Kris Ann Valdez e o marido conheciam pouco Gary além do primeiro nome, apesar de viverem na casa ao lado havia mais de uma década. Um pedido de ajuda para transportar terra aproximou os vizinhos e deu início a refeições, festas de fim de ano e encontros frequentes com as crianças.
Durante 11 anos, Kris Ann e o marido dividiram a vizinhança com Gary sem que a convivência avançasse muito além de acenos e conversas rápidas. Eles sabiam que o homem era aposentado e solteiro, mas não haviam construído uma amizade com quem morava a poucos metros de distância.
A mudança começou quando o casal encontrou um buraco no quintal e recebeu um orçamento que considerou alto para o reparo. Com orientações detalhadas de um amigo que trabalhava como empreiteiro, decidiu fazer o serviço por conta própria e precisou buscar uma quantidade de terra que o Subaru Forester da família não conseguiria transportar.
-
Entomóloga do Museu de Zoologia da USP suga cupins com uma mangueira de borracha a 1.260 metros de altitude, no topo de arenito a 220 quilômetros ao norte de Barcelos, onde cinco dias de coleta já renderam mais de 100 plantas
-
Filho de ex-astro da NFL nasce com metade do coração, passa por três cirurgias e transplante, e experiência leva Greg Olsen a arrecadar mais de US$ 1 milhão para famílias de pacientes
-
Astro do beisebol vê filho de 3 anos sofrer paralisia pelo corpo, acompanha a criança durante 8 dias na UTI e doa US$ 1 milhão ao hospital que salvou o menino para financiar pesquisas e espaço destinado às famílias
-
Fim dos ferreiros de obra: o robô que amarra 1.100 nós de vergalhão por hora, entrega sozinho o serviço de 4 a 6 armadores que fazem de 150 a 250 nós e promete cortar 25% do cronograma das pontes
A caminhonete estacionada na casa ao lado oferecia uma alternativa. O marido de Kris Ann se aproximou de Gary, que estava do lado de fora regando as plantas, e perguntou se o aposentado poderia ajudá-lo com o transporte do material.
Gary concordou e decidiu acompanhar o vizinho no trajeto, de cerca de 20 minutos, em vez de apenas emprestar o veículo. Três jardas de terra foram colocadas na caçamba, quantidade que havia levado o casal a procurar uma solução diferente do carro da família.
Kris Ann relatou a história ao Business Insider, onde descreveu como aquele favor alterou uma relação que, até então, permanecia limitada à cordialidade entre vizinhos. Depois da viagem, o marido abasteceu a caminhonete, conferiu a pressão dos pneus e lavou a caçamba.
Ela decidiu agradecer de outra forma e convidou Gary para jantar. O encontro colocou o aposentado, pela primeira vez, dentro da rotina de uma casa com três crianças e um cachorro, depois de mais de uma década em que os moradores das duas casas quase não tinham convivido.
Do primeiro jantar aos feriados em família
Kris Ann tinha receio de que o movimento da casa pudesse incomodar alguém acostumado a morar sozinho. Durante o jantar, porém, as crianças fizeram perguntas ao novo convidado, enquanto Maple, a cadela da família, também buscava a atenção dele.
Depois da visita, Gary comentou com o marido de Kris Ann que estava vivendo uma nova fase e queria estar mais aberto às oportunidades que aparecessem. O pedido envolvendo a caminhonete havia sido uma dessas ocasiões e passou a ser seguido por novos convites.
Em uma das conversas seguintes, o casal descobriu que os parentes de Gary moravam em Boston e que ele passaria sozinho algumas das principais celebrações do fim de ano. A família então o chamou para o Thanksgiving, o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, e para o jantar de Natal.
O convite também incluiu a manhã de Natal, período que a família normalmente reservava ao núcleo da casa. Para Gary, foi preparada uma meia natalina recheada com chocolates, café, balas de menta e outros presentes.
Pouco depois, os vizinhos descobriram que o aniversário dele ocorre três dias após o Natal. Kris Ann e uma das filhas, então com 6 anos, fizeram um bolo para comemorar a data e lhe deram mais chocolates.
As festas deixaram de ser o único ponto de encontro. Com o tempo, Gary passou a participar dos dias comuns da família, aproximando-se dos três filhos de maneiras diferentes e ocupando o espaço que Kris Ann descreveu como o de uma figura de avô.
A convivência passa a fazer parte dos dias comuns
Com o filho mais novo, Gary costuma brincar de jogar bola. A filha de 7 anos pede que ele a jogue para o alto ou observe os movimentos de ginástica que aprendeu, enquanto o filho de 12 anos ajuda a garantir que o vizinho seja incluído nas caminhadas noturnas da família.
Maple também passou a demonstrar entusiasmo quando encontra o aposentado. A sequência de brincadeiras, caminhadas, refeições e visitas colocou Gary em uma rotina familiar que não existia durante os primeiros 11 anos em que todos viveram lado a lado.
A aproximação começou sem intimidade anterior. O que existia entre as duas casas era uma convivência cordial até que o reparo do quintal criou uma situação concreta em que o casal precisou pedir ajuda ao vizinho para transportar a terra.
O favor terminou quando a carga chegou à casa e a caminhonete foi devolvida, mas os encontros continuaram. Gary passou a ser convidado para refeições, comemorações e atividades cotidianas, enquanto cada uma das crianças desenvolveu uma forma própria de convivência com ele.
A relação construída com os vizinhos não substituiu os vínculos de Gary com os próprios parentes, que vivem em outra região dos Estados Unidos. Em uma visita a Boston, ele pediu uma fotografia de Kris Ann, do marido e das crianças para mostrar à própria família.
