Com drones a laser, cientistas da China conseguem contar 142,6 bilhões de árvores no país. A tecnologia representa avanço no monitoramento ambiental e na preservação das florestas
Pesquisadores conseguiram contar o número de árvores da China. O resultado é impressionante: 142,6 bilhões de árvores em todo o território. Isso equivale a cerca de 100 árvores por habitante. A descoberta foi feita com ajuda de uma tecnologia baseada em drones a laser.
A contagem é considerada um marco. A China tem uma população muito grande e, mesmo assim, a quantidade de árvores é expressiva. Essa informação foi publicada no periódico Science Bulletin em 6 de fevereiro. O estudo também apresenta um mapa detalhado da distribuição das árvores no país.
A pesquisa é liderada por Qinghua Guo, professor do Instituto de Sensoriamento Remoto e Sistema de Informação Geográfica da Universidade de Pequim. Guo explicou que a tecnologia usada é moderna, mas tem limitações. O número real de árvores pode ser ainda maior do que a estimativa.
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Técnica de mapeamento das árvores da China
Para fazer a contagem, os cientistas usaram a técnica lidar. Ela funciona por meio de lasers que mapeiam a vegetação. Desde 2015, a equipe coleta dados com drones, cobrindo uma área de 1.400 quilômetros quadrados. A partir daí, eles extrapolaram a densidade para calcular o número nacional.
O processo utilizou o software Lidar360, que conta com inteligência artificial. No entanto, o sistema atual ainda não consegue detectar árvores escondidas sob copas muito densas. Segundo Guo, isso pode causar subestimações, especialmente em florestas densas, onde o sub-bosque é difícil de ser mapeado.
Mesmo com esses desafios, Guo afirma que o estudo representa um avanço. É o primeiro mapeamento de alta resolução da densidade de árvores na China. Ele também considera que o trabalho pode auxiliar o país a atingir metas ecológicas e de combate às mudanças climáticas.
“O estudo representa o primeiro mapeamento de alta resolução da densidade de árvores na China”, disse Guo. “Em última análise, esta pesquisa contribui para a abordagem da China para a restauração e gestão de ecossistemas sustentáveis globais.“
Comparações com outros dados de contagem de árvores
Há diferenças entre a nova estimativa e dados anteriores. O Nono Inventário Nacional de Recursos Florestais da China, de 2019, apontava 426 árvores por acre (ou 1.052 por hectare). Já o novo estudo chegou a uma média de 279 árvores por acre (ou 689 por hectare).
Guo disse que o número real deve estar em algum lugar entre essas duas estimativas. Para ele, são necessárias mais pesquisas para chegar a um resultado definitivo. Ainda assim, ele considera a nova estimativa um passo importante.
Outro especialista, Tom Crowther, professor assistente no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, comentou os dados. Ele não participou do estudo, mas avaliou que os números fazem sentido. “Globalmente, há cerca de 400 árvores por pessoa, mas em uma região tão densamente povoada, faz sentido que esse número seja menor“, disse Crowther
Mapeamento detalhado
O estudo também resultou em um mapa com a distribuição das árvores no território chinês. Isso ajuda a entender melhor o ecossistema e a armazenagem de carbono nas florestas. Esses dados são úteis para o planejamento de políticas ambientais.
A tecnologia usada permite definir onde plantar novas árvores de forma estratégica. Guo afirma que a junção de dados de alta precisão com modelos inteligentes permite escolher os melhores locais para cada árvore.
Além disso, a equipe pretende melhorar o software. Incorporar dados de solo, usando lidar terrestre, pode ajudar a contar as árvores menores, que hoje escapam ao radar. Isso pode levar a estimativas ainda mais próximas da realidade.
Expansão florestal
A China também está expandindo sua cobertura florestal. Um dos projetos em destaque é a “Grande Muralha Verde”. Essa iniciativa começou em 1978 e tem previsão de término em 2050. A meta é plantar 100 bilhões de árvores para combater a desertificação nas regiões norte e noroeste do país.
Atualmente, a muralha verde já conta com mais de 66 milhões de árvores. É considerada a maior floresta semeada do mundo. No entanto, há debates sobre a real eficácia do projeto em evitar o avanço dos desertos de Gobi e Taklamakan.
Mesmo assim, o país continua investindo em reflorestamento. Neste ano, drones devem ser usados para plantar novas mudas, ampliando ainda mais a vegetação. A expectativa é de que a densidade de árvores aumente consideravelmente nos próximos anos.
O novo estudo, com seu mapa detalhado e metodologia precisa, poderá orientar melhor essas ações. Ele mostra como a tecnologia pode ser usada para preservar e recuperar o meio ambiente eficientemente.
Com informações de Live Science.

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