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Mineradora australiana prepara projeto de R$ 2 bilhões para extrair terras raras em Minas Gerais, mas moradores temem impactos ambientais

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Escrito por Roberta Souza Publicado em 15/10/2026 às 19:24 Atualizado em 15/10/2026 às 19:25
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Viridis pretende iniciar a produção em Poços de Caldas em 2028, em parceria com a belga Solvay. Enquanto isso, comunidades questionam a proximidade das escavações com residências e cobram esclarecimentos sobre os riscos.
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Viridis pretende iniciar a produção em Poços de Caldas em 2028, em parceria com a belga Solvay. Enquanto isso, comunidades questionam a proximidade das escavações com residências e cobram esclarecimentos sobre os riscos.

A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals avança nos preparativos de um projeto de terras raras em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais. A iniciativa prevê investimentos de US$ 450 milhões, aproximadamente R$ 2 bilhões, mas enfrenta resistência de moradores preocupados com os impactos ambientais. Segundo reportagem da Folha C-Level, publicada em 14 de outubro de 2026 e atualizada no dia 15, a empresa pretende iniciar a produção em 2028. No entanto, a Viridis ainda precisa obter a licença de instalação para começar as obras.

Projeto Colossus prevê investimento de R$ 2 bilhões em terras raras

O Projeto Colossus pretende explorar depósitos de argilas iônicas que contêm elementos de terras raras. Esses minerais têm aplicações importantes na fabricação de ímãs de alto desempenho.

Por exemplo, fabricantes utilizam esses componentes em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos médicos.

Para desenvolver o empreendimento, a Viridis firmou um acordo comercial com a empresa química belga Solvay.

Segundo Klaus Petersen, diretor-executivo da Viridis Brasil, a companhia pretende extrair os elementos das argilas e produzir um carbonato misto.

Em seguida, a parceria com a Solvay permitirá avançar nas etapas de processamento. Posteriormente, a empresa encaminhará o material para uma unidade na França, onde ocorrerão processos adicionais de separação e refino.

Além disso, o empreendimento reforça o interesse por minerais estratégicos em Minas Gerais. Em setembro, uma empresa canadense identificou 12 novos alvos de terras raras no Vale do Lítio, no nordeste mineiro.

Entretanto, os projetos ocupam regiões diferentes e apresentam estágios distintos de desenvolvimento.

Viridis já possui licença prévia, mas ainda não pode iniciar as obras

Em dezembro de 2025, a Viridis conquistou a licença prévia do Projeto Colossus, após análise do Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais.

Essa autorização reconhece a viabilidade ambiental preliminar do empreendimento, conforme as condições que o órgão responsável estabeleceu.

Contudo, a licença prévia não permite que a mineradora comece imediatamente a construção da mina.

Para avançar, a empresa ainda precisa conseguir a licença de instalação.

Além disso, o projeto integra a Classe 6 do licenciamento ambiental estadual, categoria mais elevada na classificação de potencial de impacto.

Por isso, a expansão da atividade mineral também provoca questionamentos entre moradores das comunidades próximas.

Moradores temem escavações próximas de casas e riscos à saúde

Uma das principais preocupações envolve a distância entre as futuras áreas de extração e os bairros residenciais.

Segundo a Folha, o planejamento prevê que, em uma etapa futura, as escavações possam chegar a aproximadamente 300 metros de algumas residências.

Moradores dos bairros Jardim Contorno e Paraíso, entre outras áreas, questionam os possíveis impactos do empreendimento.

Além disso, as comunidades demonstram preocupação com poeira, ruídos, consumo de água e eventuais consequências para a saúde.

Danielle Vilas Boas, integrante do coletivo Rara é a Vida, também questiona a instalação de uma operação desse porte perto de áreas urbanas.

Por outro lado, Petersen afirma que a empresa avalia adiar as escavações mais próximas das casas.

Segundo o executivo, a Viridis poderá modificar o planejamento caso os estudos confirmem impactos relevantes.

Além disso, a mineradora prevê medidas para controlar a poeira, como barreiras vegetais e utilização de água durante as operações.

Relatório federal aponta riscos socioambientais na região

As preocupações também chegaram ao governo federal.

Em junho de 2026, uma comitiva interministerial visitou a região para ouvir comunidades próximas dos projetos de terras raras.

Posteriormente, em 14 de setembro, o grupo divulgou um relatório de 60 páginas com alertas sobre possíveis impactos socioambientais.

O documento aponta riscos cumulativos para a água, o solo, a biodiversidade e a saúde pública.

Além disso, os técnicos destacam preocupações com a exposição a elementos radioativos e metais pesados.

Esses alertas também consideram o histórico de atividades nucleares na região.

Em Caldas, por exemplo, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) mantém uma antiga instalação de mineração de urânio em processo de descomissionamento.

Entretanto, o relatório não comprova que o Projeto Colossus já tenha provocado contaminação.

Na verdade, o documento apresenta riscos que exigem análise, prevenção e acompanhamento durante o licenciamento.

