Sondagem da FGV/IBRE com empresas associadas à ABCIC mostra avanço das vendas e do emprego, concentração da produção no Sul e Sudeste e diferentes estágios de adoção tecnológica; as expectativas para 2026 representam projeções das companhias participantes, e não resultados já consolidados.
Pré-fabricados de concreto transferem para a fábrica parte das etapas que seriam executadas diretamente no canteiro. Pilares, vigas, lajes e elementos de fachada são produzidos em ambiente controlado, transportados até a obra e instalados conforme o projeto, o que exige coordenação entre fabricação, logística e montagem.
A sondagem da Fundação Getulio Vargas para a ABCIC ouviu 43 das 56 empresas associadas à entidade, participação equivalente a 77%. Os dados de produção, vendas e pessoal se referem a 2024, enquanto as respostas sobre crescimento e investimentos registram expectativas empresariais para os períodos seguintes.
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Nesse universo, as vendas chegaram a 880.466 metros cúbicos em 2024, alta de 9,6% sobre 2023. A produção alcançou 716.293 metros cúbicos, crescimento de 7,4%, enquanto o número de empregados avançou 10,5% e terminou o período em 8.560 trabalhadores.
As médias ficaram em 20.963 metros cúbicos vendidos e 17.053 metros cúbicos produzidos por companhia, além de 199 empregados por empresa. Esses indicadores descrevem apenas as participantes da pesquisa e não devem ser interpretados como médias de todas as fabricantes de pré-fabricados existentes no país.
Da fábrica à montagem no canteiro
O processo começa com o detalhamento das peças, incluindo dimensões, resistência, armaduras, pontos de içamento e conexões previstos no projeto. Antes de seguir para a obra, cada elemento precisa atender às medidas e características definidas para permitir transporte, posicionamento e ligação com as demais partes da estrutura.
A fabricação em ambiente industrial concentra etapas como moldagem, cura, acabamento e controle dimensional antes do transporte. Depois, o planejamento precisa considerar peso e geometria das peças, capacidade dos equipamentos de içamento e sequência de montagem para que os componentes sejam instalados na ordem prevista.
No canteiro, guindastes e equipes posicionam os elementos e executam as ligações definidas no projeto. Por isso, tolerâncias dimensionais, acesso para os veículos, espaço para movimentação dos equipamentos e organização das etapas precisam ser considerados antes de a montagem começar.
A industrialização, porém, não significa automaticamente uma obra mais barata ou mais rápida. O resultado depende do tipo de empreendimento, do volume de peças, das distâncias de transporte, dos equipamentos necessários e da capacidade de coordenar fabricação e instalação sem criar interrupções no processo.
Indústria e logística concentram parte das vendas
A distribuição por segmento mostra maior participação de aplicações industriais e logísticas entre as empresas pesquisadas. A indústria respondeu por 28% das vendas em 2024, seguida pelos centros de distribuição e logística, com 18%, e por infraestrutura e obras especiais, com 15%.
O varejo representou 14% das vendas e os edifícios comerciais, 13%. O segmento habitacional ficou com 5%, enquanto outros usos responderam por 4% e shopping centers, por 3%; os percentuais correspondem ao mercado atendido pelas empresas da sondagem, e não ao conjunto da construção brasileira.
A produção também apresentou forte concentração regional. Sudeste e Sul somaram 88,2% do volume informado, com participações de 44,8% e 43,4%, respectivamente, enquanto o Nordeste respondeu por 7,1% e o Centro-Oeste, por 4,7% dentro do universo pesquisado.
Tecnologias avançam em ritmos diferentes
A pesquisa também identificou diferenças na incorporação de tecnologias ao processo produtivo. O concreto autoadensável era produzido por 78% das empresas participantes e correspondia a cerca de 64% do volume fabricado, mostrando adoção mais ampla desse tipo de material entre as companhias ouvidas.
O autoadensável é formulado para preencher as formas e envolver as armaduras com maior capacidade de escoamento, reduzindo a necessidade de vibração mecânica. Essa característica interessa especialmente à fabricação de elementos com geometrias e armaduras que exigem preenchimento uniforme do concreto.
O concreto de ultra alto desempenho, conhecido pela sigla UHPC, aparecia em estágio menos disseminado. Sete por cento das empresas informaram que a tecnologia já estava implementada e outros 7% estavam em implantação; na comparação apresentada pela pesquisa, essas duas condições somavam 9,7% em 2023.
Outros 55,8% dos participantes ainda mantinham o UHPC em estudo. O dado mostra que a adoção desse concreto continuava concentrada em uma parcela menor das empresas, enquanto mais da metade avaliava sua aplicação antes de incorporá-lo ao processo produtivo.
As expectativas para 2026 também precisam ser separadas dos resultados já medidos. Entre os respondentes, 42% projetavam crescimento da produção entre 2% e 10%, e 33% esperavam avanço superior a 10%, somando 75% das empresas com previsão de expansão.
Outros 14% esperavam estabilidade, 7% projetavam queda entre 2% e 10% e 5% previam retração superior a 10%. A sondagem também listou escassez de mão de obra, juros elevados, situação fiscal, atividade econômica brasileira e geopolítica mundial entre os fatores observados pelas empresas para o período.
A disposição para investir reforçava essa expectativa empresarial: 68% das participantes classificaram como certa a decisão de realizar investimentos nos 12 meses seguintes, enquanto outros 27% a consideraram quase certa. Esses percentuais registram intenção declarada pelas companhias e dependem da execução efetiva para se transformar em capacidade produtiva adicional.
