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Depois de cair 17,3% até junho, biodiesel vira para cima, sobe 9,5% e chega a R$ 5.362 por m³ enquanto B15 já ocupa 15% do diesel brasileiro

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 10/09/2026 às 10:35 Atualizado em 10/09/2026 às 10:50
Fábrica de biodiesel na Lapa vira a maior do mundo: Grupo Potencial salta de 900 milhões para 1,62 bilhão de litros de biodiesel de soja por ano.
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Preço médio avançou mais 0,9% na 35ª semana de 2026 e chegou a R$ 5.362,81 por m³; depois de despencar no primeiro semestre, mercado acumula recuperação de 9,5% desde junho

O preço do biodiesel no Brasil mudou de direção depois de passar boa parte do primeiro semestre em queda. Entre janeiro e o começo de junho, o combustível renovável acumulou recuo de 17,3%, mas desde então iniciou uma recuperação que já alcança aproximadamente 9,5%.

Na 35ª semana de 2026, o preço médio negociado entre usinas e distribuidores avançou mais 0,9% e chegou a R$ 5.362,81 por metro cúbico, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis divulgados pelo BiodieselBR em 8 de setembro de 2026.

O percentual semanal parece pequeno quando observado isoladamente.

Mas a sequência revela uma mudança muito maior.

Nas últimas sete semanas, o biodiesel acumula valorização de aproximadamente 5,5%. Quando a comparação começa na primeira metade de junho, período em que a tendência de recuperação ganhou força, a alta chega aos 9,5%.

E tudo isso acontece depois de o Brasil aumentar estruturalmente a presença desse biocombustível no tanque: desde agosto de 2025, o diesel vendido no país utiliza obrigatoriamente 15% de biodiesel, formando o chamado B15.

Janeiro começou perto de R$ 6 por litro, mas queda de 17,3% virou o mercado de cabeça para baixo até junho

Para entender por que os reajustes das últimas semanas chamam atenção, é necessário voltar ao começo de 2026.

Na virada do ano, o biodiesel chegou a ser comercializado próximo da faixa de R$ 6 por litro.

Depois disso, começou uma trajetória descendente.

Entre janeiro e os primeiros dias de junho, o preço acumulou queda de 17,3%, movimento suficientemente forte para colocar o mercado em um patamar consideravelmente inferior ao observado no início do ano.

Mesmo após a recuperação mais recente, o biodiesel ainda não recuperou integralmente tudo o que perdeu durante o primeiro semestre.

Isso cria uma trajetória em duas etapas bastante clara:

primeiro, queda de 17,3%.

Depois, recuperação de aproximadamente 9,5%.

É justamente essa inversão que transforma um reajuste semanal aparentemente pequeno em um indicador importante para usinas, distribuidores e consumidores industriais.

Depois de altas de 0,1% e 0,4%, biodiesel acelera novamente e sobe 0,9% em uma semana

A velocidade dessa recuperação também mudou.

Na 33ª semana de 2026, o reajuste médio havia sido de apenas 0,1%.

Na semana seguinte, a alta chegou a 0,4%.

Agora, na 35ª semana, o avanço alcançou 0,9%.

A sequência mostra que a valorização semanal voltou a ganhar força.

Ainda não é possível afirmar quanto tempo o movimento continuará nem se os preços retornarão aos níveis registrados no início do ano.

Mas o comportamento das últimas semanas mostra que a tendência de forte queda observada nos primeiros meses perdeu força.

O novo preço médio de R$ 5.362,81 por m³ passa, portanto, a funcionar como mais um marco dessa recuperação.

R$ 5.362 por m³ não significam que motorista encontrará biodiesel a R$ 5,36 na bomba

Existe uma diferença importante entre esse preço e aquilo que o consumidor encontra nos postos.

Os R$ 5.362,81 por metro cúbico representam valores médios praticados em operações envolvendo agentes da cadeia de biodiesel.

Não se trata diretamente do preço final pago pelo motorista.