O setor mineral mineiro também passa por mudanças em outros empreendimentos, em reportagem publicada no CPG, foi noticiado que a Cabo Verde Mineração interrompeu a produção de minério de ferro em Minas Gerais, mas manteve os planos para um projeto de terras raras de US$ 460 milhões.

Embora as iniciativas sejam independentes, ambas mostram o crescimento do interesse por esses minerais no estado.

Ministério Público pede auditoria sobre projetos de terras raras

Em 16 de setembro de 2026, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União solicitou uma auditoria operacional.

O pedido envolve órgãos federais que atuam na autorização, no licenciamento e na fiscalização de projetos de terras raras.

Entre eles estão o Ibama e a Agência Nacional de Mineração (ANM).

Com a auditoria, o órgão pretende esclarecer o estágio dos empreendimentos e identificar possíveis passivos ambientais.

Além disso, solicita informações sobre os planos de fechamento das minas e as garantias financeiras para reparar eventuais danos.

Entretanto, o pedido não representa uma decisão definitiva sobre a regularidade dos projetos.

O TCU ainda precisa analisar a solicitação e definir os próximos procedimentos.

Viridis pretende movimentar 5 milhões de toneladas de argila por ano

O planejamento do Projeto Colossus contempla uma área de aproximadamente 400 hectares.

Segundo a Viridis, a futura operação deverá movimentar cerca de 5 milhões de toneladas de argilas iônicas por ano.

Além disso, a mineradora estima recuperar entre 2 e 3 quilos de terras raras por tonelada de argila processada.

Para realizar a extração, a companhia pretende abrir cavas menores e recuperar progressivamente os terrenos após a atividade mineral.

Segundo Petersen, o processo utilizará sulfato de amônio para retirar os elementos de interesse das argilas.

Em seguida, sistemas de lavagem deverão remover resíduos químicos antes da recuperação das áreas.

A empresa também pretende direcionar parte dos investimentos industriais para sistemas de recuperação de água e tratamento dos materiais.

Entretanto, os órgãos responsáveis ainda precisarão avaliar a eficácia dessas medidas durante as próximas etapas do licenciamento.

BNDES aprova R$ 77,5 milhões para pesquisas e processamento

Além dos investimentos previstos para a mina, a Viridis conseguiu a aprovação de R$ 77,5 milhões em financiamento do BNDES, em setembro de 2026.

Os recursos deverão apoiar o desenvolvimento de tecnologias e instalações demonstrativas para o processamento de terras raras.

Segundo Petersen, esse financiamento não integra o orçamento destinado à construção da mina.

Na prática, a empresa pretende utilizar os recursos para desenvolver estruturas de pesquisa, reciclagem e separação de óxidos.

Enquanto isso, pesquisadores internacionais também investigam novas maneiras de recuperar esses minerais. Em outubro, Roberta Souza apresentou no CPG uma pesquisa do laboratório Oak Ridge que utiliza esporos de bactérias para investigar a recuperação de terras raras em águas de mineração.

Embora essa tecnologia não faça parte do Projeto Colossus, ela demonstra como o setor procura ampliar as alternativas de processamento mineral.

Projeto prevê pelo menos 40 anos de exploração, mas ainda depende de licenças

A Viridis pretende desenvolver uma operação de longo prazo em Poços de Caldas.

Segundo o diretor-executivo da empresa, o planejamento inicial considera pelo menos 40 anos de exploração.

Entretanto, a duração efetiva dependerá das condições econômicas, da disponibilidade dos recursos e das autorizações necessárias.

A mineradora deseja iniciar a produção em 2028. Antes disso, porém, precisa obter a licença de instalação e cumprir as exigências ambientais.

Ao mesmo tempo, moradores e organizações locais continuam cobrando esclarecimentos sobre os possíveis impactos da atividade nas comunidades vizinhas.

Assim, o Projeto Colossus evidencia um desafio para o avanço das terras raras no Brasil: desenvolver a cadeia mineral e, ao mesmo tempo, avaliar os efeitos ambientais e sociais sobre a população.

Por enquanto, a Viridis segue com os preparativos do empreendimento. No entanto, o início das obras e da extração comercial ainda depende das próximas etapas do licenciamento.

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Roberta Souza

Autora no portal Click Petróleo e Gás desde 2019, responsável pela publicação de mais de 8.000 matérias que somam milhões de acessos, unindo técnica, clareza e engajamento para informar e conectar leitores. Engenheira de Petróleo e pós-graduada em Comissionamento de Unidades Industriais, também trago experiência prática e vivência no setor do agronegócio, o que amplia minha visão e versatilidade na produção de conteúdo especializado. Desenvolvo pautas, divulgo oportunidades de emprego e crio materiais publicitários direcionados para o público do setor. Para sugestões de pauta, divulgação de vagas ou propostas de publicidade, entre em contato pelo e-mail: santizatagpc@gmail.com. Não recebemos currículos

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