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Com projeto de osmose reversa capaz de produzir 400 milhões de litros de água potável por dia, a nova dessalinização de Chennai mostra como uma megacidade quer reforçar o abastecimento com água do mar

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 04/01/2026 às 00:30
Usina de dessalinização em Chennai produzirá 400 milhões de litros por dia com osmose reversa para reforçar abastecimento urbano.
Usina de dessalinização em Chennai produzirá 400 milhões de litros por dia com osmose reversa para reforçar abastecimento urbano.
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Implantada no litoral de Tamil Nadu, nova usina de dessalinização integra estratégia de Chennai para ampliar fontes de abastecimento, reduzir dependência de reservatórios e enfrentar variações climáticas em uma das maiores metrópoles da Índia.

A cidade indiana de Chennai, capital do estado de Tamil Nadu, está implantando uma nova usina de dessalinização por osmose reversa com capacidade de produzir 400 milhões de litros de água potável por dia a partir do mar.

A iniciativa faz parte de um conjunto de medidas adotadas para ampliar a oferta hídrica em um contexto de crescimento populacional, variação climática e pressão sobre reservatórios e aquíferos.

Projeto Perur 400 MLD e localização estratégica

O empreendimento é identificado oficialmente como Perur 400 MLD SWRO Desalination Plant e está sendo instalado na região de Perur, ao longo da East Coast Road, em área costeira ao sul da cidade.

O projeto inclui, além da unidade de dessalinização, sistemas de bombeamento, reservatórios e adutoras, responsáveis por integrar a nova fonte à rede de abastecimento urbano.

Gestão hídrica e papel do Metrowater

Usina de dessalinização em Chennai produzirá 400 milhões de litros por dia com osmose reversa para reforçar abastecimento urbano.
Usina de dessalinização em Chennai produzirá 400 milhões de litros por dia com osmose reversa para reforçar abastecimento urbano.

A execução está a cargo do Chennai Metropolitan Water Supply and Sewerage Board, órgão responsável pelos serviços de água e esgoto na região metropolitana.

A iniciativa integra a estratégia local de diversificação das fontes de abastecimento, em um cenário marcado por forte dependência do regime de monções e por oscilações significativas no volume de água disponível ao longo do ano.

Financiamento internacional e cooperação japonesa

De acordo com informações divulgadas pela Agência de Cooperação Internacional do Japão, a obra conta com financiamento estruturado por meio de um empréstimo de assistência oficial ao desenvolvimento.

O acordo contempla não apenas a construção da usina, mas também a expansão da infraestrutura de transmissão e ações de suporte técnico relacionadas à gestão do sistema.

No material público que acompanha o financiamento, a agência japonesa informa que a demanda diária de água em Chennai supera 1,4 bilhão de litros, enquanto o volume efetivamente fornecido apresenta variações que resultam em déficits, especialmente durante períodos de estiagem.

Segundo o documento, esse desequilíbrio afeta tanto o abastecimento doméstico quanto atividades econômicas da região.

Infraestrutura associada e escopo do projeto

O projeto financiado inclui a implantação da usina de dessalinização com capacidade de 400 milhões de litros por dia, além da construção de estações de bombeamento, reservatórios e redes de adução.

Também estão previstos serviços de consultoria técnica para acompanhamento das obras, apoio à operação inicial e ações institucionais voltadas à gestão do recurso hídrico.

Usina de dessalinização em Chennai produzirá 400 milhões de litros por dia com osmose reversa para reforçar abastecimento urbano.
Usina de dessalinização em Chennai produzirá 400 milhões de litros por dia com osmose reversa para reforçar abastecimento urbano.

Limitações das fontes tradicionais de água

A escolha pela dessalinização está relacionada à localização geográfica da cidade, voltada para a Baía de Bengala, e às limitações estruturais das fontes tradicionais de água.

O abastecimento local depende historicamente de reservatórios superficiais, captações em bacias distantes e extração de água subterrânea, todos sujeitos a variações sazonais e a restrições operacionais.

Histórico de dessalinização em Chennai

A nova planta de Perur se soma a outras unidades de dessalinização já existentes em Chennai, que operam há mais de uma década.

Mesmo com essas instalações, a cidade segue enfrentando desafios no fornecimento regular de água, o que mantém o uso de caminhões-pipa e soluções emergenciais em parte da área metropolitana.

Reportagens da imprensa indiana registraram que a usina de Minjur, com capacidade de 100 milhões de litros por dia, permaneceu fora de operação por períodos prolongados após problemas contratuais e de manutenção.

Já a planta de Nemmeli, com capacidade estimada em 150 milhões de litros diários, tem apresentado limitações para atender de forma uniforme áreas de rápida expansão urbana, como o corredor da Old Mahabalipuram Road.

Reforço estrutural do abastecimento urbano

Nesse contexto, a unidade de Perur foi concebida como reforço estrutural ao sistema, com o objetivo de ampliar de forma significativa a oferta de água dessalinizada e reduzir a pressão sobre outras fontes.

