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Com investimento de US$ 47 bilhões, Noruega planeja transformar a rodovia E39, eliminar balsas, cortar horas de viagem e vencer fiordes gigantes com pontes flutuantes e túneis submarinos inéditos no mundo

Escrito por Carla Teles
Publicado em 30/12/2025 às 17:35
Atualizado em 30/12/2025 às 17:36
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Noruega planeja transformar a rodovia E39 com pontes flutuantes, túneis submarinos ligando fiordes e criar nova rota costeira de referência mundial.
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Mega projeto costeiro planeja transformar a rodovia E39, eliminar oito travessias de balsa, cortar horas de viagem e vencer fiordes profundos com soluções inéditas de engenharia.

Na costa oeste da Noruega, o governo planeja transformar a rodovia E39 em uma ligação contínua entre o sul e o norte do país, substituindo as atuais travessias de balsa por uma sequência de pontes e túneis avançados. Hoje, o trajeto de cerca de 1.100 quilômetros leva em torno de 21 horas por causa dos fiordes e das paradas obrigatórias, embora em linha reta pudesse ser feito em aproximadamente 14 horas.

Para mudar esse cenário, o país está colocando em prática o maior plano de infraestrutura de sua história, estimado em 47 bilhões de dólares. Mais do que encurtar o tempo de viagem, o projeto planeja transformar a rodovia em um corredor moderno de transporte, capaz de integrar comunidades isoladas, facilitar o escoamento de mercadorias e criar uma nova vitrine global para a engenharia norueguesa.

A costa dos fiordes e o desafio da E39

A chamada rodovia costeira E39 serpenteia pela zona litorânea do país, uma região conhecida por abrigar algumas das paisagens mais deslumbrantes do planeta, com mais de mil fiordes formados pela ação de antigos glaciares.

O maior deles chega a cerca de 200 quilômetros de extensão e mais de 1 quilômetro de profundidade, o que torna qualquer obra de travessia um desafio extremo.

Ao longo da rota atual, entre o extremo sul e o norte da Noruega, a E39 cruza vários fiordes e depende hoje de oito travessias de balsa. Cada parada representa espera, embarque e desembarque, somando horas ao deslocamento e criando vulnerabilidade em caso de mau tempo, filas ou interrupções de operação. O plano do governo planeja transformar a rodovia para eliminar completamente essas balsas e garantir fluxo contínuo de veículos.

Rogfast: o túnel submarino que inaugura a nova era

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O primeiro grande passo do projeto é o Rogfast, um túnel submarino que vai ligar a E39 até a região de Stavanger. Serão cerca de 27 quilômetros de extensão, em um trecho que pode chegar a 390 metros de profundidade, o que deve torná-lo o túnel rodoviário mais profundo e um dos maiores do mundo quando estiver pronto.

O Rogfast será composto por dois túneis paralelos, com acessos de ligação a cada 250 metros e saídas de emergência a cada 500 metros, além de acostamentos e câmeras de segurança ao longo de todo o traçado. No caminho, a estrutura ainda fará conexão com um pequeno arquipélago de cerca de 5 km², integrando ilhas e pouco mais de 500 habitantes ao restante do país, algo que reforça como o governo planeja transformar a rodovia também em ferramenta de inclusão regional.

As obras do Rogfast começaram em 2018, foram interrompidas em 2019 para revisão do projeto e retomadas em 2021, com previsão de conclusão até 2026 e custo estimado em 2 bilhões de dólares.

Pontes flutuantes e túneis submersos para vencer fiordes gigantes

Noruega planeja transformar a rodovia E39 com pontes flutuantes, túneis submarinos ligando fiordes e criar nova rota costeira de referência mundial.

Se o Rogfast já impressiona, outros trechos do plano exigem soluções ainda mais ousadas. Ao sul de uma grande cidade costeira, um fiorde com até 10 quilômetros de largura, trechos de 5 quilômetros e profundidade de cerca de 600 metros desafia qualquer estrutura convencional. Para ele, engenheiros estudam uma ponte flutuante ancorada às margens, capaz de se adaptar às profundidades extremas e às condições marítimas.

