Estrutura flutuante de 122 metros volta ao radar após anos fechada e deve ser transferida para Amsterdã, reunindo engenharia incomum, simbolismo religioso e proposta turística em larga escala na Holanda.
A réplica flutuante da Arca de Noé construída pelo holandês Johan Huibers, com 122 metros de comprimento, sete andares e espaços voltados a visitação, eventos e hospedagem, deve ser transferida de Krimpen aan den IJssel para o porto de Amsterdã, onde passará por reforma antes de voltar a ter uma nova destinação.
Fechada ao público desde 2016, a embarcação voltou ao noticiário depois que os planos de enviá-la ao exterior foram abandonados e um novo projeto passou a prever sua permanência na Holanda, com deslocamento pela costa do Mar do Norte por causa do porte incompatível com rios e canais internos.
A dimensão da estrutura ajuda a explicar a repercussão.
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A arca mede 122 metros de comprimento, 29 metros de largura e 27 metros de altura, números que a colocam entre as réplicas flutuantes mais incomuns já construídas no continente e a tornam visível de longe na paisagem portuária holandesa.
Engenharia da arca flutuante e uso de barcaças
O projeto em escala real começou a tomar forma em 2008, quando Huibers decidiu erguer uma versão muito maior da primeira arca que havia lançado anos antes e comprou 25 barcaças LASH, soldadas em Sliedrecht para formar a base flutuante que sustentaria toda a construção.

Sobre essa plataforma de aço, a embarcação recebeu revestimento de madeira de cedro e pinho, combinação escolhida para dar ao lado externo a aparência de uma grande arca inspirada na narrativa bíblica, embora o núcleo estrutural tenha sido pensado com soluções modernas para garantir estabilidade e flutuação.
A ideia não surgiu de forma repentina.
No relato publicado pelo site oficial Ark van Noach, Huibers diz que o projeto foi alimentado por anos de interesse na história bíblica de Noé e por um sonho recorrente com inundações atingindo a Holanda.
Antes da versão monumental, ele colocou na água uma primeira arca menor, lançada em Schagen em 29 de abril de 2007, com 70 metros de comprimento, 9,5 metros de largura e 13 metros de altura, desenhada para atravessar eclusas e passar sob pontes holandesas.
Essa embarcação menor percorreu mais de 20 pontos de parada em cidades como Rotterdam, Arnhem, Texel e Sneek, funcionando como teste de logística e de recepção do público, além de abrir caminho para a construção seguinte, muito mais ambiciosa em escala e custo.
Espaços internos com cinema, restaurante e hospedagem
Quando a versão maior foi concluída e aberta ao público, o espaço interno passou a reunir elementos de exposição e entretenimento.
Segundo o projeto divulgado por seus organizadores, a arca abriga áreas temáticas sobre a narrativa bíblica, dois cinemas, restaurante no convés superior e um grande salão de eventos.

Além disso, o navio conta com acomodações descritas em reportagens locais como quatro apartamentos, o que ampliou seu uso potencial para além da visitação turística e reforçou a proposta de transformar a estrutura em um equipamento multifuncional, capaz de receber públicos distintos em uma mesma operação.
O percurso interno foi pensado para sugerir a vida a bordo de uma embarcação inspirada no relato de Gênesis.
Havia áreas ligadas ao armazenamento de mantimentos, espaços associados à presença de animais e atividades dirigidas a famílias e grupos escolares, com foco em experiência imersiva.
Durante os anos em que funcionou como atração, a réplica atraiu visitantes interessados tanto no tamanho da construção quanto na adaptação física de uma referência religiosa amplamente conhecida.
A operação, no entanto, perdeu fôlego quando a embarcação precisou deixar Dordrecht por causa de um novo projeto residencial na área.
Transferência para Amsterdã e desafios logísticos
Desde a mudança para Krimpen aan den IJssel, em 2016, a arca permaneceu sem uso regular e fora de visitação.
Nesse intervalo, surgiram diferentes planos de venda, restauração e transferência, inclusive propostas que envolviam outros países, mas nenhuma delas avançou de forma definitiva naquele momento.
O novo plano prevê levar a embarcação para o porto de Amsterdã, numa operação considerada delicada justamente porque a arca não consegue seguir pelos canais e rios do país.

A alternativa em discussão é o transporte pelo Mar do Norte, possivelmente com apoio de uma plataforma especial.
A complexidade não está apenas no deslocamento.
Ao chegar ao novo destino, a estrutura deverá passar por uma reforma, já que partes da madeira apresentam desgaste depois de anos de exposição e de um longo período de inatividade.
A transferência também representa uma tentativa concreta de devolver função a uma embarcação que, desde a origem, foi concebida para atrair adultos e crianças por meio de uma experiência física, visual e caminhável.
Em vez de permanecer como uma peça extraordinária, porém parada, a arca pode voltar a operar como espaço expositivo, de eventos e de visitação, agora inserida em outro contexto urbano e vinculada a um novo projeto de ocupação portuária na capital holandesa.
O retorno ao centro das atenções acontece porque a embarcação reúne, ao mesmo tempo, escala fora do comum, forte reconhecimento visual e uma história empresarial marcada por avanços, interrupções e tentativas sucessivas de relançamento.
Há ainda um elemento raro nesse caso.
Diferentemente de outras grandes réplicas inspiradas na Arca de Noé instaladas em terra firme, a estrutura erguida por Huibers foi concebida como uma construção flutuante, capaz de ser rebocada e reposicionada, embora não seja uma embarcação preparada para navegação convencional em mar aberto.
Com a mudança para Amsterdã e a reforma prevista, a réplica entra em uma nova fase depois de quase uma década parada, recolocando em circulação um projeto que mistura engenharia, madeira, apelo bíblico e vocação turística em proporções difíceis de ignorar no cenário portuário dos Países Baixos.

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