Além disso, o biodiesel puro não representa todo o combustível colocado no tanque dos veículos brasileiros movidos a diesel.

O produto vendido normalmente nos postos é uma mistura.

Desde 1º de agosto de 2025, o percentual obrigatório de biodiesel passou de 14% para 15%, criando o diesel B15.

Isso significa que, a cada 100 litros de diesel B comercializados, 15 litros correspondem ao componente biodiesel.

Os outros 85 litros são formados pelo componente fóssil.

Por isso, uma alta de 0,9% no biodiesel não significa automaticamente aumento de 0,9% no preço final do diesel encontrado nas bombas.

Existem outras variáveis envolvidas, como preço do diesel mineral, impostos, custos logísticos, margens de distribuição e revenda.

B15 colocou 15 litros de biodiesel em cada 100 litros da mistura vendida no Brasil

A importância dessas oscilações aumentou à medida que o Brasil passou a utilizar mais biodiesel.

Em agosto de 2025, entrou em vigor a elevação da mistura obrigatória de B14 para B15.

Na prática, o país aumentou em um ponto percentual a participação do produto renovável na mistura nacional.

Essa pequena mudança percentual representa um volume significativo quando aplicada aos bilhões de litros de diesel consumidos anualmente no país.

O CPG já mostrou que o governo e o setor passaram a discutir inclusive o passo seguinte, com estudos relacionados ao diesel B16 e à possibilidade de aumentar novamente a quantidade de biodiesel presente no combustível brasileiro.

Quanto maior a mistura obrigatória, maior tende a ser a necessidade de biodiesel para atender distribuidoras e consumidores.

Mas a expansão da demanda não acontece isoladamente.

Oferta das usinas, preço das matérias-primas e condições comerciais continuam influenciando diretamente o mercado.

Brasil acaba de produzir quase 10 bilhões de litros de biodiesel em apenas um ano

A recuperação dos preços ocorre dentro de uma indústria que alcançou escala recorde.

Em 2025, o Brasil produziu aproximadamente 9,8 bilhões de litros de biodiesel, segundo dados consolidados do setor energético brasileiro.

O volume representou crescimento de aproximadamente 8,5% em relação ao ano anterior.

O CPG mostrou como a produção brasileira de biodiesel alcançou recorde em 2025 e movimentou mais de R$ 55 bilhões no mercado interno.

Quando uma cadeia movimenta quase 10 bilhões de litros em apenas 12 meses, variações relativamente pequenas no preço unitário passam a representar volumes financeiros significativos.

É por isso que reajustes semanais são acompanhados de perto por produtores, distribuidores, transportadoras e grandes consumidores.

Óleo de soja continua fornecendo quase dois terços da matéria-prima usada pelas usinas

Para entender o preço do biodiesel, também é necessário olhar para muito além das próprias usinas.

A maior parte da produção brasileira ainda começa no campo.

O óleo de soja respondeu por aproximadamente 65,9% das matérias-primas utilizadas na fabricação de biodiesel em 2025.

Isso significa que quase dois terços da produção dependem direta ou indiretamente da cadeia da soja.

A ligação cria uma ponte entre duas atividades que, para o consumidor comum, parecem separadas.

De um lado estão lavouras, esmagadoras de grãos e fábricas de óleo vegetal.

Do outro, usinas transformam esses insumos em biodiesel que posteriormente segue para distribuidoras e entra na mistura utilizada por caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e equipamentos industriais.

Mudanças na disponibilidade e no preço dos óleos vegetais podem, portanto, alterar a estrutura de custos das produtoras.

Complexos gigantes já conseguem fabricar centenas de milhões de litros por ano

O crescimento do biodiesel brasileiro também levou à construção de instalações industriais cada vez maiores.

Alguns complexos já operam em uma escala capaz de movimentar centenas de caminhões e produzir centenas de milhões de litros anualmente.

