Trajetória marcada por trabalho familiar, estudo autônomo e disciplina leva jovem da escola pública baiana a conquistar duas vagas em Medicina, em universidades de alto prestígio, mobilizando professores, colegas e ampliando o debate sobre acesso ao ensino superior no Brasil.
Davi Rocha, de 19 anos, egresso da rede estadual da Bahia, foi aprovado em Medicina na Universidade Federal da Bahia e também na Universidade de São Paulo, no campus de Ribeirão Preto, após estudar por conta própria durante 2025.
Morador de Arembepe, em Camaçari, ele concluiu o ensino médio em 2024 e voltou à escola pública onde estudou para reencontrar professores e gestores, acompanhado dos pais, em uma visita que transformou a própria conquista em símbolo de identificação para outros estudantes.
Aprovação em Medicina na UFBA e USP ganha repercussão
A dupla aprovação chamou atenção pelo peso acadêmico e pelo percurso até o resultado.
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Filho de uma baiana de acarajé e de um soldador, Davi cresceu em uma rotina marcada pelo trabalho familiar e pela experiência direta com a escola pública.
A trajetória ganhou repercussão porque une dois elementos que raramente aparecem dissociados no debate sobre acesso ao ensino superior: alto desempenho em um curso de forte concorrência e origem popular sustentada por trabalho cotidiano, disciplina e permanência na rede pública.
No caso da UFBA, o estudante ficou em primeiro lugar na modalidade LI-EP, reservada a alunos oriundos de escola pública, independentemente de renda familiar.
Já a vaga na USP, em Ribeirão Preto, veio pela segunda chamada do Sisu 2026, divulgada em 3 de fevereiro.
A combinação dos dois resultados ampliou o alcance da história porque colocou o nome do jovem baiano em duas das instituições mais disputadas do país no mesmo processo de ingresso.
Estudo sem cursinho e preparação para o Enem
A preparação aconteceu longe de um cenário idealizado.
Depois de sair do Colégio Estadual Professora Nadir Araújo Copque, em Arembepe, Davi tentou entrar em Medicina com a nota obtida no Enem de 2024, mas não alcançou a pontuação necessária.
Em vez de interromper o projeto, reorganizou a rotina, estudou sozinho ao longo de 2025 e manteve regularidade suficiente para chegar ao Sisu 2026 em condição de disputar as vagas que desejava.
Essa etapa da história ajuda a explicar por que a aprovação foi recebida com tanta comoção dentro da escola.
O retorno de Davi à unidade, em 4 de fevereiro de 2026, ocorreu durante a Jornada Pedagógica da rede estadual e foi tratado pela direção como algo que ultrapassa o êxito individual.
Rotina entre trabalho, estudos e apoio familiar
A relação entre estudo e trabalho aparece como um dos traços mais consistentes da trajetória.
Desde cedo, Davi ajudou a mãe, Gerusa dos Santos Rocha, conhecida como Geu, na produção e na venda de acarajés.
Nos fins de semana, essa participação seguia integrada à rotina da casa, ao mesmo tempo em que ele mantinha o foco na preparação para o ensino superior.
A experiência não surge como detalhe periférico da biografia, mas como parte do ambiente em que o projeto de cursar Medicina foi sendo sustentado.
Do lado paterno, a história também carrega marcas de origem social bastante nítidas.
Ednaldo Alves de Oliveira, pai do estudante, foi criado na zona rural de Mata de São João, com pouco acesso à escola e infância atravessada pelo trabalho no campo.
Ao relacionar a vitória do filho ao próprio percurso, ele resumiu a dimensão geracional da conquista ao afirmar que sempre acreditou que os filhos poderiam ir além.
Interesse pela Medicina e perfil acadêmico
O interesse pela Medicina, segundo a Secretaria da Educação da Bahia, amadureceu ainda no período escolar e foi impulsionado pelo gosto pelos estudos, pela curiosidade intelectual e pela busca de um campo que exigisse aprendizado contínuo.
Ao explicar a escolha, Davi afirmou: “Queria uma profissão que me desafiasse e me fizesse evoluir sempre”.
A declaração ajuda a situar a decisão menos como idealização e mais como um projeto de longo prazo construído com regularidade.
A rotina descrita pelos órgãos do governo baiano também afasta a imagem simplificada de um estudante isolado apenas nos livros.
Além das horas de estudo, Davi manteve prática de atividades físicas para preservar o equilíbrio emocional e continuou colaborando com a família.
Ao falar sobre o período de preparação, resumiu o processo em uma frase curta: “As dificuldades fazem parte, mas o essencial é manter a postura”.
Reconhecimento da escola pública e impacto social
Na escola, a lembrança deixada pelo ex-aluno já apontava para esse perfil antes mesmo dos resultados do Sisu.
A diretora Guilhermina Silva Souza associou a aprovação ao esforço pessoal, ao apoio familiar e ao trabalho da escola pública.
Já o professor de Geografia Rafael Mattos Araújo destacou uma característica recorrente em sala de aula ao dizer que ele “sempre ia além do que era pedido”.
As duas avaliações ajudam a entender por que a visita à unidade teve repercussão imediata entre alunos e professores.
O reencontro com os educadores, porém, não teve apenas valor afetivo.
Ao voltar ao colégio depois de passar em Medicina, Davi devolveu à comunidade escolar uma imagem rara de continuidade entre esforço cotidiano e resultado concreto.
Em muitos casos, a promessa de mobilidade pela educação aparece apenas no discurso institucional; ali, ela ganhou rosto, origem, endereço e trajetória reconhecíveis por quem compartilha condições parecidas dentro da mesma rede de ensino.
Também por isso a história repercute além da Bahia.
A aprovação de um jovem que estudou em escola pública, ajudou a mãe no trabalho, enfrentou a frustração de uma tentativa anterior e chegou a duas universidades de referência dialoga com uma discussão nacional sobre acesso, permanência e oportunidade.
O caso não apaga as desigualdades que moldam a disputa por vagas em Medicina, mas mostra, com dados identificáveis e personagens reais, como esse percurso pode ser construído quando base escolar, persistência e suporte familiar se encontram.
Nesse sentido, o episódio vivido em Arembepe não se resume a uma celebração isolada.
Ele reúne, em uma mesma sequência de fatos, o trabalho popular de uma família, a formação oferecida por uma escola estadual, a insistência depois de um resultado insuficiente no Enem e a chegada a dois cursos de Medicina por meio do Sisu 2026.
É essa combinação, mais do que qualquer tentativa de transformar a trajetória em exceção heroica, que explica por que o nome de Davi Rocha passou a circular como referência de identificação para estudantes que enxergam na escola pública o principal caminho possível de ascensão educacional.

Parabéns você vai longe.
Saber disso nos dá tanta alegria . quando uma pessoa tem um sonho e objetivos nada pode deter nossos planos.
Parabéns Davi Rocha.
PARABÉNS DAVI. VOCÊ VAI LONGE. EXEMPLO PARA OS JOVENS, QUE IRÃO SE INSPIRAR EM VOCÊ. MAIS UMA VEZ, PARABÉNS!
Parabéns Davi que Deus continue te abençoando sempre…