1. Início
  2. / Agronegócio
  3. / Deserto vira santuário dos tomates: Pure Harvest colhe 15 milhões de kg por ano em estufas climatizadas com tecnologia eletrificada, controle biológico e produção ininterrupta mesmo com 45 °C do lado de fora
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Deserto vira santuário dos tomates: Pure Harvest colhe 15 milhões de kg por ano em estufas climatizadas com tecnologia eletrificada, controle biológico e produção ininterrupta mesmo com 45 °C do lado de fora

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 20/12/2025 às 16:42
Pure Harvest produz mais de 15 milhões de kg por ano em estufas climatizadas nos Emirados, garantindo tomates e frutas o ano inteiro no deserto.
Pure Harvest produz mais de 15 milhões de kg por ano em estufas climatizadas nos Emirados, garantindo tomates e frutas o ano inteiro no deserto.
  • Reação
  • Reação
14 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Estufas de alta tecnologia da Pure Harvest mantêm produção contínua de tomates e frutas nos Emirados, com microclima controlado e logística curta, capacidade acima de 15 milhões de kg anuais e foco em qualidade sem resíduo e climatização eletrificada.

Com capacidade superior a 15 milhões de quilos por ano, a Pure Harvest Smart Farms opera estufas climatizadas que entregam tomates, folhas e berries durante os 12 meses, mesmo sob o calor extremo dos Emirados Árabes Unidos.

Trata-se de um caso de agricultura em ambiente controlado que se consolidou no Golfo a partir de 2017, com produção próxima aos centros consumidores e foco em reduzir a dependência de alimentos importados por via aérea.

A companhia afirma produzir o ano inteiro com padrão uniforme de qualidade e disponibilidade, apoiada por parques de cultivo de alta tecnologia e processos pós-colheita integrados.

Estufas climatizadas nos Emirados Árabes

As unidades produtivas ficam estrategicamente distribuídas no país, com destaque para o polo de Al Ain, no emirado de Abu Dhabi.

Nessas estufas de vidro, o microclima é controlado para manter temperatura e umidade dentro de faixas estáveis, viabilizando ciclos contínuos.

A lógica é típica de cultivo protegido: sensores e sistemas de automação ajudam a preservar a produtividade em meses de maior estresse térmico, reduzindo oscilação de rendimento e de calibre.

O abastecimento se concentra em cadeias de varejo do próprio país e de mercados próximos, sustentado pelo princípio “grown here, not flown here”, que privilegia produção local e trajetos curtos até as prateleiras.

Climatização eletrificada e eficiência energética

A climatização é um dos eixos técnicos da operação.

Em parceria com a indústria de refrigeração e ar-condicionado, a empresa implantou uma planta eletrificada de aquecimento e resfriamento em estufa no deserto, combinando bombas de calor e chillers de alta eficiência.

O sistema foi desenhado para atender demandas simultâneas de calor e frio com menor consumo energético e hídrico em comparação a arranjos convencionais, o que é central para viabilizar horticultura de precisão em um dos ambientes mais desafiadores do planeta.

Esse arranjo permite manter as condições internas mesmo quando a temperatura externa ultrapassa 45 °C, algo recorrente no verão do Golfo.

Controle biológico e qualidade sem resíduo

O manejo fitossanitário privilegia controle biológico.

Segundo a Pure Harvest, o uso de insetos benéficos no lugar de defensivos químicos visa garantir produto “livre de resíduo de pesticidas”, um atributo valorizado pelo varejo e por consumidores que buscam rastreabilidade.

A estratégia inclui seleção de sementes adaptadas ao cultivo protegido, condução e podas específicas por cultura e acesso a luz natural abundante, modulada por sombreamento conforme a estação.

A empresa também declara eficiência significativamente superior à de lavouras a céu aberto e de estufas desérticas tradicionais, resultado de ganho de produtividade por metro quadrado e de melhor aproveitamento de água e insumos.

Portfólio com tomates, folhas e berries

Tomates respondem pela maior fatia do portfólio e aparecem em diversas variedades, do tipo grape aos alongados, passando por frutos voltados a maior vida de prateleira.

