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Corretora de imóveis de 75 anos vai checar um vizinho de 90 que vivia sozinho após o teto da casa desabar, percebe que ele estava sem família e com câncer terminal, passa a visitá-lo e o leva para morar no próprio quarto, adiando a reforma da casa, para cuidar dele em casa em tempo integral

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 12/09/2026 às 13:10 Atualizado em 12/09/2026 às 13:11
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Annie Messenger transformou o quarto principal de sua casa em espaço de cuidados para Kent Tachibana, ex-engenheiro diagnosticado com câncer de fígado em estágio 4, enquanto amigos e profissionais de hospice passaram a integrar a rede de apoio organizada ao redor dele.

Uma checagem de bem-estar em Huntington Beach, na Califórnia, transformou a relação entre a corretora de imóveis Annie Messenger e o então vizinho Kent Tachibana. Depois de encontrá-lo em condições delicadas, ela continuou a visitá-lo e mais tarde decidiu recebê-lo em casa.

A história foi relatada pelo Los Angeles Times. À época da reportagem, Tachibana tinha 90 anos, enfrentava câncer de fígado em estágio 4 e não possuía familiares vivendo nos Estados Unidos que pudessem assumir sua rotina de cuidados.

O contato mais próximo entre os dois havia começado depois que o teto da casa de Tachibana desabou em Huntington Harbour Village. Moradores perceberam que não o viam havia alguns dias, e o incorporador ligado à comunidade pediu a Messenger que verificasse o que havia acontecido.

Ela chamou Gabi Shaughnessy, amiga que morava na região e trabalhava como enfermeira, para acompanhá-la. Como Tachibana não respondeu à porta, a polícia foi acionada; uma pequena janela do banheiro estava parcialmente aberta e permitiu a entrada, enquanto paramédicos também foram chamados.

Tachibana foi encontrado em condições delicadas e levado para uma instituição de assistência em Huntington Beach. Messenger continuou a visitá-lo e relatou ao jornal que o ex-engenheiro ficava abatido durante a permanência no local.

Do atendimento emergencial para a casa da vizinha

Sem parentes no país que pudessem assumir seus cuidados, Tachibana passou a contar diretamente com Messenger. A corretora obteve procuração para ajudá-lo em questões práticas e, depois de acompanhar sua permanência na instituição, decidiu oferecer a própria casa como alternativa.

A mudança exigiu uma reorganização da residência de Messenger, que passava por reforma. Uma cama hospitalar foi instalada no quarto principal para Tachibana, enquanto ela transferiu sua própria cama para a sala de estar, próxima à entrada e à área usada para trabalhar.

Os planos da reforma ficaram em segundo plano para que o espaço atendesse às necessidades do novo morador. Tachibana passou, assim, a permanecer em ambiente doméstico enquanto continuava recebendo acompanhamento profissional ligado aos cuidados paliativos.

O Los Angeles Times informou que ele recebia atendimento de hospice e era visitado pelo menos uma vez por semana por Tina Dam, enfermeira vocacional licenciada da Regency Hospice Care. Esse suporte complementava os cuidados assumidos diariamente por Messenger dentro da residência.

Quando precisava sair, a corretora providenciava outro cuidador para que Tachibana não permanecesse sozinho. Uma câmera instalada no quarto também permitia que ela verificasse como ele estava e conversasse com o idoso à distância durante suas ausências.

Uma rotina além do acompanhamento médico

O estado físico de Tachibana permanecia frágil. No período retratado pela reportagem, ele pesava menos de 45 quilos e já havia ultrapassado uma estimativa médica de sobrevida inferior a cinco meses que, conforme Messenger relatou ao jornal, recebera anteriormente.

A rotina na casa não se restringia ao acompanhamento clínico. Messenger levava Tachibana para áreas externas em cadeira de rodas, fazia refeições com ele e reservava momentos para assistir a filmes, atividades que passaram a integrar o cotidiano dos dois.

A convivência também incorporou preferências pessoais do ex-engenheiro. Ele gostava de culinária japonesa, e amigos começaram a levar alimentos como sopa de missô, enquanto outras pessoas contribuíam com livros e itens destinados ao conforto do idoso.

Messenger e Tachibana descobriram ainda uma preferência comum por sobremesas com sabor de café. Esses momentos dividiam espaço com medicamentos, repouso, visitas profissionais e a supervisão necessária para manter os cuidados em casa.

A decisão de receber um homem sem parentesco na própria rotina familiar provocou dúvidas iniciais entre integrantes da família de Messenger. A reportagem registrou que essa resistência diminuiu depois que os familiares acompanharam a convivência entre os dois e os cuidados prestados.

Messenger já mantinha uma ligação profissional estreita com Huntington Harbour Village antes do episódio. A corretora havia trabalhado no desenvolvimento e na comercialização de dezenas de imóveis na comunidade, onde sua participação na vida local antecedia a checagem que a aproximou de Tachibana.

Amigos ampliaram a rede de apoio

Os cuidados deixaram de depender apenas de Messenger. Amigos passaram a contribuir com refeições, livros e outras necessidades de Tachibana, formando uma rede informal de convivência e apoio entre vizinhos que complementava tanto a assistência cotidiana da corretora quanto o acompanhamento profissional de hospice.

Uma campanha de arrecadação organizada por Messenger também passou a ajudar nas despesas relacionadas aos cuidados, alimentação e conforto de Tachibana. Na página, ela se apresenta como vizinha, cuidadora e procuradora do ex-engenheiro.

A descrição da campanha informa que Messenger não recebe salário pelos cuidados e relata que a antiga casa de Tachibana foi considerada inabitável depois dos problemas estruturais. O imóvel acabou removido, segundo as informações publicadas na arrecadação.

A campanha havia reunido US$ 5.600 em 72 doações, diante de uma meta de US$ 6.500, na verificação feita durante a reescrita. A página não trazia, porém, uma atualização clínica detalhada que permitisse substituir as informações de saúde publicadas pelo Los Angeles Times.

Os dados sobre peso, prognóstico e condição médica de Tachibana, portanto, permanecem vinculados ao período retratado pelo jornal. A arrecadação continua destinada a despesas de cuidado diário, alimentação e itens de conforto necessários para a assistência prestada a ele em casa.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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