebanho é a poupança viva do sítio, que ajuda a compor renda, enquanto a audiência nas redes dá visibilidade e oportunidades.
Nivaldo faz questão de frisar que os filhos são o motor da lida diária, enquanto ele administra. A família se ajuda, compartilha decisões e define prioridades, como ampliar um cercado, reformar um telhado ou planejar uma venda estratégica para atravessar o mês com segurança.
Para ele, o segredo está em três pilares que se repetem no discurso: Deus em primeiro lugar, as redes sociais em segundo e, em terceiro, a inteligência prática de quem aprendeu a ouvir, testar e organizar o que tem. O resultado é visível no quintal e, sobretudo, na autoestima.
Fama no sertão, selfies na feira de Tabira e a lição de humildade que conquistou seguidores
Com o crescimento do canal, ele passou a ser reconhecido em feiras de gado. Em Tabira, município do Sertão do Pajeú, em Pernambuco, diz que mal consegue caminhar sem parar para fotos e vídeos. Um comentário o marcou: ao vivo, seria ainda mais simples do que aparece na câmera.
Humildade e respeito são palavras que ele repete. Recebe visitantes de todo tamanho, posa para fotos e publica os registros como forma de gratidão. O passado de apelidos como ‘doido’ e ‘abestado’ virou combustível para continuar trabalhando sem rancor, oferecendo até ajuda a quem um dia o criticou.
O que fica é uma ética de convivência: não humilhar, não invejar, e lembrar que o sertão, por mais duro que seja, sempre oferece um caminho para quem organiza o pouco que tem. A mensagem ecoa entre milhões, diz ele, porque é vida realcontada sem filtros.
Um Brasil rural mais conectado, dados e contexto que ajudam a entender o fenômeno
O sucesso de um influenciador rural não acontece no vazio. De acordo com a pesquisa TIC Domicílios 2023, do CGI.br/NIC.br, o acesso à internet no campo segue em expansão, ampliando oportunidades para agricultores que compartilham técnicas, rotinas e mercados nas redes. Esse movimento ajuda a explicar por que histórias locais alcançam escala nacional.
Também pesa o papel econômico da agricultura familiar, base de muitos municípios do Semiárido. Segundo o IBGE(Censo Agropecuário 2017), ela sustenta renda e emprego no interior, enquanto, no Nordeste, a caprinovinocultura e a bovinocultura de leite formam cadeias adaptadas ao clima. Nesse cenário, visibilidade digital e manejo organizado se somam para transformar pequenas propriedades em vitrines de resistência e trabalho.
O que você pensa dessa história de superação no sertão, onde currais substituem traves e o bar do quintal dá lugar a um armazém de ração? As redes sociais realmente mudam destinos no campo ou o que pesa é só a lida diária e a união da família? Deixe seu comentário e conte como a internet e o trabalho organizado têm impactado a vida no interior da sua região.


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