Projeto de túnel de 170 metros no Portão do Inferno, na MT-251 entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães, tem edital de R$ 54,8 milhões lançado pela Sinfra-MT e promete mais segurança e menos impacto ambiental
A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (Sinfra-MT) publicou nesta sexta-feira, 28 de novembro de 2025, o edital para construir um túnel de 170 metros na região do Portão do Inferno, na rodovia MT-251. A publicação marca uma nova fase nas obras do trecho mais crítico da serra.
A obra tem valor estimado de R$ 54.838.507,45, com extensão total de 513 metros quando considerados os acessos ao túnel. A abertura da licitação está marcada para 9 de março de 2026, às 9h, por meio do Sistema de Aquisições Governamentais (Siag) do governo de Mato Grosso, com critério de menor preço.
O objetivo é oferecer uma solução definitiva para os riscos geológicos no Portão do Inferno, trecho que registra quedas, tombamentos e rolamento de blocos de rocha. Estudos de estabilidade indicaram comprometimento do maciço e risco de colapso estrutural se nada fosse feito.
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Segundo a Sinfra-MT, o túnel em pista de concreto com acostamento foi escolhido por garantir mais segurança permanente, menor impacto ambiental e custo reduzido de manutenção ao longo do tempo. Outra vantagem é a possibilidade de manter o fluxo de veículos na rodovia durante a execução da obra, evitando novo isolamento da região.
O que diz o edital do túnel no Portão do Inferno
O edital prevê a construção de um túnel rodoviário de 170 metros de extensão, em via dupla, com pavimento rígido de concreto e acostamento. No total, somando os acessos, o empreendimento terá 513 metros na MT-020/251, no trecho conhecido como Portão do Inferno, na divisa entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães.
A contratação será do tipo integrada, modelo em que a empresa vencedora fica responsável por elaborar o projeto básico, o projeto executivo e executar todos os serviços da obra. O valor de referência é de cerca de R$ 54,8 milhões e o prazo previsto é de 420 dias para a execução física dos trabalhos, com 510 dias totais de contrato após a ordem de serviço.
A licitação será realizada na modalidade concorrência pública eletrônica, via Sistema de Aquisições Governamentais, plataforma oficial de compras do governo estadual. De acordo com os avisos publicados, documentos como edital, termo de referência e anteprojetos de engenharia estão disponíveis no portal da Sinfra-MT para consulta de empresas interessadas e da sociedade.
Risco geológico e histórico de interdições na MT-251
O Portão do Inferno já estava em situação de alerta máximo desde 2023, quando o governo de Mato Grosso decretou situação de emergência entre os quilômetros 42 e 48 da MT-251 por causa de movimentos de massa como queda, tombamento e rolamento de blocos de rocha. O decreto autorizou intervenções emergenciais e obras de contenção para reduzir o risco imediato aos motoristas.
Em 2024, o trecho chegou a ser totalmente interditado em dias de chuva intensa, o que reforçou a percepção de que a rodovia não poderia continuar exposta à encosta instável. A Sinfra instalou barreiras, sistemas de monitoramento e um painel eletrônico com câmera que informa em tempo real se o trânsito está liberado, em pare e siga ou bloqueado.
Mesmo assim, as restrições afetam moradores, turistas e o escoamento da economia local entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães.
Por que o túnel foi escolhido como solução definitiva
Inicialmente, o governo chegou a defender o retaludamento do morro como solução para o Portão do Inferno, o que significaria grandes cortes na encosta e movimentação intensa de solo e rocha. Com o avanço dos estudos geotécnicos e o uso de tecnologias de detecção remota e ensaios geofísicos, técnicos concluíram em 2025 que a alternativa mais segura seria a construção de um túnel.
Organizações ambientais e pesquisadores alertam que um grande corte a céu aberto poderia descaracterizar a paisagem da Chapada dos Guimarães e agravar riscos em outros pontos da encosta. Para esses especialistas, intervenções agressivas na encosta aumentariam a vulnerabilidade do trecho.
De acordo com a Sinfra-MT, o túnel no Portão do Inferno oferece maior segurança permanente porque protege a pista de blocos que possam se desprender da encosta. A pasta também enfatiza que a solução reduz o impacto visual na paisagem, diminui a necessidade de manutenção ao longo do ciclo de vida da obra e melhora as condições de circulação na MT-251 em qualquer época do ano.
Outro argumento usado pelo governo é a possibilidade de manter o fluxo de veículos durante grande parte da construção, utilizando o traçado atual da rodovia enquanto o túnel é aberto e estruturado. Para quem depende diariamente da estrada, esse ponto é visto como decisivo para evitar novo período prolongado de isolamento.
A MT-251 é a principal ligação entre Cuiabá e o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. Para especialistas em segurança viária, um corredor protegido no trecho mais crítico da serra tende a reduzir acidentes e interrupções por deslizamentos.
Impactos esperados, cronograma da licitação e dúvidas da população
Se o cronograma legal for cumprido e não houver recursos que atrasem a concorrência, a expectativa é que o contrato seja assinado após a sessão de 9 de março de 2026 e que as obras comecem ainda no segundo semestre daquele ano. Na prática, moradores de Cuiabá, Chapada dos Guimarães e turistas que trafegam pela rodovia Emanuel Pinheiro (MT-251) podem ganhar uma rota mais segura, com menor risco de interdição repentina por chuvas e deslizamentos de terra.
A obra de R$ 54,8 milhões se soma a mais de R$ 10 milhões já gastos em intervenções emergenciais e ajustes de projeto na MT-251, segundo reportagens locais sobre o histórico do empreendimento. Críticos apontam que a demora na definição da solução e na publicação do edital expôs motoristas a riscos por mais tempo, enquanto o governo estadual argumenta que os cuidados se devem à complexidade técnica e às exigências de licenciamento e controle de gastos públicos.
Você acredita que a construção do túnel é a melhor saída para conciliar segurança e preservação ambiental na Chapada dos Guimarães. Deixe sua opinião nos comentários e diga se, na sua visão, essa obra resolve o problema ou representa mais um gasto em infraestrutura que deveria ser feito de outra forma.

Melhor solução seria um viaduto!
Não acredito que o túnel seja viável. As rochas da,região são de arenito e não tem sustentação suficiente para se construir um túnel. É bem provável que os construtores terão surpresas e essa obra duplique de preço. É esperar para ver…
É uma vergonha. Por que não fazem uma cobertura de concreto como em montanhas no Chile? As pedras rolam por cima e caem no vale. Simples…mas querem gastar mais por que? Espaço pra desvio?