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Localização BA Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 4 comentários

Davi, o jovem de Arembepe que ajudava a mãe baiana de acarajé e cresceu em família de trabalhador, aprova em Medicina na UFBA e na USP, emociona a escola pública e realiza o sonho de ser médico depois de um ano de preparação sem cursinho

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 19/04/2026 às 12:32
Atualizado em 19/04/2026 às 12:34
Jovem da escola pública da Bahia é aprovado em Medicina na UFBA e USP após estudar sozinho e emociona comunidade escolar.
Jovem da escola pública da Bahia é aprovado em Medicina na UFBA e USP após estudar sozinho e emociona comunidade escolar.
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Trajetória marcada por trabalho familiar, estudo autônomo e disciplina leva jovem da escola pública baiana a conquistar duas vagas em Medicina, em universidades de alto prestígio, mobilizando professores, colegas e ampliando o debate sobre acesso ao ensino superior no Brasil.

Davi Rocha, de 19 anos, egresso da rede estadual da Bahia, foi aprovado em Medicina na Universidade Federal da Bahia e também na Universidade de São Paulo, no campus de Ribeirão Preto, após estudar por conta própria durante 2025.

Morador de Arembepe, em Camaçari, ele concluiu o ensino médio em 2024 e voltou à escola pública onde estudou para reencontrar professores e gestores, acompanhado dos pais, em uma visita que transformou a própria conquista em símbolo de identificação para outros estudantes.

Aprovação em Medicina na UFBA e USP ganha repercussão

A dupla aprovação chamou atenção pelo peso acadêmico e pelo percurso até o resultado.

Filho de uma baiana de acarajé e de um soldador, Davi cresceu em uma rotina marcada pelo trabalho familiar e pela experiência direta com a escola pública.

A trajetória ganhou repercussão porque une dois elementos que raramente aparecem dissociados no debate sobre acesso ao ensino superior: alto desempenho em um curso de forte concorrência e origem popular sustentada por trabalho cotidiano, disciplina e permanência na rede pública.

No caso da UFBA, o estudante ficou em primeiro lugar na modalidade LI-EP, reservada a alunos oriundos de escola pública, independentemente de renda familiar.

Já a vaga na USP, em Ribeirão Preto, veio pela segunda chamada do Sisu 2026, divulgada em 3 de fevereiro.

A combinação dos dois resultados ampliou o alcance da história porque colocou o nome do jovem baiano em duas das instituições mais disputadas do país no mesmo processo de ingresso.

Estudo sem cursinho e preparação para o Enem

A preparação aconteceu longe de um cenário idealizado.

Depois de sair do Colégio Estadual Professora Nadir Araújo Copque, em Arembepe, Davi tentou entrar em Medicina com a nota obtida no Enem de 2024, mas não alcançou a pontuação necessária.

Em vez de interromper o projeto, reorganizou a rotina, estudou sozinho ao longo de 2025 e manteve regularidade suficiente para chegar ao Sisu 2026 em condição de disputar as vagas que desejava.

Essa etapa da história ajuda a explicar por que a aprovação foi recebida com tanta comoção dentro da escola.

O retorno de Davi à unidade, em 4 de fevereiro de 2026, ocorreu durante a Jornada Pedagógica da rede estadual e foi tratado pela direção como algo que ultrapassa o êxito individual.

Rotina entre trabalho, estudos e apoio familiar

A relação entre estudo e trabalho aparece como um dos traços mais consistentes da trajetória.

Desde cedo, Davi ajudou a mãe, Gerusa dos Santos Rocha, conhecida como Geu, na produção e na venda de acarajés.

Nos fins de semana, essa participação seguia integrada à rotina da casa, ao mesmo tempo em que ele mantinha o foco na preparação para o ensino superior.

A experiência não surge como detalhe periférico da biografia, mas como parte do ambiente em que o projeto de cursar Medicina foi sendo sustentado.

Do lado paterno, a história também carrega marcas de origem social bastante nítidas.

Ednaldo Alves de Oliveira, pai do estudante, foi criado na zona rural de Mata de São João, com pouco acesso à escola e infância atravessada pelo trabalho no campo.