Em outra travessia, sobre o Sula Fiorden, duas ideias estão na mesa. A primeira é uma ponte suspensa com três torres em sequência, sendo uma ancorada ao fundo do mar a cerca de 400 metros abaixo da linha da água e outras duas ligadas à costa. A alternativa é um túnel flutuante e submerso com dois tubos paralelos, suspensos por cabos altamente resistentes fixados ao fundo do fiorde, permitindo a passagem de navios na superfície sem interromper o trânsito de veículos.

Outro trecho previsto exige um túnel subaquático de cerca de 16 quilômetros, também complementado por uma ponte de aproximadamente 2 quilômetros de extensão, criando uma combinação de estruturas para superar profundidades e larguras que variam de acordo com cada fiorde. Em todas essas soluções, o objetivo é o mesmo: planeja transformar a rodovia em uma via contínua, mesmo onde a geografia parecia impedir qualquer ligação direta.

O maior fiorde e a parte mais ambiciosa do projeto

Noruega planeja transformar a rodovia E39 com pontes flutuantes, túneis submarinos ligando fiordes e criar nova rota costeira de referência mundial.

O ponto mais complexo do plano está na travessia do maior e mais profundo fiorde da Noruega e da Europa, que chega a mais de 200 quilômetros de extensão, cerca de 3,7 quilômetros de largura e 1,3 quilômetro de profundidade em seu trecho mais profundo. A região ainda recebe grande tráfego de navios, o que obriga os engenheiros a prever vãos livres mínimos de 400 metros de largura, 70 metros acima da água e pelo menos 20 metros abaixo para passagem segura das embarcações.

Para esse trecho, várias alternativas estão sendo analisadas. Uma delas é uma ponte suspensa com aproximadamente 3.700 metros de extensão, quase o dobro do comprimento da maior ponte atual do mundo, o que exigiria torres de quase 500 metros de altura. Outra opção é uma ponte flutuante, que precisaria ter partes móveis ou ajustáveis sempre que grandes navios se aproximassem, o que adiciona enorme complexidade operacional.

Há ainda estudos para um túnel flutuante e submerso sem cabos presos ao fundo, sustentado por blocos flutuantes na superfície, permitindo que navios cruzem por cima sem interferir na estrutura. Uma solução híbrida, combinando ponte flutuante com túnel submerso, também está em avaliação. Esse tipo de transição entre estruturas emersas e submersas já existe em ligações como a ponte entre Dinamarca e Suécia e a travessia entre Hong Kong e Macau, mas nunca em um cenário tão profundo e complexo quanto este.

Referência mundial em engenharia e infraestrutura

Embora outros países como Itália, Estados Unidos e Japão já tenham considerado projetos para ligar áreas de relevo acidentado, nenhum avançou tanto quanto o plano norueguês para sua costa de fiordes. As obras associadas à E39 vêm acumulando progresso e devem se estender até cerca de 2035, quando o governo espera ter a rota totalmente conectada.

O investimento de 47 bilhões de dólares deve ser recuperado principalmente por meio da cobrança de pedágios ao longo da nova via costeira. Em paralelo, as equipes de engenharia trabalham com forte preocupação ambiental e de segurança, planejando estruturas que resistam a ventos fortes, correntezas, tráfego intenso de navios e às condições rigorosas do mar do Norte. A ambição é que o projeto planeja transformar a rodovia não apenas em uma estrada mais rápida, mas em um modelo global de infraestrutura para regiões extremas.

No fim, a nova E39 promete encurtar distâncias, aproximar cidades, integrar ilhas e mostrar ao mundo que é possível combinar paisagens intocadas com algumas das soluções de engenharia mais ousadas já concebidas.

E você, acredita que vale investir tudo isso para um projeto que planeja transformar a rodovia E39 em uma das rotas mais impressionantes do planeta ou acha que existiriam alternativas mais simples e baratas para melhorar a mobilidade na região?

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José
José
01/01/2026 02:38

Ninguém pensou no espaço aéreo?

José
José
01/01/2026 02:35

Ninguém pensou no espaço aéreo????

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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