Tecnologia sustentável desenvolvida na Paraíba converte água salobra em potável, custa a partir de R$ 3 mil e já opera em mais de 13 municípios do Nordeste
O semiárido brasileiro convive, há décadas, com um desafio estrutural severo: o acesso limitado à água potável. No entanto, uma tecnologia sustentável criada dentro da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) começou a mudar essa realidade de forma concreta. Um dessalinizador solar simples, eficiente e de baixo custo já atende mais de 100 famílias no Nordeste.
A informação ganhou destaque nacional após reportagem exibida no Bom Dia Brasil, na ocasião, o programa apresentou o trabalho coordenado pelo professor Francisco José Loureiro Marinho, docente do Centro de Ciências Agrárias e Ambientais (CCAA), campus II da UEPB, em Lagoa Seca.
Desde 2010, quando iniciou as pesquisas, o professor estruturou um projeto que evoluiu rapidamente. Ao longo dos anos, ele instalou unidades de dessalinização em diversos municípios da Paraíba, Pernambuco e Ceará. Além disso, o projeto recebeu apoio financeiro do Ministério do Meio Ambiente, do CNPq, da UEPB e do Banco Itaú.
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Como o dessalinizador solar remove até 7 gramas de sal por litro de água
Em várias regiões do semiárido, a água dos poços contém até sete gramas de sal por litro. Entretanto, o padrão considerado potável aceita apenas meio grama por litro. Diante dessa diferença alarmante, o dessalinizador solar oferece uma alternativa acessível e eficiente.
O equipamento utiliza vidro, cimento e lonas em sua estrutura. Ele funciona como uma estufa abastecida com água salobra. Assim que o sol aquece o sistema, a temperatura pode atingir até 70 °C. Consequentemente, a água evapora. Em seguida, o vapor sobe, condensa no vidro e escorre por canaletas, formando água potável pronta para consumo.
Enquanto isso, o sal permanece depositado na lona, pois não evapora. Depois, as famílias apenas limpam a superfície para manter o sistema funcionando normalmente. Portanto, a manutenção exige pouco esforço e praticamente nenhum custo adicional.
Cada unidade produz até 16 litros de água potável por dia. Embora o volume pareça modesto, ele garante abastecimento essencial para o consumo doméstico. Além disso, fortalece a segurança hídrica das famílias agricultoras.
Outro detalhe relevante chama atenção: as famílias aproveitam o sal retirado da água como complemento na alimentação animal. Inclusive, a Embrapa Petrolina (PE) estuda essa prática para avaliar seus benefícios.
Projeto já alcança 13 municípios e supera 200 unidades instaladas

Atualmente, os dessalinizadores solares operam em:
- Remígio (10 unidades)
- São Vicente do Seridó (10)
- Cubatí (4)
- Pedra Lavrada (4)
- Caraúbas (70)
- Monteiro (10)
- Camalaú (30)
- Santa Luzia (24)
- Soledade (10)
- Cuité (20)
- Campina Grande (5)
- Caturité (5)
- Sanharó (PE) (5)
- Icapuí (CE) (5)
O professor iniciou as primeiras construções fora do ambiente acadêmico em 2012. Logo depois, ele implementou a primeira experiência em escala no Assentamento Corredor, em Remígio, onde instalou dez unidades com recursos do CNPq.
Durante o desenvolvimento, a equipe enfrentou desafios técnicos. Inicialmente, utilizaram alumínio e cimento no piso. Contudo, o sal corroeu os materiais. Então, um agricultor sugeriu o uso de lona, argumentando que o sal é armazenado em sacos plásticos no comércio. A equipe adotou a ideia e o resultado funcionou.
O primeiro modelo, construído em Campina Grande, custou cerca de R$ 3 mil. Já em Icapuí (CE), a unidade alcançou aproximadamente R$ 4,5 mil, pois a comunidade solicitou compra local de todos os materiais. Dessa forma, os moradores acompanharam todo o processo, desde a aquisição até a montagem.
Tecnologia social fortalece autonomia e segurança hídrica
Em 2018, o professor incentivou seus alunos a expandirem o projeto. Assim surgiu a Associação de Profissionais em Agroecologia (APA), que passou a replicar a tecnologia em outras regiões do Nordeste.
Segundo Wanderley Feitosa Viana, presidente da APA, o sistema pode ser construído com tijolos ou placas pré-moldadas. A diferença aparece apenas no tempo de execução. Além disso, embora a calha e a bandeja exijam maior atenção, qualquer pessoa consegue montar o equipamento sem treinamento técnico avançado.
Mais do que um equipamento, o dessalinizador solar representa uma verdadeira tecnologia social. Ele não depende de energia elétrica, não exige insumos caros e tampouco requer conhecimento técnico complexo. Por isso, comunidades rurais conseguem replicá-lo com autonomia.
Consequentemente, a tecnologia melhora a qualidade de vida das famílias que dependem de fontes salobras. Além do abastecimento doméstico, a água tratada permite irrigar pequenas hortas e fortalecer criações. Assim, o impacto vai além da água: ele atinge também a segurança alimentar.
Portanto, ao unir ciência aplicada, baixo custo e sustentabilidade, o projeto demonstra como soluções simples podem gerar transformações profundas no semiárido brasileiro.
Você acredita que tecnologias simples e de baixo custo como essa podem ser a chave para resolver a crise hídrica em outras regiões do Brasil?

Parabéns!!!
Sou do cariri paraibano,pequeno produtor rural da cidade de assunção.inicistivas e tecnologia acessível para o nosso povo é a maior forma de exclusão social e êxodo rural, parabéns.
Yes