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Dez maratonistas passaram por ressonância antes e depois de correr 42 km, e pesquisadores espanhóis acendem alerta ao observar que o cérebro exausto pode recorrer à gordura da mielina, substância que protege os neurônios e cuja deterioração está ligada à esclerose múltipla

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 22/04/2026 às 14:10 Atualizado em 22/04/2026 às 14:14
Assista o vídeoEstudo da Nature Metabolism mostra que o cérebro usa mielina como energia após maratona, revelando um mecanismo desconhecido até 2025.
Estudo da Nature Metabolism mostra que o cérebro usa mielina como energia após maratona, revelando um mecanismo desconhecido até 2025.
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Estudo da Nature Metabolism mostra que o cérebro usa mielina como energia após maratona, revelando um mecanismo desconhecido até 2025.

Segundo estudo publicado em março de 2025 na revista Nature Metabolism, pesquisadores da Universidade do País Basco e do Centro de Pesquisa Cooperativa em Biomateriais, em San Sebastián, identificaram um comportamento inesperado do cérebro humano em condições extremas de esforço físico. Quando corredores de maratona se aproximam do fim da prova e os estoques energéticos do organismo estão praticamente esgotados, o cérebro não entra em colapso. Em vez disso, ativa um mecanismo de emergência: passa a utilizar a própria mielina como fonte de energia.

O estudo foi liderado por Carlos Matute, professor de Anatomia e Embriologia Humana da Universidade do País Basco (UPV/EHU), que também possui experiência como maratonista, o que influenciou diretamente a formulação da hipótese investigada.

Mielina é a substância gordurosa que protege os neurônios e garante a transmissão rápida dos sinais cerebrais

A mielina é uma estrutura essencial do sistema nervoso. Trata-se de uma camada rica em lipídios que envolve os axônios dos neurônios, funcionando como isolante elétrico e permitindo que os sinais nervosos se propaguem com alta velocidade e eficiência.

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Essa substância representa cerca de 40% do tecido cerebral e é especialmente abundante na chamada matéria branca, responsável pela comunicação entre diferentes regiões do cérebro.

Alterações na mielina comprometem diretamente a transmissão de sinais, afetando funções motoras, cognitivas e sensoriais.

Redução de até 28% na mielina foi observada após maratona em exames de ressonância magnética

O experimento envolveu dez corredores experientes, submetidos a exames de ressonância magnética antes e depois de completar uma maratona de 42 quilômetros.

Os exames foram realizados em quatro momentos distintos: antes da prova, até 48 horas após a corrida, duas semanas depois e dois meses após o esforço.

Os resultados mostraram uma redução média de até 28% na mielina em 12 regiões da matéria branca, especialmente em áreas ligadas à coordenação motora e integração sensorial.

Essa variação foi considerada significativa e inesperada, indicando um processo metabólico ativo envolvendo essa estrutura.

Hipóxia e esgotamento energético levam o cérebro a ativar mecanismos alternativos de sobrevivência

Durante uma maratona, o corpo consome inicialmente glicogênio, principal fonte de energia derivada dos carboidratos.

Por volta do quilômetro 30, esses estoques se esgotam, fenômeno conhecido entre corredores como “o muro”. Nesse ponto, o organismo passa a utilizar gordura como combustível.

Hipóxia e esgotamento energético

O cérebro, no entanto, possui dependência elevada de glicose. Diante da queda dos níveis desse nutriente, o estudo indica que o órgão recorre a uma alternativa interna: a quebra parcial da mielina para suprir a demanda energética.

Recuperação completa da mielina em até dois meses mostra alta capacidade de regeneração cerebral

Os dados mais relevantes surgiram no acompanhamento pós-prova. Duas semanas após a maratona, os níveis de mielina já apresentavam recuperação significativa. Após dois meses, os valores retornaram completamente ao padrão inicial.

Esse resultado indica que o processo é reversível e não deixou sequelas detectáveis nos participantes analisados. Além disso, revela uma capacidade de regeneração cerebral mais rápida do que a literatura científica indicava até então.

Descoberta pode ajudar a entender doenças como esclerose múltipla e processos de remielinização

A relevância científica do estudo vai além do esporte. A esclerose múltipla é uma doença caracterizada pela destruição progressiva da mielina, sem capacidade eficiente de regeneração.

Ao demonstrar que o cérebro saudável consegue reconstruir essa estrutura em semanas, a pesquisa abre novas possibilidades para entender mecanismos de remielinização e desenvolvimento de terapias.

Especialistas apontam que o processo observado pode ter implicações diretas no estudo de doenças neurodegenerativas e no envelhecimento cerebral.

Estudo ficou entre os mais impactantes de 2025 segundo ranking Altmetric da Nature

Em dezembro de 2025, o estudo foi classificado como o segundo mais impactante entre todas as publicações das revistas do grupo Nature no ranking Altmetric.

Esse reconhecimento indica alto nível de repercussão científica e interesse global no tema. Foi a primeira vez que um trabalho da Universidade do País Basco alcançou essa posição.

Os próprios autores reconhecem limitações na pesquisa. A amostra foi composta por apenas dez participantes, número insuficiente para generalizações amplas.

Além disso, fatores como inflamação, desidratação e estresse fisiológico podem ter influenciado os resultados e ainda precisam ser isolados em estudos futuros.

Agora queremos saber: o cérebro humano possui outras reservas energéticas desconhecidas além da mielina?

A descoberta levanta novas questões sobre o funcionamento do cérebro em situações extremas.

Na sua visão, esse mecanismo revela apenas um processo específico do esporte ou indica que o cérebro humano ainda possui formas de adaptação energética que a ciência não mapeou completamente?

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Bruno Leonardo Barbosa de Oliveira
Bruno Leonardo Barbosa de Oliveira
24/04/2026 14:23

Acredito que o cérebro ainda possui formas de adaptação energética que a ciência não mapeou completamente, pois tivemos o brasileiro Hugo Farias, que entrou para o Guinness World Records ao completar 366 maratonas (42,195 km) em 366 dias consecutivos; e o atleta Huang Zhenglong, conhecido como Long Shao, correu 100 km por 100 dias seguidos na China.

Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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