Mudança na jornada de trabalho leva revendedores a estudar novos horários de atendimento, enquanto custos operacionais e movimento de clientes influenciam as decisões.
A possibilidade de fechar as portas às segundas-feiras começou a entrar nos planos de parte das concessionárias brasileiras. Com a adoção da escala 5×2, que prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso, empresários avaliam concentrar as atividades comerciais entre terça-feira e sábado. A intenção é preservar o atendimento no fim de semana sem precisar ampliar o quadro de funcionários.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, o sábado continua sendo considerado um dos dias mais importantes para a comercialização de veículos. Nesse período, consumidores costumam ter mais disponibilidade para visitar lojas, comparar modelos, avaliar automóveis usados e realizar test-drives. A reorganização, entretanto, ainda depende da decisão individual de cada concessionária.
Concessionárias avaliam fechar às segundas-feiras para preservar o movimento comercial dos sábados
A proposta discutida por parte dos revendedores prevê uma mudança direta na rotina das lojas. Em vez de manter o atendimento comercial às segundas-feiras, os estabelecimentos poderiam concentrar suas operações entre terça-feira e sábado, garantindo dois dias consecutivos de descanso aos funcionários.
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O objetivo é preservar o período considerado mais favorável para as vendas. Aos sábados, muitos consumidores conseguem visitar concessionárias acompanhados da família, analisar diferentes veículos e dedicar mais tempo às negociações. Para os empresários, perder esse movimento poderia representar uma dificuldade comercial.
O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Arcelio Júnior, explicou que cada estabelecimento deverá avaliar suas necessidades. Segundo ele, a adaptação dependerá das características de cada região e da realidade operacional das empresas. “A princípio, trata-se de decisão empresarial individual.”
Escala 5×2 estabelece novos períodos de descanso, mas não determina fechamento obrigatório das lojas
A discussão ganhou força após a promulgação da Emenda Constitucional nº 141, em 16 de outubro de 2026, conforme o texto-base. A medida prevê dois dias de repouso semanal remunerado e redução gradual da jornada de trabalho, sem diminuição dos salários.
O cronograma apresentado estabelece uma primeira redução para 42 horas semanais a partir de dezembro de 2026. Após mais 12 meses, o limite passaria para 40 horas. A mudança exige que os empregadores reorganizem suas escalas, respeitando os períodos de descanso e as condições previstas na legislação trabalhista.
Isso não significa, entretanto, que as concessionárias precisarão fechar às segundas-feiras. As empresas poderão manter o atendimento em diferentes dias da semana por meio do revezamento de funcionários. O texto também prevê possibilidades de compensação mediante negociação coletiva, conforme as regras aplicáveis a cada categoria.
Custos com funcionários e margens comerciais influenciam decisão dos revendedores
A preocupação com as despesas operacionais aparece entre os principais motivos para a possível reorganização. Segundo relatos apresentados à CNN Brasil, alguns concessionários afirmam que as margens de comercialização estão apertadas e dificultam uma ampliação automática da folha de pagamento.
Nesse cenário, reduzir os dias de abertura surge como alternativa para adaptar as jornadas utilizando os profissionais disponíveis. A estratégia permitiria preservar o atendimento aos sábados sem exigir, necessariamente, novas contratações para cobrir as folgas previstas na escala 5×2.
A possibilidade, porém, não significa que todas as concessionárias seguirão o mesmo caminho. O movimento de consumidores, o tamanho das equipes e a estrutura dos grupos empresariais deverão influenciar as decisões. Estabelecimentos com diferentes necessidades operacionais poderão adotar escalas próprias.
Oficinas, venda de peças e entregas de veículos poderão manter rotinas diferentes do salão comercial
O eventual fechamento das concessionárias às segundas-feiras também exigirá uma avaliação das atividades realizadas dentro de cada estabelecimento. Isso porque o funcionamento de uma loja não depende exclusivamente da comercialização de automóveis, envolvendo oficinas, departamentos de peças, entregas e serviços administrativos.
Uma concessionária poderá, por exemplo, suspender o atendimento do salão de vendas sem necessariamente interromper outras operações. A definição dependerá das necessidades de cada departamento e da capacidade de organizar os funcionários dentro dos novos limites de jornada.
As associações regionais também avaliam os possíveis ajustes. Para os consumidores, a principal orientação será confirmar os horários de funcionamento antes de sair de casa, especialmente quando houver serviços agendados, manutenção ou retirada de veículos.
Mudança no atendimento dependerá da realidade de cada concessionária e da demanda dos consumidores
A adoção da escala 5×2 poderá produzir diferentes modelos de funcionamento no setor automotivo. Enquanto algumas concessionárias estudam concentrar as vendas entre terça-feira e sábado, outras poderão manter mais dias de atendimento mediante revezamento das equipes.
O ponto central da discussão é conciliar os novos períodos de descanso com os custos operacionais e a demanda comercial. A preferência pelo sábado reflete a avaliação dos revendedores sobre o comportamento dos compradores, mas não representa uma decisão obrigatória para todo o mercado.
Assim, fechar às segundas-feiras continuará sendo uma escolha empresarial, condicionada às necessidades de cada estabelecimento e às regras trabalhistas aplicáveis.
Você considera melhor uma concessionária fechar às segundas-feiras para continuar atendendo aos sábados ou prefere que as lojas mantenham o funcionamento durante toda a semana?
