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De um espaço de apenas 20 m² no centro de São Paulo a uma rede com 320 lojas e R$ 440 milhões em faturamento: a surpreendente ascensão do Rei do Mate e a estratégia que começou com pão de queijo, café gourmet e tomadas para notebook

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 21/11/2025 às 15:16
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De um espaço de apenas 20 m² no centro de São Paulo a uma rede com 320 lojas e R$ 440 milhões em faturamento: a surpreendente ascensão do Rei do Mate e a estratégia que começou com pão de queijo, café gourmet e tomadas para notebook
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Com apenas um espaço de 20 m² no centro de SP a 320 lojas e R$ 440 milhões: como o Rei do Mate virou uma das maiores redes do país com estratégia simples e foco no consumidor.

No final dos anos 1970, quando o Centro de São Paulo era o coração comercial do país, uma microloja de apenas 20 metros quadrados na esquina das avenidas São João e Ipiranga começou a chamar atenção pelo cheiro de erva-mate quente e pão de queijo derretendo na chapa. Era 1978 quando o empreendedor Kalil Nasralla inaugurou o primeiro Rei do Mate, um negócio simples, quase tímido, que atendia trabalhadores, estudantes, taxistas e jornalistas que viviam a rotina frenética da região. Quase cinco décadas depois, a marca se transformou em uma das maiores cadeias de bebidas quentes e snacks do Brasil, com mais de 320 unidades espalhadas pelo país e previsão de alcançar R$ 440 milhões em faturamento em 2025, segundo dados divulgados pela Exame e confirmados por relatórios do setor de food service.

A pergunta que ficou no ar e que chamou atenção da imprensa econômica é simples e poderosa: como uma loja minúscula virou um império que domina shoppings, aeroportos, rodoviárias e centros comerciais?

O nascimento da fórmula: simplicidade e atenção ao comportamento do consumidor

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A virada começou quando Nasralla percebeu algo óbvio, mas negligenciado: o brasileiro sempre consumiu mate, mas poucas marcas haviam transformado essa tradição cultural em negócio escalável. O primeiro insight foi padronizar a bebida, oferecendo sempre o mesmo sabor e temperatura, algo raro na época.

O segundo foi ainda mais estratégico: combinar o mate com itens que criavam “ritual de permanência”, incentivando o cliente a não apenas comprar, mas ficar. Daí vieram:

  • pão de queijo fresco servido o dia inteiro;
  • cafés aprimorados, antes de se tornarem moda;
  • bolos e salgados de preparo rápido;
  • uma vitrine leve, com produtos visíveis;
  • ambiente de atendimento rápido, mas acolhedor.

Esses elementos, aparentemente simples, se transformariam, anos depois, no alicerce para a rede competir com cafeterias globais.

A grande virada dos anos 2000: o marketing do “espaço para trabalhar”

A expansão acelerou a partir dos anos 2000, quando o Rei do Mate decidiu investir em algo que se tornaria tendência mundial: tomadas para notebook, mesas individuais e ambiente propício para estudo e trabalho.

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O conceito de “terceiro lugar” — aquele espaço que não é casa nem escritório, já era explorado por marcas internacionais, mas ainda pouco disseminado no Brasil. O Rei do Mate fez isso antes da explosão do coworking e transformou suas lojas em pontos naturais de:

  • encontros informais,
  • estudo,
  • trabalho remoto,
  • rotinas de freelancers,
  • paradas rápidas entre compromissos.

A rede ampliou a oferta de cafés especiais, investiu em produtos de ticket médio maior e refinou a estratégia de ambientação. Com isso, elevou seu público além do consumidor de mate tradicional e passou a disputar clientes com cafeterias premium.

Expansão e estrutura: o modelo de franquias que virou referência

O crescimento também foi impulsionado pelo modelo de franquias. A partir de 1991, o Rei do Mate criou um sistema de operação padronizado que permitia:

  • treinamento acelerado de franqueados,
  • logística simplificada,
  • cardápio uniforme,
  • comunicação nacional,
  • escala de compras,
  • margens mais previsíveis.

Enquanto outros negócios lutavam para manter identidade, o Rei do Mate fez o contrário: transformou identidade em produto. O que era loja pequena virou marca nacional, presente em lugares estratégicos como:

  • aeroportos internacionais,
  • estações de metrô,
  • rodoviárias interestaduais,
  • shoppings de alto fluxo,
  • universidades,
  • centros administrativos.

A cada ano, dezenas de novas unidades eram inauguradas, especialmente após 2010, quando a marca atingiu grande visibilidade nacional.

Os números que revelam o tamanho da operação

Segundo dados recentes divulgados pela Exame e pelo portal FoodBiz Brasil, a rede:

  • registrou R$ 370 milhões em faturamento em 2024;
  • deve alcançar R$ 440 milhões em 2025, mantendo ritmo de crescimento de dois dígitos;
  • acumula mais de 320 pontos de venda em atividade, consolidando-se como a maior rede de mate do país;
  • ampliou o ticket médio com cafés gourmet, salgados de maior valor agregado e produtos sazonais.

A marca, antes regional, passou a competir diretamente com cafeterias internacionais em aeroportos e grandes centros, mantendo preço mais acessível — o que atrai diferentes perfis de consumidores.

O segredo: o produto certo para o Brasil certo

O Rei do Mate cresceu porque entendeu um ponto fundamental: o Brasil não é um país de inverno prolongado. A estratégia não era vender café caro, mas vender conforto, permanência e familiaridade, agregando itens do cotidiano brasileiro — pão de queijo, sucos tropicais, sanduíches simples e mate gelado.

Esse ajuste fino permitiu à marca se expandir de forma orgânica, sem tentar copiar modelos estrangeiros. Muito pelo contrário: adaptou-se ao gosto nacional, manteve preços competitivos e construiu uma imagem de credibilidade e proximidade.

A trajetória de um pequeno negócio que se tornou um gigante nacional

O Rei do Mate é a prova de que tamanho inicial não define destino, mas visão estratégica sim. Uma loja de 20 m², instalada no centro de São Paulo há quase meio século, transformou-se em uma das maiores redes de alimentação do Brasil ao unir tradição, adaptação cultural, ambiente acolhedor e visão empresarial de longo prazo.

Hoje, a marca ocupa um espaço único no mercado: não é apenas cafeteria, lanchonete ou quiosque. É um modelo híbrido que entrega conveniência, conforto e identidade brasileira em cada uma de suas mais de 320 unidades e caminha para um faturamento que se aproxima de meio bilhão de reais.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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