A operação também abrange folhas e berries, com destaque para morangos cultivados em sistemas protegidos, o que amplia a oferta local de frutas que historicamente dependiam de importação por longas distâncias.

A padronização de colheita, classificação e embalagem é componente-chave para atender contratos com grandes redes, reduzindo perdas e assegurando calibres e doçura dentro de especificações.

Cadeia curta e logística próxima do consumidor

O desenho de cadeia curta é parte do diferencial competitivo.

Ao produzir a menos de 100 quilômetros do consumidor, a operação encurta prazos logísticos, diminui perdas na etapa de transporte e reduz exposição a choques externos de custo de frete.

O modelo também atenua sazonalidades típicas de climas áridos, uma vez que o ambiente interno das estufas não depende das variações bruscas do deserto.

O resultado é disponibilidade estável de itens frescos ao longo do ano, com menor volatilidade de preço ao consumidor final quando comparada a produtos que chegam por via aérea.

Expansão e investimentos em agritech no Golfo

A expansão dos últimos anos incluiu novos sítios produtivos e parcerias regionais para acelerar a construção e a adaptação de infraestrutura, com retrofits de estufas e integração de pacotes tecnológicos para ganho de eficiência.

Essa evolução foi suportada por rodadas de captação relevantes no ecossistema de agritechs do Oriente Médio, o que permitiu aumentar a escala da operação e investir em sistemas de energia, água e pós-colheita.

Em paralelo, a empresa passou a comunicar metas de crescimento de capacidade e a explorar produtos de maior valor agregado dentro do mesmo arcabouço de agricultura protegida.

Segurança alimentar e políticas públicas

No campo regulatório e institucional, o caso dialoga com estratégias oficiais de segurança alimentar e de diversificação produtiva do país.

Governos do Golfo vêm indicando em diretrizes públicas o interesse por cadeias mais resilientes, especialmente após eventos que afetaram logística global.

Ao oferecer produção local em escala comercial, o modelo de estufas climatizadas ganha relevância como ferramenta para reduzir risco de desabastecimento em categorias sensíveis, como hortifruti fresco.

O fato de operar sob padrões internacionais de qualidade e rastreabilidade contribui para inserir a produção protegida nos protocolos de compras do varejo moderno.

Gestão em tempo real dentro das estufas

A operação em ambiente controlado demanda qualificação de mão de obra para monitoramento em tempo real e resposta rápida a variações internas de microclima.

A gestão utiliza leituras constantes de parâmetros como temperatura do ar, umidade relativa e, quando aplicável, indicadores de solução nutritiva.

Em estufas comerciais, as decisões sobre ventilação, resfriamento adiabático, aquecimento, sombreamento e irrigação são tomadas conforme metas de produção e critérios de qualidade, mantendo consistência de colheita.

É um componente menos visível que as estruturas de vidro, mas decisivo para sustentar a produtividade que permite atingir a marca anual comunicada publicamente.

Disponibilidade anual e padrão de qualidade

A Pure Harvest destaca ainda que, ao substituir voos internacionais por rotas curtas, o modelo reduz a pegada associada ao transporte de alimentos perecíveis.

Embora a contabilidade detalhada de emissões dependa de múltiplas variáveis, o deslocamento menor e a estabilidade de cadeia de frio tendem a preservar qualidade sensorial e nutricional, fatores que pesam na negociação com redes de supermercados e serviços de alimentação.

A presença contínua nas gôndolas, sem interrupções fortes entre estações, reforça o posicionamento de disponibilidade “o ano inteiro”.

Transparência sobre números divulgados publicamente

A cifra de 15 milhões de quilos por ano tem sido citada por veículos internacionais e em comunicações públicas da própria empresa, em referência à capacidade instalada e à produção anual agregada no país.

Em um setor sujeito a variações por safra, clima e mercado, a transparência sobre capacidade e sobre padrões de cultivo protegido ajuda a contextualizar a escala, especialmente quando comparada ao histórico recente de horticultura no deserto, antes fortemente dependente de importação aérea de itens como tomates premium e morangos.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x