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Com golpe financeiro, venda do gado, mudança forçada pra cidade e retorno improvável, casal transforma recomeço na roça em aumento de produção, plantel crescendo, rotina forte e uma virada que surpreende todo mundo

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 28/11/2025 às 10:45
Assista o vídeoNa roça, uma história de superação mostra vida na roça com gado leiteiro e produção de leite em alta depois de um golpe financeiro pesado.
Na roça, uma história de superação mostra vida na roça com gado leiteiro e produção de leite em alta depois de um golpe financeiro pesado.
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Depois de vender o gado e deixar a roça por causa de um golpe financeiro, um casal transforma a vida na roça em projeto de gado leiteiro com produção de leite crescente, rotina puxada e história de superação que inspira outras famílias do campo em todo o Brasil hoje mesmo

Quando o golpe financeiro derrubou o laticínio, o leite de dois meses não entrou, as contas chegaram e o gado saiu. Para não ficar devendo, o casal vendeu tudo, pagou cada dívida e deixou para trás a roça onde tinha começado a vida, carregando só a experiência e a frustração de ver o trabalho sumir de uma hora para outra.

Na cidade, Daniel virou peão de mineradora, Celiane foi trabalhar em hotel, o salário era curto e a saudade do cheiro de curral batia toda vez que ele precisava voltar para a empresa. A certeza, naquela época, era uma só: depois de quebrar na roça, ele não se via voltando para o campo. O que ninguém imaginava é que justamente essa roça seria o caminho do recomeço.

Do golpe no leite ao dia em que o gado desapareceu do curral

Na roça, uma história de superação mostra vida na roça com gado leiteiro e produção de leite em alta depois de um golpe financeiro pesado.

A virada começou no pior jeito possível.

O laticínio deixou de pagar dois meses de leite, situação que para produtor sem folga no bolso é sentença de aperto.

Para não acumular dívidas, a saída foi vender o gado, liquidar as contas e encerrar aquela fase.

Eles contam que, depois da venda, não ficou pendurada nenhuma conta, mas também não sobrou nenhuma vaca.

Era o fim de um ciclo construído com anos de trabalho, casa ampliada aos poucos e rebanho formado vaca por vaca.

A vida produtiva na roça foi interrompida no choque, e a cidade virou o único plano possível.

A temporada dura na cidade e a saudade da roça

Na roça, uma história de superação mostra vida na roça com gado leiteiro e produção de leite em alta depois de um golpe financeiro pesado.

Na área urbana, Celiane entrou em um hotel, Daniel foi contratado por uma mineradora sem sequer saber o que se fazia lá dentro.

Ele encarou entrevistas, passou em processos seletivos, aprendeu a operar máquina que empilha minério e passou mais de três anos subindo e descendo escadas industriais.

O salário era simples, a rotina pesada e o coração ainda mais.

Nos domingos à noite, quando lembrava que segunda era dia de voltar para a mineradora, Daniel sentia que não pertencia àquele mundo, mesmo reconhecendo que aquele emprego segurava as contas.

A roça parecia distante, quase proibida, principalmente depois de tudo o que tinha dado errado.

A pandemia piorou o cenário.

O hotel em que Celiane trabalhava fechou, ela foi demitida e voltou para cuidar do pai com Alzheimer na propriedade da família.

Ali, com poucas vacas, tirar leite e cuidar do idoso viraram forma de renda e também de reencontro com a terra.

Terreno na cidade trocado por 17 bezerras e um novo recomeço na roça

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Para tentar firmar raízes na cidade, o casal chegou a comprar um terreno de esquina em avenida, pago em parcelas apertadas com o salário da mineração.

Quando a renda encolheu e a pressão aumentou, veio a proposta inesperada de um vizinho: comprar o terreno e pagar em gado.

O negócio saiu em 17 bezerras, quase todas magras de seca e cabeludas, mas cheias de potencial.

Uma morreu, 16 vingaram, algumas foram descartadas mais tarde.

Na prática, aquele lote de bezerras foi o passaporte de volta.

Com o acordo fechado, Daniel pediu demissão da mineradora, o casal voltou de vez para a roça e recomeçou o plantel praticamente do zero.

Plantel enxuto, foco em leite e produção crescendo na roça

O rebanho não explodiu em número de uma vez, mas ganhou qualidade e direção.

Hoje, o casal trabalha com cerca de 25 vacas no rebanho, sendo 20 em leite ou prestes a entrar na ordenha, e quase nada de gado solteiro parado.

A produção, que no início mal passava dos 35 litros por dia em outras fases da vida, já bateu mais de 400 litros recentemente, com média sólida mesmo em tempo de ração controlada.

A rotina é organizada como se fosse uma pequena empresa. Sempre fica pelo menos um adulto na propriedade, seja Daniel, Celiane ou o filho mais velho.

Pelo menos duas pessoas participam da ordenha, que começou na mão, passou por ordenhadeira pequena e hoje conta com sistema canalizado mais potente, comprado de ex-patrão e pago de forma parcelada.

A estratégia é clara: manter o plantel enxuto, reduzir vaca de baixa produção e apostar em genética que segure média de leite.

Mesmo sem animais extremos, eles já tiveram vaca passando de 26 litros por dia e, em outra fase da vida, chegaram a 360 litros com 18 vacas.