A expectativa institucional é que o volume produzido contribua para atender bairros do sul da cidade e regiões administrativas incorporadas recentemente ao crescimento urbano.

Avanço das obras e cronograma

Usina de dessalinização em Chennai produzirá 400 milhões de litros por dia com osmose reversa para reforçar abastecimento urbano.
Usina de dessalinização em Chennai produzirá 400 milhões de litros por dia com osmose reversa para reforçar abastecimento urbano.

Atualizações divulgadas ao longo de 2025 por veículos locais indicaram avanço relevante das obras civis e marítimas do projeto.

As mesmas publicações apontam que o cronograma de entrega está associado a metas de conclusão entre 2026 e 2027, dependendo do estágio de cada componente da infraestrutura.

O custo total estimado é de bilhões de rúpias, com participação de financiamento externo.

Tecnologia de osmose reversa

No desenho técnico, a planta adota o processo de seawater reverse osmosis, tecnologia amplamente utilizada em grandes usinas de dessalinização.

O sistema transforma água salgada em água potável por meio da aplicação de pressão elevada sobre membranas semipermeáveis, capazes de reter sais dissolvidos e outras impurezas.

Captação marítima e pré-tratamento

A operação começa com a captação marítima, realizada por tubulações de grande diâmetro que conduzem a água do mar até a área industrial.

Em seguida, o líquido passa por etapas de pré-tratamento destinadas à remoção de sedimentos, matéria orgânica e partículas que poderiam comprometer o desempenho das membranas.

Produção de água potável e salmoura

Após essa etapa, bombas de alta potência elevam a pressão da água e a direcionam aos módulos de osmose reversa.

Nesse estágio, ocorre a separação entre o permeado, que corresponde à água dessalinizada, e o concentrado salino, conhecido como salmoura.

A água produzida passa então por ajustes físico-químicos, condicionamento mineral e desinfecção, antes de ser encaminhada a reservatórios e integrada à rede de distribuição urbana.

Como parte do processo, a salmoura gerada é devolvida ao mar por meio de estruturas de descarte projetadas para atender a parâmetros ambientais estabelecidos pelas autoridades competentes.

Obras marítimas e tubulações

Usina de dessalinização em Chennai produzirá 400 milhões de litros por dia com osmose reversa para reforçar abastecimento urbano.
Usina de dessalinização em Chennai produzirá 400 milhões de litros por dia com osmose reversa para reforçar abastecimento urbano.

Um comunicado recente de empresa envolvida na execução das obras informou a conclusão de etapas relevantes das estruturas marítimas, incluindo o assentamento de tubulações de captação e descarte.

Segundo a divulgação, foram instaladas duas linhas de captação e uma linha de descarte, cada uma com diâmetro de aproximadamente 2.500 milímetros, além de um trecho de captação com mais de um quilômetro de extensão.

Distribuição e gargalos operacionais

Além da unidade industrial, o projeto inclui a construção de uma rede de transmissão responsável por transportar a água produzida até os centros de consumo.

Esse sistema envolve estações elevatórias, reservatórios intermediários e longos trechos de adutoras, componentes essenciais para que o volume dessalinizado chegue efetivamente aos bairros atendidos.

Autoridades locais e documentos institucionais apontam que a ampliação da dessalinização busca reduzir a vulnerabilidade do abastecimento a períodos de baixa recarga dos reservatórios e à exploração intensiva de aquíferos.

A estratégia também tem como objetivo criar uma fonte menos dependente da variabilidade climática, uma vez que a matéria-prima do processo é o oceano.

Desafios de operação e manutenção

Apesar da expansão da capacidade instalada, experiências anteriores em Chennai indicam que a disponibilidade de água dessalinizada não elimina desafios relacionados à distribuição, manutenção e operação contínua das unidades.

Questões como contratos de operação, substituição de membranas e fornecimento estável de energia seguem sendo fatores determinantes para o funcionamento do sistema.

Dessalinização como infraestrutura permanente

Ao incorporar uma planta de 400 milhões de litros por dia como parte permanente da infraestrutura urbana, Chennai formaliza a dessalinização como elemento estrutural do seu modelo de abastecimento.

Em uma metrópole onde a demanda cresce de forma constante e os mananciais tradicionais apresentam limitações, a ampliação desse tipo de solução passa a ocupar espaço central no planejamento hídrico.

Diante de um cenário em que a cidade investe simultaneamente na expansão da dessalinização e enfrenta desafios históricos de distribuição e manutenção do sistema, que tipo de medida tende a ter maior impacto no abastecimento diário da população: a construção de novas megainfraestruturas ou a modernização e gestão mais eficiente das redes já existentes?

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Carioca
Carioca
05/01/2026 07:54

Sempre falei isso,se a tendência do mar é encher e a água potável acabar porque não usar está água pra consumo e manter o nível do mar ,já que as geleiras todos os dias estão caindo com riscos de cidades até desaparecerem.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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