Ao relacionar a vitória do filho ao próprio percurso, ele resumiu a dimensão geracional da conquista ao afirmar que sempre acreditou que os filhos poderiam ir além.

Interesse pela Medicina e perfil acadêmico

O interesse pela Medicina, segundo a Secretaria da Educação da Bahia, amadureceu ainda no período escolar e foi impulsionado pelo gosto pelos estudos, pela curiosidade intelectual e pela busca de um campo que exigisse aprendizado contínuo.

Ao explicar a escolha, Davi afirmou: “Queria uma profissão que me desafiasse e me fizesse evoluir sempre”.

A declaração ajuda a situar a decisão menos como idealização e mais como um projeto de longo prazo construído com regularidade.

A rotina descrita pelos órgãos do governo baiano também afasta a imagem simplificada de um estudante isolado apenas nos livros.

Além das horas de estudo, Davi manteve prática de atividades físicas para preservar o equilíbrio emocional e continuou colaborando com a família.

Ao falar sobre o período de preparação, resumiu o processo em uma frase curta: “As dificuldades fazem parte, mas o essencial é manter a postura”.

Reconhecimento da escola pública e impacto social

Na escola, a lembrança deixada pelo ex-aluno já apontava para esse perfil antes mesmo dos resultados do Sisu.

A diretora Guilhermina Silva Souza associou a aprovação ao esforço pessoal, ao apoio familiar e ao trabalho da escola pública.

Já o professor de Geografia Rafael Mattos Araújo destacou uma característica recorrente em sala de aula ao dizer que ele “sempre ia além do que era pedido”.

As duas avaliações ajudam a entender por que a visita à unidade teve repercussão imediata entre alunos e professores.

O reencontro com os educadores, porém, não teve apenas valor afetivo.

Ao voltar ao colégio depois de passar em Medicina, Davi devolveu à comunidade escolar uma imagem rara de continuidade entre esforço cotidiano e resultado concreto.

Em muitos casos, a promessa de mobilidade pela educação aparece apenas no discurso institucional; ali, ela ganhou rosto, origem, endereço e trajetória reconhecíveis por quem compartilha condições parecidas dentro da mesma rede de ensino.

Também por isso a história repercute além da Bahia.

A aprovação de um jovem que estudou em escola pública, ajudou a mãe no trabalho, enfrentou a frustração de uma tentativa anterior e chegou a duas universidades de referência dialoga com uma discussão nacional sobre acesso, permanência e oportunidade.

O caso não apaga as desigualdades que moldam a disputa por vagas em Medicina, mas mostra, com dados identificáveis e personagens reais, como esse percurso pode ser construído quando base escolar, persistência e suporte familiar se encontram.

Nesse sentido, o episódio vivido em Arembepe não se resume a uma celebração isolada.

Ele reúne, em uma mesma sequência de fatos, o trabalho popular de uma família, a formação oferecida por uma escola estadual, a insistência depois de um resultado insuficiente no Enem e a chegada a dois cursos de Medicina por meio do Sisu 2026.

É essa combinação, mais do que qualquer tentativa de transformar a trajetória em exceção heroica, que explica por que o nome de Davi Rocha passou a circular como referência de identificação para estudantes que enxergam na escola pública o principal caminho possível de ascensão educacional.

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Edneide
Edneide
21/04/2026 20:59

Parabéns você vai longe.

Selma
Selma
21/04/2026 19:51

Saber disso nos dá tanta alegria . quando uma pessoa tem um sonho e objetivos nada pode deter nossos planos.
Parabéns Davi Rocha.

FERNANDO NOVAES SANTOS
FERNANDO NOVAES SANTOS
Em resposta a  Selma
22/04/2026 08:50

PARABÉNS DAVI. VOCÊ VAI LONGE. EXEMPLO PARA OS JOVENS, QUE IRÃO SE INSPIRAR EM VOCÊ. MAIS UMA VEZ, PARABÉNS!

Nadir Faganelli
Nadir Faganelli
Em resposta a  Selma
25/04/2026 16:18

Parabéns Davi que Deus continue te abençoando sempre…

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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