Setor público tem déficit de R$ 17,3 bilhões em agosto, segundo BC. Dívida bruta segue em 77,5% do PIB e preocupa governo e investidores.
Déficit no setor público volta a preocupar economia brasileira
O setor público consolidado, que reúne União, Estados, municípios e estatais, fechou agosto de 2025 com um déficit primário de R$ 17,3 bilhões, segundo relatório divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (30/09/2025).
O resultado representa um dos maiores desequilíbrios fiscais do ano e reforça os desafios do governo em equilibrar as contas públicas.
O número negativo acontece após sucessivos déficits registrados nos últimos anos, evidenciando pressão sobre o PIB e a dívida pública.
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As próximas horas serão de tensão crescente em torno do viés a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) com relação à taxa básica de juros (Selic), ao cabo da reunião dessa quarta-feira (17). Embora o mercado se apresente ‘dividido’ quanto à decisão do colegiado, a tendência mais forte das últimas semanas é de que a taxa se mantenha inalterada no patamar atual de 14,50% ao ano. Já uma ala minoritária ainda ‘aposta’ em uma queda 0,25 ponto percentual (p.p).
Histórico recente mostra tendência negativa
Os dados do BC revelam que a trajetória fiscal do Brasil tem oscilado entre déficits expressivos e raros momentos de superávit.
Em agosto de 2021, por exemplo, o setor público havia registrado superávit de R$ 16,7 bilhões. Porém, desde então, a sequência é de resultados no vermelho: déficit de R$ 30,3 bilhões em 2022, R$ 22,8 bilhões em 2023, R$ 21,4 bilhões em 2024 e agora R$ 17,3 bilhões em 2025.
Essa série histórica mostra que, apesar de pequenas reduções na comparação anual, o déficit do setor público permanece como uma preocupação estrutural para a economia brasileira.
Detalhamento do resultado em agosto
Ao observar os números mais de perto, o governo central (formado por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) respondeu pela maior parte do rombo, com déficit de R$ 15,9 bilhões no mês.
Já os governos regionais, que incluem Estados e municípios, apresentaram déficit de R$ 1,3 bilhão.
As empresas estatais, por sua vez, tiveram resultado praticamente equilibrado, mas ainda negativo: déficit de R$ 6 milhões.
Esse quadro demonstra que a pressão fiscal não está restrita à esfera federal, mas também se espalha para outras áreas da administração pública.
Impacto no PIB e nas contas públicas
No acumulado dos últimos 12 meses, o setor público consolidado somou déficit primário de R$ 23,1 bilhões, equivalente a 0,19% do PIB.
Embora o percentual pareça pequeno, ele indica que o país segue gastando mais do que arrecada, sem considerar o pagamento de juros.
Quando se analisam os números nominais – que incluem os juros da dívida –, o resultado é ainda mais preocupante.
Em agosto, o déficit nominal chegou a R$ 91,5 bilhões, um sinal de que os custos financeiros da dívida continuam pesando fortemente sobre o orçamento público.
Dívida bruta permanece elevada
Outro ponto de destaque no relatório é a dívida bruta do governo geral, que engloba União, INSS e administrações estaduais e municipais.
Em agosto, o indicador se manteve em 77,5% do PIB, o mesmo patamar de julho, totalizando R$ 9,6 trilhões.
Segundo especialistas, o fato de a dívida não ter crescido no mês traz um alívio momentâneo, mas ainda revela uma situação fiscal frágil.
O nível elevado limita a capacidade do governo de investir em áreas estratégicas, como infraestrutura e programas sociais, além de reduzir a confiança de investidores.
O que esses números revelam sobre o futuro econômico
A persistência do déficit no setor público acende um alerta para os próximos meses. Se o governo não conseguir reduzir gastos ou ampliar receitas, o país corre o risco de aumentar ainda mais sua dependência do endividamento.
Isso poderia pressionar os juros e comprometer o crescimento do PIB.
Além disso, a estabilidade da dívida em relação ao PIB não significa melhora estrutural. Pelo contrário, ela reflete um equilíbrio temporário em meio a um cenário de alta de despesas obrigatórias e limitações para ampliar a arrecadação.
O relatório do Banco Central confirma que o Brasil ainda enfrenta um sério desafio fiscal. O déficit do setor público, aliado ao peso da dívida, continua sendo um dos maiores entraves para o avanço sustentável da economia.
Para reverter esse cenário, o governo terá de adotar medidas consistentes de controle de gastos e estímulo à atividade econômica, buscando melhorar a relação entre arrecadação e despesas.
Enquanto isso, a população segue acompanhando de perto os impactos dessa realidade nas políticas públicas, nos investimentos e, principalmente, no crescimento do PIB brasileiro.

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