Tecnologia desenvolvida em Marechal Deodoro reduz até 40% do tempo de obra e economiza 3.794 toneladas de CO₂
Uma empresa alagoana vem ganhando espaço no cenário internacional ao apostar em engenharia de materiais e industrialização da construção civil. Instalada em Marechal Deodoro, a Isobloco desenvolveu um sistema construtivo baseado em concreto nanocelular. Agora, além de crescer no Brasil, a companhia avança para o mercado europeu por meio de conexões estratégicas na Alemanha.
A informação foi divulgada por “Movimento Econômico”, que detalhou a seleção da empresa para o programa Partnering in Business with Germany. A iniciativa pertence ao Ministério Federal da Economia e Energia da Alemanha e busca conectar pequenas e médias empresas a parceiros industriais alemães.
Criada em 2018 pelo engenheiro mecânico Henrique Ramos, a Isobloco nasceu com um propósito claro: industrializar a construção civil. Desde então, a empresa combina pesquisa em engenharia de materiais com processos modulares. Dessa forma, substitui métodos convencionais marcados por desperdício, retrabalho e imprevisibilidade.
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Como o concreto nanocelular reduz custos, resíduos e emissões

O sistema utiliza concreto leve nanocelular e componentes pré-fabricados. Por isso, reduz o consumo de insumos e acelera a execução das obras. Além disso, amplia o controle de qualidade e diminui falhas no processo construtivo.
Ao mesmo tempo, a tecnologia corta significativamente o uso de cimento. Como o cimento responde por grande parte das emissões de carbono na construção civil, essa redução gera impacto ambiental direto. Consequentemente, os projetos apresentam menor pegada de carbono.
Nos últimos 12 meses, a Isobloco comercializou cerca de 25 mil metros quadrados em soluções construtivas. Segundo o relatório de sustentabilidade da empresa, essa produção permitiu economizar aproximadamente 3.794 toneladas de CO₂ equivalente ao longo do ciclo de vida das edificações.
Além disso, o desempenho termoacústico do sistema proporcionou economia acumulada de 184 mil kWh em consumo energético. Como resultado, as edificações demandam menos climatização artificial.
Na gestão de resíduos, o modelo industrializado gera volume até 15 vezes inferior ao da construção convencional. Ainda mais importante, a empresa reaproveita integralmente as sobras produtivas.
Outro dado reforça o compromisso ambiental: a Isobloco adquiriu 15 mil litros de óleo vegetal reciclado para uso fabril. Assim, evitou a contaminação potencial de até 375 milhões de litros de água. Essa estratégia integra o conceito de economia circular aplicado na operação.
“O nosso sistema reduz em até 40% o tempo de conclusão de obra quando comparado a métodos tradicionais. Com isso, já ultrapassamos os R$ 10 milhões em faturamento anual”, afirmou o CEO Henrique Ramos.
Expansão internacional e reconhecimento estratégico
Atualmente, a empresa atende escolas, hospitais, UPAs e creches em diversos estados. Em Pernambuco, fechou parceria com a Plataforma Engenharia. A companhia utilizará os produtos da Isobloco em 36 creches.
Além do crescimento nacional, a empresa alinhou seu sistema à Resolução CGIEE nº 4/2025. A norma estabelece índices mínimos obrigatórios de eficiência energética. O cronograma começa em 2027 para edificações públicas e, posteriormente, em 2030 para privadas. Em caso de descumprimento, a Lei nº 9.933/1999 prevê penalidades.
Segundo Henrique Ramos, o concreto nanocelular já incorpora desempenho energético desde a concepção do projeto. Portanto, facilita o atendimento às exigências regulatórias.
Recentemente, a Isobloco foi selecionada para o programa Partnering in Business with Germany. Dessa maneira, entrou em uma agenda estratégica de cooperação tecnológica e acesso ao mercado europeu.
A expectativa agora envolve a formação de parcerias industriais de longo prazo. Além disso, a empresa busca transferência de tecnologia e novos contratos internacionais.
Em 2024, a companhia conquistou o terceiro lugar no Green and Digital Startup Awards, promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK), na categoria Economia Circular. Paralelamente, participou do programa Exporta Mais Brasil, da ApexBrasil.
A empresa também integrou iniciativas com a Habitat for Humanity e o Impact Hub UK, voltadas a soluções sustentáveis para habitação.
Em janeiro, a Caixa Econômica Federal selecionou a Isobloco para o programa TEIA de Startups. Assim, a empresa ampliará o desenvolvimento de soluções construtivas que unem engenharia, sustentabilidade e viabilidade econômica.
Portanto, ao combinar inovação tecnológica, redução comprovada de emissões, eficiência produtiva e inserção internacional estratégica, a Isobloco consolida Alagoas como polo emergente de engenharia de materiais no Brasil.
Você acredita que a industrialização da construção civil pode transformar o Brasil em referência global em tecnologia sustentável?