Silagem, pasto e corrida para segurar comida o ano inteiro

A alimentação também entrou no modo planejamento.

No começo, o gado dependia quase só de pasto, o que limitava produção e deixava o sistema vulnerável à seca e a imprevistos como fogo em área de capim.

Em uma das estiagens, a melhor parte do pasto queimou e o rebanho ficou sem silagem, o que derrubou a produtividade.

Aprendida a lição, o casal passou a destinar área específica para roça, com cerca de 12 hectares disponíveis no alto da propriedade, misturando solos de cascalho, pedra e terra vermelha melhor.

Eles já produziram em torno de 50 toneladas de silo em um ciclo e agora planejam ampliar o plantio para quatro hectares, pensando em ter comida para tratar o gado o ano todo, ainda que em quantidades menores na época de pasto farto.

O objetivo é simples e ambicioso ao mesmo tempo: trabalhar para estabilizar a produção na casa dos 500 litros, com volume suficiente para justificar investimento em estrutura de cocho e novas instalações.

Família inteira envolvida na rotina da roça

O recomeço na roça não é só um projeto de casal, é uma operação de família.

Os dois filhos ajudam na lida, um deles já é chamado de braço direito na fazenda.

O irmão de Daniel, que ainda trabalha na cidade, cuida dos pastos, roça áreas e mantém espaços limpos, em troca de participar do lucro de algumas vacas que também estão no plantel.

A mãe de Daniel mora perto, e a propriedade, ainda em inventário familiar, continua sendo espaço dividido com respeito e sem briga.

Não há disputa por terra nem conflito por herança, algo raro num cenário em que muita família rural se desorganiza justamente na hora de dividir patrimônio.

Enquanto isso, Celiane equilibra a cozinha com a lida, produzindo receitas típicas, pão de queijo, bolos e café reforçado para receber visitas e também para alimentar quem acorda cedo para tirar leite.

A vida simples na roça vira conteúdo de vídeo, com gravações para YouTube e Instagram mostrando o dia a dia no curral, na cozinha e no terreiro, sempre com vacas, galinhas, pintinhos e a rotina correndo solta.

Genética, inseminação e medo bom de ver a bezerrada crescer

No lado técnico, o casal decidiu apostar forte em inseminação artificial, com foco em sêmen sexado para gerar fêmeas e acelerar o crescimento do plantel leiteiro.

A meta é deixar a fazenda com mais bezerras de qualidade todo ano, reduzindo a dependência de compra de animais prontos e criando um padrão de gado mais ajustado à realidade da propriedade.

Eles já contam que, em um único ciclo, podem chegar a mais de dez vacas prenhas de sêmen sexado, o que enche a roça de bezerras e traz a preocupação boa de não perder controle sobre espaço, baia de bezerreiro e infraestrutura para criação.

Ao mesmo tempo, o histórico de prejuízo com bezerros machos mostra como cada decisão pesa no caixa: criar machos com leite em pó e vender barato é prejuízo certo, mas ainda assim difícil de evitar em algumas safras.

Por isso, a prioridade é organizar melhor o bezerreiro, separar lotes, evitar que animais mamem uns nos outros e montar estrutura com baias individuais ou em pequenos grupos, de acordo com a idade.

Da vida apertada na cidade ao orgulho de ficar na roça

Hoje, quando lembra da época em que precisava pegar estrada para bater ponto na mineradora, Daniel diz que pediu tanto para voltar que nem reclama do preço baixo do leite.

O valor pago por litro varia, os custos com ração e adubo pressionam, mas o sentimento de estar de novo na roça pesa mais que qualquer tabela, mesmo em fase de mercado apertado.

O filho mais velho, que sempre foi destaque em notas e desempenho escolar, escolheu ficar na propriedade, estudar e ajudar a tocar o projeto, em vez de seguir carreira apenas na cidade.

A decisão mostra que a roça voltou a ser vista pela família não como lugar de quebra, e sim como espaço de oportunidade, crescimento e futuro.

No fim, o recomeço de Celiane e Daniel é feito de madrugadas frias no curral, bezerras marcando nascimento, tanque de leite enchendo aos poucos e plano de aumentar a produção sem perder a essência.

A roça que um dia representou derrota após o golpe financeiro virou cenário de vitória construída vaca por vaca, litro por litro.

Se você tivesse passado por um golpe financeiro como o deles, teria coragem de largar a cidade e apostar de novo na roça ou preferiria ficar longe do campo para sempre?

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Carlos Carmo
Carlos Carmo
30/11/2025 08:48

O que mais me impressionou, foi a honestidade deles em pagar um a um , sem lesar ninguém. E ter a humildade de recomeçar do zero mas de cabeça erguida e com o bom nome.
Casos raros nos nossos dias .
Parabéns ao casal e filhos.
Deus abencoes vcs sempre

Fausto dias da costa
Fausto dias da costa
29/11/2025 21:40

Eles acreditaram naquilo que ninguém pode tirar deles: a experiência…história inspiradora parabéns!

Waldir catani
Waldir catani
29/11/2025 19:25

Eles tiveram de ir pra cidade.so que não se desfizeram da propriedade.caso contrário não conseguiriam mais voltar.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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