O CPG mostrou recentemente um exemplo dessa transformação ao detalhar um megacomplexo industrial capaz de produzir 900 milhões de litros de biodiesel por ano e que receberá bilhões de reais para ampliar sua capacidade.

Essa escala ajuda a mostrar como o setor deixou de ser uma atividade complementar.

Biodiesel tornou-se uma indústria nacional com usinas, logística própria, fornecedores, grandes compradores e investimentos bilionários.

Caminhões começam a testar B100 enquanto o mercado obrigatório ainda trabalha com B15

A próxima fronteira pode ir além da mistura de 15%.

Algumas grandes empresas brasileiras já começaram a testar B100, denominação usada para o biodiesel utilizado praticamente puro.

Isso representa uma mudança radical em relação ao diesel B15.

Em vez de substituir somente 15% do diesel fóssil, operações específicas passam a testar substituições muito maiores.

O CPG revelou recentemente que caminhões da JBS já percorreram aproximadamente 500 mil quilômetros utilizando biodiesel B100 produzido a partir de sebo bovino.

Nesse caso, a matéria-prima nem sequer veio diretamente da soja.

O combustível foi produzido a partir de gordura animal originada na própria cadeia de carnes.

Isso mostra outra característica da indústria: embora o óleo de soja domine a produção, outras fontes podem participar da fabricação.

Biodiesel começa a sair das rodovias e entrar também nos tanques de navios

A expansão do produto não está limitada a caminhões, ônibus ou máquinas agrícolas.

O transporte marítimo também começou a testar misturas contendo biodiesel.

O CPG mostrou que a Petrobras fechou acordo para fornecer a navios da norueguesa Odfjell um combustível marítimo contendo 24% de biodiesel.

A mistura recebeu a denominação VLS B24.

Isso significa que 24% do combustível utilizado nesses testes corresponde ao componente biodiesel.

O movimento abre uma frente adicional para a cadeia brasileira.

Se aplicações voluntárias em transporte pesado, mineração, indústria e navegação crescerem, a demanda poderá deixar de depender exclusivamente do percentual obrigatório colocado no diesel rodoviário.

Alta de preços encontra uma indústria maior, novas misturas e mercados que não existiam poucos anos atrás

É justamente essa combinação que torna a recuperação iniciada em junho relevante.

O preço não está subindo dentro do mesmo mercado que existia há dez anos.

Hoje existe uma mistura obrigatória maior.

A produção nacional se aproxima de 10 bilhões de litros anuais.

Complexos industriais conseguem fabricar centenas de milhões de litros.

Caminhões começam a testar B100.

Navios já recebem combustíveis com biodiesel.

E o país ainda discute aumentar novamente o percentual obrigatório.

Isso significa que preço, produção e consumo estão entrando em uma fase de escala muito maior.

Biodiesel ainda vale menos que no começo de 2026, mas três meses mudaram completamente a direção

O dado mais importante da 35ª semana não é apenas a alta de 0,9%.

É a trajetória.

O biodiesel acumulou queda de 17,3% entre janeiro e o começo de junho.

Depois disso, a direção mudou.

A recuperação já alcança aproximadamente 9,5% desde a primeira metade de junho.

Somente nas últimas sete semanas, a alta acumulada está próxima de 5,5%.

Mesmo assim, o preço ainda permanece abaixo dos níveis registrados na virada do ano.

Isso significa que o mercado ainda não recuperou tudo aquilo que perdeu no primeiro semestre.

Mas a pergunta mudou.

No começo de 2026, usinas e compradores observavam o mercado tentando descobrir até onde os preços poderiam cair.

Agora, depois de meses de recuperação e de uma alta semanal que voltou a acelerar para 0,9%, a dúvida passa a ser outra:

quanto dos 17,3% perdidos no primeiro semestre o biodiesel ainda conseguirá recuperar — e até onde essa alta poderá avançar em um mercado que já coloca 15 litros do biocombustível em cada 100 litros de diesel vendido no Brasil?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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